domingo, 22 de abril de 2012

PROGRAMA DO III ENCONTRO SUMMORUM PONTIFICUM BRASIL



III ENCONTRO 
SUMMORUM PONTIFICUM 
BRASIL
10 a 14 de setembro de 2012
Para Sacerdotes, Diáconos,
Religiosos e Leigos

PROmoção

ADMINISTRAÇÃO APOSTÓLICA PESSOAL
SÃO JOÃO MARIA VIANNEY
  
ARQUIDIOCESE DE SALVADOR
PRIMAZ DO BRASIL

Centro de Treinamento de Líderes
Rua Alves Ribeiro, 325.
Lot. Pedra do Sal- Itapuã,
Salvador - Bahia
Telefone: 71 3374-9037 e 3374-7635
(Ponto de referência Hotel Catussaba)

Contato
Edelair (Sula) e José Luiz:
Tel: 21 2667 8309 (9h às 17h30 – Segunda a Sexta)
21 3103.0492 (18h30 às 22h)
Cel.: 21 9208 9323 (Claro) /21 88699698 (OI)


PROGRAMA


ENCONTRO DE FORMAÇÃO PERMANENTE PARA
SACERDOTES E DIÁCONOS
COETUS SACERDOTALIS SUMMORUM PONTIFICUM


SEGUNDA 10 DE SETEMBRO

15h -  Chegada e credenciamento
18h - Santa Missa de abertura (Rezada)
18h30 - Jantar
19h30 - Palavras de Acolhida e Abertura do Encontro - Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, SCJ (Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil)

TERÇA 11 DE SETEMBRO

7h - Santa Missa (Cantada)
8h - Café
8h30 - A Espiritualidade Sacerdotal a partir do Rito de Ordenação do Pontifical Romano de 1961-1962
Dom Fernando Arêas Rifan (Administrador Apostólico da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney)
10h30 - A Vida Litúrgica do Sacerdote como antídoto à secularização
Dom Fernando José Monteiro Guimarães, CSSR (Bispo de Garanhuns e Membro do Supremo Tribunal da Signatura Apostólica )
12h - Almoço
14h30 - Ensaio Litúrgico – O Ritual do Batismo e o Matrimônio na Forma Extraordinária do Rito Romano
Pe. Claudiomar Silva Souza (Pároco da Igreja Principal da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney e Professor de Liturgia no Seminário da Imaculada Conceição )
16h15 - O Ano da Fé, uma ocasião para descobrir os Conteúdos da Fé celebrados e comunicados nos Atos Litúrgicos (Porta Fidei, 9). Uma Reflexão Teológico-Pastoral sobre a relação entre Lex Orandi e Lex Credendi
Dom Gilson Andrade da Silva (Bispo Auxiliar de Salvador)
18h –Jantar

QUARTA 12 DE SETEMBRO

7h30 -  Café
8h30 - Colóquio - Um balanço dos cinco anos de aplicação do Motu Proprio Summorum Pontificum - Frutos e Perspectivas para a Reforma de Bento XVI
Mons. Nicola Bux (Teólogo e Liturgista, Professor de Liturgia Oriental e Teologia dos Sacramentos em Bari - Itália, Consultor da Congregação para a Doutrina da Fé, do Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos e do Ofício de Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice, escreveu entre outros o livro A Reforma de Bento XVI: A Liturgia entre a Inovação e a Tradição)
12h - Almoço
14h - Passeio pelas igrejas de Salvador

ENCONTRO DE FORMAÇÃO SUMMORUM PONTÍFICUM
PARA SACERDOTES, DIÁCONOS, 
RELIGIOSOS E LEIGOS

17h - Santa Missa Solene – Mons. Nicola Bux
18h30 -  Jantar

QUINTA 13 DE SETEMBRO

7h30 - Café
8h - 50 anos de aplicação da Constituição Sacrosanctum Concilium, o Motu Proprio Summorum Pontificum e a necessidade de uma instauratio contínua da Liturgia da Igreja
Mons. Nicola Bux
10h15 - Dez anos da Administração Apostólica São João Maria Vianney - Um exemplo de boa convivência entre as duas formas do Rito Romano para toda a Igreja
Dom Fernando Arêas Rifan (Administrador Apostólico da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney)
12h – Almoço
14h30 - Mesa Redonda
Dom Fernando Arêas Rifan (Administrador Apostólico da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney).
Dom Fernando José Monteiro Guimarães, CSSR (Bispo de Garanhuns e Membro do Supremo Tribunal da Signatura Apostólica).
Dom Henrique Soares da Costa (Bispo Auxiliar de Aracaju)
18h - Santa Missa Pontifical em Ação de Graças pelos cinco anos do Motu Próprio Summorum Pontificum
Véspera da Exaltação da Santa Cruz
Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia

SEXTA 14 DE SETEMBRO
   
7h30 - Café
8H - A Santa Missa como Sacrifício - A dimensão mais contestada do Mistério Eucarístico
Dom Henrique Soares da Costa (Bispo Auxiliar de Aracaju)
10h15 - O Canto Gregoriano na Liturgia da Igreja - Do Motu Proprio Inter Sollicitudines ao Magistério Recente
Dom Gregório Paixão, OSB (Bispo Auxiliar de Salvador)
Palavra de Conclusão de Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, SCJ (Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil)
12h – Almoço.

Obs: Para a participação de sacerdotes e diáconos no Encontro, requer-se a apresentação do Superior Eclesiástico no momento do credenciamento.

 Fonte coetusacerdotalis.blogspot.com.br 

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Sétimo Aniversário da Eleição do Papa Bento XVI



O Papa Bento 
não está sozinho

Inicia o oitavo ano de pontificado de Bento XVI, eleito a 19 de Abril de 2005, com setenta e oito anos, em menos de um dia no conclave mais numeroso que até agora se reuniu na história. Uma data celebrada com alegria e precedida por aquela, tradicionalmente pessoal, do octogésimo quinto aniversário de nascimento, que contudo não era festejado na série dos Papa desde 1895 e que, por conseguinte, foi comemorada mais calorosamente.

Portanto, para estas festas de Abril multiplicaram-se as felicitações e os bons votos, que chegaram do mundo inteiro para expressar um afecto e uma estima gerais, que não se previam tão numerosas no momento da eleição. Com efeito, não se deve esquecer o excesso de preconceitos, ou até de oposições, com o qual a rapidíssima escolha do colégio dos cardeais tinha sido acolhida em diversos ambientes, também católicos. Preconceitos e oposições que em relação ao cardeal Ratzinger remontavam pelo menos a meados dos anos oitenta mas que não correspondiam minimamente à sua verdadeira personalidade.

O sucessor de João Paulo II – que aliás tinha sido o seu colaborador mais influente, que o Papa polaco, também ele por muito tempo hostilizado, quis quase imediatamente em Roma – foi-lhe contraposto, segundo estereótipos abusados. Um pontificado que iniciou em subida e que o Pontífice enfrentou com lúcida serenidade, já demonstrada a 24 de Abril, quando pediu orações aos fiéis para que não fugisse «por medo, diante dos lobos».

Aquela homilia era a primeira de uma série já longa, que por limpidez e profundidade em nada é inferior às pregações de Leão Magno, as primeiras de um bispo de Roma conservadas, caracterizadas por um equilíbrio exemplar entre herança clássica e novidade cristã analogamente à intenção do Papa Bento de se mover em harmonia entre razão e fé. Para se dirigir e falar a todos, como sugeriu no encontro de Assis o convite feito – pela primeira vez, um quarto de século depois daquele convocado por João Paulo II entre crentes – também aos não crentes, para anunciar o Evangelho ao mundo de hoje.

Foi assim também para a homilia na celebração do aniversário de nascimento – que coincide com a do seu baptismo, no Sábado Santo de 1927 – quando Bento XVI falou dos santos recordados no calendário litúrgico, Bernadette Soubirous e Benedetto Giuseppe Labre, de Maria, Mãe de Deus, e da águia pura da verdade da qual o mundo está sedento, muitas vezes sem o saber. Amigos invisíveis, mas não por isso menos reais, dos quais o Papa sente a proximidade na comunhão dos santos. Assim como sente a amizade de tantas pessoas que rezam por ele todos os dias, ou que unicamente olham para ele com simpatia, ouvindo com atenção as suas palavras.


19 de Abril de 2012


segunda-feira, 16 de abril de 2012

No seu 85º aniversário o Papa celebra a Santa Missa na Capela Paulina e recebe uma delegação da Baviera

 

Festa em família

Na homilia a recordação do baptismo recebido a 16 de Abril de 1927, Sábado santo


Festa de anos «bávara» para Bento XVI, que esta manhã, segunda-feira 16 de Abril, recebeu os bons votos pelos seus oitenta e cinco anos de uma numerosa delegação de autoridades civis e religiosas e de fiéis provenientes da sua terra de origem. Festa em família, portanto, para um dia que o Papa quis inaugurar com a missa na Capela Paulina, concelebrada por alguns dos seus colaboradores mais estreitos – entre eles o cardeal Bertone, secretário de Estado, e Sodano, decano do Colégio cardinalício, o qual lhe garantiu, em nome de todos os purpurados, a proximidade e a gratidão pelo seu «serviço de amor» - e por uma representação de cardeais, bispos e prelados alemães, entre os quais o irmão Georg.

Comovedora e inspirada a reflexão improvisada que o Pontífice pronunciou durante a homilia. Aberta por um pensamento grato aos dois santos – Bernadette Soubirous e Benedetto Giuseppe Labre – dos quais a Igreja celebra a memória litúrgica a 16 de Abril. A primeira, confidenciou, é o sinal que indica a água viva da qual cada cristão tem necessidade para se purificar. O segundo, mendigo pelos santuários europeus, mostra ao homem o essencial da vida: só Deus basta para derrubar e as fronteiras que impedem a irmandade entre os povos.

Passou em seguida às recordações pessoais: começando pela dos pais e de quantos o acompanharam durante a existência fazendo-lhe sentir a presença do Senhor. Que na singular coincidência entre o seu baptismo e o Sábado santo – disse – lhe mostrou o vínculo profundo entre nascimento e renascimento. Uma realidade mais forte do que qualquer ameaça ou adversidade, como o próprio Pontífice confidenciou sentir neste momento no qual vive a última etapa da existência. Ciente de que a bondade de Deus supera qualquer mal e ajuda a proceder com segurança pelo caminho da vida. O Papa manifestou um obrigado especial também à delegação da Baviera que recebeu sucessivamente na Sala Clementina. Antes de mais, pelas palavras do ministro-presidente que lhe recordaram os lugares onde cresceu; mas tamém pelos pensamentos suscitados pela menção do cardeal Reinhard Marx à beleza da fé de uma Igreja com a qual nunca deixou de se sentir profundamente ligado. Uma Igreja cujo rosto veio à mente graças à presença de tantos bispos. Assim como voltaram à mente os vínculos de amizade com os representantes de outras confissões cristãs e com a comunidade judaica. Por fim, o pensamento, talvez mais íntimo e pessoal, suscitado pelas músicas executadas pelo grupo folk. Havia nelas algo de familiar: o pai tocava com frequência com a a cítara a mesma melodia. «O Senhor saúda-te». Portanto, uma música que acompanhou a sua infância, que ainda hoje pertence ao seu presente, disse, como também ao seu futuro.

17 de Abril de 2012

segunda-feira, 9 de abril de 2012

CNBB: VIGÍLIA DE ORAÇÃO PELA VIDA E CONTRA O ABORTO


Brasília, 06 de abril de 2012
P - Nº 0328/12
  
Exmos. e Revmos. Srs.
Cardeais, Arcebispos e Bispos
Em própria sede

ASSUNTO: Vigília de Oração pela Vida, às vésperas do dia 11/04/12, quarta feira.
DGAE/2011-2015: Igreja a serviço da vida plena para todos (nn. 65-72)
“Para que TODOS tenham vida” (Jo 10,10).
CF 2008: “Escolhe, pois, a vida” (Dt 30,19).
CF 2012: “Que a saúde se difunda sobre a terra” (Eclo 38,8).

Irmãos no Episcopado,

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil jamais deixou de se manifestar como voz autorizada do episcopado brasileiro sobre temas em discussão na sociedade, especialmente para iluminá-la com a luz da fé em Jesus Cristo Ressuscitado, “Caminho, Verdade e Vida”.

Reafirmando a NOTA DA CNBB (P – 0706/08, de 21 de agosto de 2008) SOBRE ABORTO DE FETO “ANENCEFÁLICO” REFERENTE À ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL Nº 54 DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, a presidência solicita aos irmãos no episcopado:

Ø  Promoverem, em suas arqui/dioceses, uma VIGÍLIA DE ORAÇÃO PELA VIDA, às vésperas do julgamento pelos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre a possibilidade legal do “aborto de fetos com meroanencefalia (meros = parte), comumente denominados anencefálicos” (CNBB, nota P-0706/08).

Informa-se que a data do julgamento da ADPF Nº 54/2004 será DIA 11 DE ABRIL DE 2012, quarta feira da 1ª Semana da Páscoa, em sessão extraordinária, a partir das 09 horas.

Com renovada estima em Jesus Cristo, nosso Mestre Vencedor da morte, agradeço aos irmãos de ministério em favor dos mais frágeis e indefesos,


Cardeal Raymundo Damasceno Assis          Dom José Belisário da Silva          Leonardo Ulrich Steiner
      Arcebispo de Aparecida                               Arcebispo de São Luiz                Bispo Auxiliar de Brasília
          Presidente da CNBB                                 Vice Presidente da CNBB          Secretário Geral da CNBB
  
OS: Abaixo, na íntegra, a nota da CNBB (P – 0706/08), acima mencionada.


QUI, 21 DE AGOSTO DE 2008 09:54 POR: CNBB
P – Nº 0706/08
Nota da CNBB sobre Aborto de Feto “Anencefálico” Referente à Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental n. 54 do Supremo Tribunal Federal


O Conselho Episcopal Pastoral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB, em reunião ordinária, vem manifestar-se sobre a Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF n° 54/2004), em andamento no Supremo Tribunal Federal, que tem por objetivo legalizar o aborto de fetos com meroanencefalia (meros = parte), comumente denominados “anencefálicos”, que não têm em maior ou menor grau, as partes superiores do encéfalo e que erroneamente, têm sido interpretados como não possuindo todo o encéfalo, situação que seria totalmente incompatível com a vida, até mesmo pela incapacidade de respirar. Tais circunstâncias, todavia, não diminuem a dignidade da vida humana em gestação.

Recordamos que no dia 1° de agosto de 2008, no interior do Estado de São Paulo, faleceu, com um ano e oito meses, a menina Marcela de Jesus Galante Ferreira, diagnosticada com anencefalia. Quando Marcela ainda estava viva, sua pediatra afirmou: “a menina é muito ativa, distingue a sua mãe e chora quando não está em seus braços.” Marcela é um exemplo claro de que uma criança, mesmo com tão malformação, é um ser humano, e como tal, merecedor de atenção e respeito. Embora a Anencefalia esteja no rol das doenças congênitas letais, cursando com baixo tempo de vida, os fetos portadores destas afecções devem ter seus direitos respeitados.

Entendemos que os princípios da “inviolabilidade do direito à vida”, da “dignidade da pessoa humana” e da promoção do bem de todos, sem qualquer forma de discriminação, (cf. art. 5°, caput; 1°, III e 3°, IV, da Constituição Federal) referem-se também aos fetos anencefálicos. Quando a vida não é respeitada todos os outros direitos são menosprezados. Uma “sociedade livre, justa e solidária” (art. 3°, I, da Constituição Federal) não se constrói com violências contra doentes e indefesos. As pretensões de desqualificação da pessoa humana ferem sua dignidade intrínseca e inviolável.

A vida deve ser acolhida como dom e compromisso, mesmo que seu percurso natural seja, presumivelmente, breve. Há uma enorme diferença ética, moral e espiritual entre a morte natural e a morte provocada. Aplica-se aqui, o mandamento: “Não matarás” (Ex 20,13).

Todos têm direito à vida. Nenhuma legislação jamais poderá tornar lícito um ato que é intrinsecamente ilícito. Portanto, diante da ética que proíbe a eliminação de um ser humano inocente, não se pode aceitar exceções. Os fetos anencefálicos não são descartáveis. O aborto de feto com anencefalia é uma pena de morte decretada contra um ser humano frágil e indefeso.

A Igreja, seguindo a lei natural e fiel aos ensinamentos de Jesus Cristo, que veio “para que todos tenham vida e vida em abundância” (Jo 10,10), insistentemente, pede, que a vida seja respeitada e que se promovam políticas públicas voltadas para a eficaz prevenção dos males relativos à anencefalia e se dê o devido apoio às famílias que convivem com esta realidade.

Com toda convicção reafirmamos que a vida humana é sagrada e possui dignidade inviolável. Fazendo, ainda, ecoar a Palavra de Deus que serviu de lema para a Campanha da Fraternidade, deste ano, repetimos: “Escolhe, pois, a vida” (Dt 30,19).

Dom Geraldo Lyrio Rocha - Arcebispo de Mariana - Presidente da CNBB

Dom Luiz Soares Vieira Arcebispo de Manaus – Vice Presidente da CNBB
Dom Dimas Lara Barbosa - Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro - Secretário Geral da CNBB

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Bento XVI a todos os sacerdotes: um apelo à obediência

Pope Benedict XVI leads the Chrismal mass in Saint Peter's Basilica at the Vatican April 5, 2012.



HOMILIA DO PAPA BENTO XVI 

Quinta-feira Santa, 5 de Abril de 2012 



Amados irmãos e irmãs!

Nesta Santa Missa, o nosso pensamento volta àquela hora em que o Bispo, através da imposição das mãos e da oração consacratória, nos integrou no sacerdócio de Jesus Cristo, para sermos «consagrados na verdade» (Jo 17, 19), como Jesus pediu ao Pai na sua Oração Sacerdotal. Ele mesmo é a Verdade. Consagrou-nos, isto é, entregou-nos para sempre a Deus, a fim de que, a partir de Deus e em vista d’Ele, pudéssemos servir os homens. Mas somos também consagrados na realidade da nossa vida? Somos homens que actuam a partir de Deus e em comunhão com Jesus Cristo? Com esta pergunta, o Senhor está diante de nós, e nós diante d’Ele. «Quereis viver mais intimamente unidos a Cristo e configurar-vos com Ele, renunciando a vós mesmos e permanecendo fiéis aos compromissos que, por amor de Cristo e da sua Igreja, aceitastes alegremente no dia da vossa Ordenação Sacerdotal?» Tal é a pergunta que, depois desta homilia, será dirigida singularmente a cada um de vós e a mim mesmo. Nela, são pedidas sobretudo duas coisas: uma união íntima, mais ainda, uma configuração a Cristo e, condição necessária para isso mesmo, uma superação de nós mesmos, uma renúncia àquilo que é exclusivamente nosso, à tão falada auto-realização. É-nos pedido que não reivindique a minha vida para mim mesmo, mas a coloque à disposição de outrem: de Cristo. Que não pergunte: Que ganho eu com isso? Mas sim: Que posso eu doar a Ele e, por Ele, aos outros? Ou mais concretamente ainda: Como se deve realizar esta configuração a Cristo, que não domina mas serve, não toma mas dá. Como se deve realizar na situação tantas vezes dramática da Igreja de hoje? Recentemente, num país europeu, um grupo de sacerdotes publicou um apelo à desobediência, referindo ao mesmo tempo também exemplos concretos de como exprimir esta desobediência, que deveria ignorar até mesmo decisões definitivas do Magistério, como, por exemplo, na questão relativa à Ordenação das mulheres, a propósito da qual o beato Papa João Paulo II declarou de maneira irrevogável que a Igreja não recebeu, da parte do Senhor, qualquer autorização para o fazer. Será a desobediência um caminho para renovar a Igreja? Queremos dar crédito aos autores deste apelo quando dizem que é a solicitude pela Igreja que os move, quando afirmam estar convencidos de que se deve enfrentar a lentidão das Instituições com meios drásticos para abrir novos caminhos, para colocar a Igreja à altura dos tempos de hoje. Mas será verdadeiramente um caminho a desobediência? Nela pode-se intuir algo daquela configuração a Cristo que é o pressuposto para toda a verdadeira renovação, ou, pelo contrário, não é apenas um impulso desesperado de fazer qualquer coisa, de transformar a Igreja segundo os nossos desejos e as nossas ideias?

Mas o problema não é assim tão simples. Porventura Cristo não corrigiu as tradições humanas que ameaçavam sufocar a palavra e a vontade de Deus? É verdade que o fez, mas para despertar novamente a obediência à verdadeira vontade de Deus, à sua palavra sempre válida. O que Ele tinha a peito era precisamente a verdadeira obediência, contra o arbítrio do homem. E não esqueçamos que Ele era o Filho, com a singular autoridade e responsabilidade de desvendar a autêntica vontade de Deus, para deste modo abrir a estrada da palavra de Deus rumo ao mundo dos gentios. E, por fim, Ele concretizou o seu mandato através da sua própria obediência e humildade até à Cruz, tornando assim credível a sua missão. Não se faça a minha vontade, mas a tua: esta é a palavra que revela o Filho, a sua humildade e conjuntamente a sua divindade, e nos indica a estrada.

Deixemo-nos interpelar por mais uma questão: Não será que, com tais considerações, o que na realidade se defende é o imobilismo, a rigidez da tradição? Não! Quem observa a história do período pós-conciliar pode reconhecer a dinâmica da verdadeira renovação, que frequentemente assumiu formas inesperadas em movimentos cheios de vida e que tornam quase palpável a vivacidade inexaurível da santa Igreja, a presença e a acção eficaz do Espírito Santo. E se olharmos para as pessoas de quem dimanaram, e dimanam, estes rios pujantes de vida, vemos também que, para uma nova fecundidade, se requer o transbordar da alegria da fé, a radicalidade da obediência, a dinâmica da esperança e a força do amor.

Queridos amigos, daqui se vê claramente que a configuração a Cristo é o pressuposto e a base de toda a renovação. Mas talvez a figura de Cristo nos apareça por vezes demasiado alta e grande para podermos ousar tomar as suas medidas. O Senhor sabe-o. Por isso providenciou «traduções» em ordens de grandeza mais acessíveis e próximas de nós. Precisamente por este motivo, São Paulo resolutamente diz às suas comunidades: Imitai-me, mas eu pertenço a Cristo. Ele era para os seus fiéis uma «tradução» do estilo de vida de Cristo, que eles podiam ver e à qual podiam aderir. A partir de Paulo e ao longo de toda a história, existiram continuamente tais «traduções» do caminho de Jesus em figuras históricas vivas. Nós, sacerdotes, podemos pensar numa série imensa de sacerdotes santos que vão à nossa frente para nos apontar a estrada, a começar por Policarpo de Esmirna e Inácio de Antioquia, passando por grandes Pastores como Ambrósio, Agostinho e Gregório Magno, depois Inácio de Loiola, Carlos Borromeu, João Maria Vianney, até chegar aos sacerdotes mártires do século XX e, finalmente, ao Papa João Paulo II, que, na acção e no sofrimento, nos serviu de exemplo na configuração a Cristo, como «dom e mistério». Os Santos indicam-nos como funciona a renovação e como podemos servi-la. E fazem-nos compreender também que Deus não olha para os grandes números nem para os êxitos exteriores, mas consegue as suas vitórias sob o sinal humilde do grão de mostarda.

Queridos amigos, queria ainda, brevemente, acenar a duas palavras-chave da renovação das promessas sacerdotais, que deveriam induzir-nos a reflectir nesta hora da Igreja e da nossa vida pessoal. Em primeiro lugar, é-nos recordado o facto de sermos – como se exprime Paulo - «dispensadores dos mistérios de Deus» (1 Cor 4, 1) e que nos incumbe o ministério de ensinar, o (munus docendi), que constitui precisamente uma parte desta distribuição dos mistérios de Deus, onde Ele nos mostra o seu rosto e o seu coração, para Se dar a Si mesmo. No encontro dos Cardeais por ocasião do recente Consistório, diversos Pastores, baseando-se na sua experiência, falaram dum analfabetismo religioso que cresce no meio desta nossa sociedade tão inteligente. Os elementos fundamentais da fé, que no passado toda e qualquer criança sabia, são cada vez menos conhecidos. Mas, para se poder viver e amar a nossa fé, para se poder amar a Deus e, consequentemente, tornar-se capaz de O ouvir correctamente, devemos saber aquilo que Deus nos disse; a nossa razão e o nosso coração devem ser tocados pela sua palavra. O Ano da Fé, a comemoração da abertura do Concílio Vaticano II há 50 anos, deve ser uma ocasião para anunciarmos a mensagem da fé com novo zelo e nova alegria. Esta mensagem, na sua forma fundamental e primária, encontramo-la naturalmente na Sagrada Escritura, que não leremos nem meditaremos jamais suficientemente. Nisto, porém, todos sentimos necessidade de um auxílio para a transmitir rectamente no presente, de modo que toque verdadeiramente o nosso coração. Este auxílio encontramo-lo, em primeiro lugar, na palavra da Igreja docente: os textos do Concílio Vaticano II e o Catecismo da Igreja Católica são os instrumentos essenciais que nos indicam, de maneira autêntica, aquilo que a Igreja acredita a partir da Palavra de Deus. E naturalmente faz parte de tal auxílio todo o tesouro dos documentos que o Papa João Paulo II nos deu e que está ainda longe de ser cabalmente explorado.

Todo o nosso anúncio se deve confrontar com esta palavra de Jesus Cristo: «A minha doutrina não é minha» (Jo 7, 16). Não anunciamos teorias nem opiniões privadas, mas a fé da Igreja da qual somos servidores. Isto, porém, não deve naturalmente significar que eu não sustente esta doutrina com todo o meu ser e não esteja firmemente ancorado nela. Neste contexto, sempre me vem à mente o seguinte texto de Santo Agostinho: Que há de mais meu do que eu próprio? E no entanto que há de menos meu do que o sou eu mesmo? Não me pertenço a mim próprio e torno-me eu mesmo precisamente pelo facto de me ultrapassar a mim próprio e é através da superação de mim próprio que consigo inserir-me em Cristo e no seu Corpo que é a Igreja. Se não nos anunciamos a nós mesmos e se, intimamente, nos tornamos um só com Aquele que nos chamou para sermos seus mensageiros de tal modo que sejamos plasmados pela fé e a vivamos, então a nossa pregação será credível. Não faço publicidade de mim mesmo, mas dou-me a mim mesmo. Como sabemos, o Cura d’Ars não era um erudito, um intelectual. Mas, com o seu anúncio, tocou os corações das pessoas, porque ele mesmo fora tocado no coração.

A última palavra-chave, a que ainda queria aludir, designa-se zelo das almas (animarum zelus). É uma expressão fora de moda, que hoje já quase não se usa. Nalguns ambientes, o termo «alma» é até considerado como palavra proibida, porque – diz-se – exprimiria um dualismo entre corpo e alma, cometendo o erro de dividir o homem. Certamente o homem é uma unidade, destinada com corpo e alma à eternidade. Mas isso não pode significar que já não temos uma alma, um princípio constitutivo que garante a unidade do homem durante a sua vida e para além da sua morte terrena. E, enquanto sacerdotes, preocupamo-nos naturalmente com o homem inteiro, incluindo precisamente as suas necessidades físicas: com os famintos, os doentes, os sem-abrigo; contudo, não nos preocupamos apenas com o corpo, mas também com as necessidades da alma do homem: com as pessoas que sofrem devido à violação do direito ou por um amor desfeito; com as pessoas que, relativamente à verdade, se encontram na escuridão; que sofrem por falta de verdade e de amor. Preocupamo-nos com a salvação dos homens em corpo e alma. E, enquanto sacerdotes de Jesus Cristo, fazemo-lo com zelo. As pessoas não devem jamais ter a sensação de que o nosso horário de trabalho cumprimo-lo conscienciosamente, mas antes e depois pertencemo-nos apenas a nós mesmos. Um sacerdote nunca se pertence a si mesmo. As pessoas devem notar o nosso zelo, através do qual testemunhamos de modo credível o Evangelho de Jesus Cristo. Peçamos ao Senhor que nos encha com a alegria da sua mensagem, a fim de podermos servir, com jubiloso zelo, a sua verdade e o seu amor. Amen.

Libreria Editrice Vaticana

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Patriarca de Venecia: es la comunión con el obispo de Roma la que garantiza la colegialidad episcopal



Un gran inicio el del nuevo Patriarca de Venecia, Mons. Francesco Moraglia, hasta ahora obispo de La Spezia, que el pasado domingo 25 de marzo se ha convertido en el 47º sucesor de San Lorenzo Giustiniani. Su homilía en San Marcos merece una particular atención y promete mucho de bueno. La noticia es importante dado el peso específico de este sede episcopal dentro del gobierno de la Iglesia Católica.

El llamado a la comunión con el Papa, la necesidad de volver a centrarse en la fe y en el anuncio, la insistencia en la tensión misionera, la denuncia de los torpes intentos de los teólogos de querer guiar a la Iglesia, el anuncio del realismo cristiano que parte de Cristo y no del hombre, y finalmente la invitación no a un genérico diálogo sino a un “testimonio dialógico”, dicen ya muchas cosas positivas de la línea indicada a las iglesias del noreste por el nuevo Patriarca, y no sólo a ellas. Decía de la comunión con el Papa. El Patriarca ha sido muy claro al respecto: citando a San Cipriano, dijo que el obispo “en el nombre de Cristo guía a la comunidad eclesial”, él vive en comunión con los otros obispos “pero finalmente es la comunión con el obispo de Roma la que garantiza la misma colegialidad episcopal”. En un momento en que hay cardenales que se separan de la enseñanza de Benedicto XVI y amplios sectores de las iglesias de Europa central presionan para una iglesia más sinodal y efectiva, se trata de una afirmación de una cierta importancia.

Pero la parte más interesante de la homilía ha sido cuando el Patriarca habló del próximo Congreso del Véneto Aquileia2 que se realizará del 13 al 15 de abril. En 1992, el entonces Patriarca Cè había querido Aquileia1 que, sin embargo, no produjo muchos frutos si ahora los datos del Observatorio socio-religioso del Trivéneto señala una creciente secularización en estas tierras. Aquileia2 ha tenido una preparación de dos años, pero parece haber estado en manos de los pastoralistas y de la Facultad teológica del Trivéneto, e incluso dentro del episcopado no todos están de acuerdo con el enfoque adoptado. La Iglesia debe aprender del mundo, debe darse una estructura sinodal consultiva periódica, debe regenerarse desde abajo, necesita hacer hablar a los laicos y a las mujeres, se necesitan gestos proféticos para el bien común… estas son algunas de las líneas surgidas en la fase preparatoria de Aquileia2, con las cuales, sin embargo, el nuevo Patriarca parece haber cortado.

“El empeño común – ha dicho – es volver a centrar la vida de nuestras Iglesias teniendo como objetivo el anuncio de Cristo”. “La nueva evangelización – prosiguió -, para ser realmente tal, supone que la comunidad evangelizadora sea, en primer lugar, regenerada en la propia relación vital con Cristo; todo camino de evangelización no tiene comienzo con la elaboración de planes pastorales o proyectos académicos de las facultades, y tampoco a través de una deseable cobertura del territorio por parte de los medios. Ciertamente estos instrumentos, según su competencia, concurren de modo excelente a la obra evangelizadora, pero no constituyen aún el fundamento de la evangelización”. Esta indicación del peligro de confundir lo instrumental con lo esencial vuelve en una sucesiva y notable acentuación: “Son, de hecho, los discípulos, entendidos personal y comunitariamente, que están antes que las oficinas pastorales, antes que las facultades teológicas, antes que la red mediática; sólo en un segundo momento tales instrumentos se vuelven preciosos… Antes que todo, sin embargo, está la comunidad testigo que de ningún modo puede ser reemplazada o dada por supuesta”. El mensaje es muy claro: no será con las investigaciones sociológicas o siguiendo las nuevas costumbres sociales, no será con las a menudo complicadas elaboraciones de los expertos que las comunidades cristianas responderán a la evangelización del Véneto.

Deteniéndose luego en el pasaje evangélico de los discípulos de Emaús, el Patriarca recordó su pretensión de explicar a Jesús, a quien no habían reconocido como tal, los acontecimientos de los días precedentes. Aguda observación de Mons. Moraglia: “Parece entreverse, en este torpe intento, la imagen de cierta teología, más voluntariosa que iluminada, toda dedicada a la ardua e improbable empresa de salvar, a través de las propias categorías, a Jesucristo y su Palabra. Pero en esta imagen estamos representados también nosotros cada vez que, con nuestros planes pastorales, con nuestros proyectos, congresos y debates, separados de una fe verdadera, pretendemos explicar a Jesucristo quién es Él. Cuando la fe se ha perdido, o no es ya capaz de sostener y fecundar la vida de los discípulos, entonces todo discurso teológico, todo plan pastoral o cobertura mediática, aparecen insuficientes. Y nos encontramos en la misma condición de los dos discípulos de Emaús, incapaces de ir más allá de sus lógicas, sus estados de ánimo, descubriéndose prisioneros de sus miedos. Tengamos en cuenta todo esto en vísperas de Aquileia2 y del incipiente Año de la Fe”. En vistas de Aquileia2 se han hecho muchas reuniones de comisiones y congresos. El programa de congresos está en ciertos casos sustituyendo la falta de fe y en las diócesis los razonamientos humanos y una ingenua pastoral de la acogida de las situaciones de hecho está haciendo perder de vista la centralidad de Cristo.

Las conclusiones de la homilía del Patriarca han presentado luego el “realismo cristiano” que “partiendo de Jesucristo retorna a Jesucristo después de haber encontrado y atravesado, en todo su espesor y diversos grados, la creaturalidad del hombre. No se parte de la centralidad del hombre, como a menudo se oye decir después del “giro antropológico”, sino de la centralidad de Dios. La Iglesia debe “crecer en la conciencia de la fe para educarse y para ponerse, sin arrogancia pero también sin temores o complejos de inferioridad, en un testimonio dialógico con las culturas dominantes”. También esta expresión del “testimonio dialógico” es rica de significado. El diálogo en el post-Concilio ha sustituido con frecuencia al anuncio, mientras que el Magisterio siempre ha sostenido que en el diálogo debe estar siempre presente el anuncio. El Patriarca Moraglia parece compartir también este punto de vista: en el testimonio dialógico, el sustantivo es el testimonio y el diálogo es el instrumento y no su fin. Esta nuevo Patriarca promete y será necesario seguirlo con atención.

L’Occidentale
La Buhardilla de Jerónimo

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