quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

TE DEUM


Colocamos a disposição dos nossos leitores o Te Deum, hino de ação de graças cantado tradicionalmente no último dia do ano pelos benefícios recebidos no ano que termina.

Oferecemos a partitura gregoriana, a partitura moderna e o mp3 do “Te Deum“ . Além disso, propomos a utilíssima interpretação da Schola Gregoriana Mediolanensis e algumas orações e cânticos para a Adoração e Benção do Santíssimo Sacramento



segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Família, ícone de Deus, tem a missão de procriar, recordou o Papa neste Domingo, salientando que os filhos não são propriedade dos pais



(27/12/2009) Ocorre neste domingo a festa da Sagrada Família e a ela Bento XVI dedicou as suas reflexões antes da recitação da oração mariana do Angelus do meio dia, juntamente com os milhares de pessoas congregadas na Praça de S. Pedro.

“Deus quis revelar-se nascendo numa família humana, e portanto a família humana tornou-se ícone de Deus! – salientou o Papa. Deus é Trindade, é comunhão de amor, e a família é a sua primeira e imediata expressão. O homem e a mulher, criados á imagem de Deus,,no matrimónio tornam-se numa única carne, isto é uma comunhão de amor que gera nova vida. A família humana é portanto ícone da Trindade tanto pelo amor interpessoal, como pela fecundidade do amor”

O Santo Padre falou também da importância da educação cristã, começando por salientar que a família cristã está consciente de que os filhos são dom e projecto de Deus. Portanto não os pode considerar com uma posse própria, mas servindo neles o desenho de amor do Pai é chamada a educá-los á liberdade maior que é precisamente aquela de dizer “sim” a Deus para fazer a sua vontade.

Deste “sim” a Virgem Maria é o exemplo perfeito. A ela confiamos todas as famílias, rezando em particular pela sua preciosa missão educativa, disse o Papa .

Falando depois em língua espanhola Bento XVI saudou os pastores e fieis congregados em Madrid para celebrar a Sagrada Família de Nazaré e recordou o significado verdadeiro desta festa.

“Deus, vindo ao mundo no seio de uma família manifesta que esta instituição é caminho seguro para o encontrar e conhecer, assim como um apelo permanente a trabalhar pela unidade de todos á volta do amor. Daí que um dos maiores serviços que nós cristãos podemos prestar aos nossos semelhantes – salientou o Papa - é oferecer-lhes o nosso testemunho sereno e firme da família fundada no matrimónio entre um homem e uma mulher, salvaguardando-a e promovendo-a pois ela é de suma importância para o presente e o futuro da humanidade. Efectivamente a família é melhor escola onde se aprende a viver aqueles valores que dignificam a pessoa e fazem grandes os povos. Peço a Deus – disse depois o Santo Padre – que nos vossos lares se respire sempre o amor de total entrega e fidelidade que Jesus trouxe ao mundo com o seu nascimento, alimentando-o e fortalecendo-o com a oração diária, a pratica constante das virtudes, a compreensão recíproca e o mutuo respeito


sábado, 26 de dezembro de 2009

MENSAGEM URBI ET ORBI DE BENTO XVI


Queridos irmãos e irmãs de Roma e do mundo inteiro,
e vós todos, homens e mulheres amados pelo Senhor!

«Lux fulgebit hodie super nos,
quia natus est nobis Dominus.
Hoje sobre nós resplandecerá uma luz
porque nasceu para nós o Senhor»
(Missal Romano: Antífona de Entrada, da Missa da Aurora no Natal do Senhor).

A liturgia da Missa da Aurora lembrou-nos que a noite já passou, o dia vai alto; a luz que procede da gruta de Belém resplandece sobre nós.

Todavia a Bíblia e a Liturgia não nos falam da luz natural, mas de uma luz diferente, especial, de algum modo apontada e orientada para um «nós», o mesmo «nós» para quem o Menino de Belém «nasceu». Este «nós» é a Igreja, a grande família universal dos que acreditam em Cristo, que aguardaram com esperança o novo nascimento do Salvador e hoje celebram no mistério a perene atualidade deste acontecimento.

No princípio, ao redor da manjedoura de Belém, aquele «nós» era quase invisível aos olhos dos homens. Como nos diz o Evangelho de São Lucas, englobava, para além de Maria e José, poucos e humildes pastores que acorreram à gruta avisados pelos Anjos. A luz do primeiro Natal foi como um fogo aceso na noite. À volta tudo estava escuro, enquanto na gruta resplandecia a luz verdadeira «que ilumina todo o homem» (Jo 1, 9). E no entanto tudo acontece na simplicidade e no escondimento, segundo o estilo com que Deus age em toda a história da salvação. Deus ama acender luzes circunscritas, para iluminarem depois ao longe e amplamente. A Verdade, como o Amor, que são o seu conteúdo, se acendem onde a luz é acolhida, difundindo-se depois em círculos concêntricos, quase por contato, nos corações e mentes de quantos, abrindo-se livremente ao seu esplendor, se tornam por sua vez fontes de luz. É a história da Igreja que inicia o seu caminho na pobre gruta de Belém e, através dos séculos, se torna Povo e fonte de luz para a humanidade. Também hoje, por meio daqueles que vão ao encontro do Menino, Deus ainda acende fogueiras na noite do mundo para chamar os homens a reconhecerem em Jesus o «sinal» da sua presença salvífica e libertadora e estender o «nós» dos crentes em Cristo à toda humanidade.

Onde quer que haja um «nós» que acolhe o amor de Deus, aí resplandece a luz de Cristo, mesmo nas situações mais difíceis. A Igreja, como a Virgem Maria, oferece ao mundo Jesus, o Filho, que Ela própria recebeu como dom e que veio para libertar o homem da escravidão do pecado. Como Maria, a Igreja não tem medo, porque aquele Menino é a sua força. Mas, não O guarda para si: O oferece a quantos O procuram de coração sincero, aos humildes da terra e aos aflitos, às vítimas da violência, a quantos suspiram pelo bem da paz. Também hoje, à família humana profundamente marcada por uma grave crise, certamente econômica mas antes ainda moral, e por dolorosas feridas de guerras e conflitos, a Igreja, com o estilo da partilha e da fidelidade ao homem, repete com os pastores: «Vamos até Belém» (Lc 2, 15), lá encontraremos a nossa esperança.

O «nós» da Igreja vive lá onde Jesus nasceu, na Terra Santa, para convidar os seus habitantes a abandonarem toda a lógica de violência e vingança e a se comprometerem com renovado vigor e generosidade no caminho para uma convivência pacífica. O «nós» da Igreja está presente em outros países do Oriente Médio. Como não pensar na atribulada situação do Iraque e no «pequenino rebanho» de cristãos que vive na Região? Às vezes sofre violências e injustiças, mas está sempre disposto a oferecer a sua própria contribuição para a edificação da convivência civil contrária à lógica do conflito e rejeição do vizinho. O «nós» da Igreja atua no Sri Lanka, na Península Coreana e nas Filipinas, e ainda noutras terras asiáticas, como fermento de reconciliação e de paz. No continente africano, não cessa de erguer a voz até Deus para implorar o fim de toda a prepotência na República Democrática do Congo; convida os cidadãos da Guiné e do Níger ao respeito dos direitos de cada pessoa e ao diálogo; aos de Madagáscar pede para superarem as divisões internas e se acolherem reciprocamente; a todos lembra que são chamados à esperança, não obstante os dramas, provações e dificuldades que continuam a afligi-los.

Na Europa e na América do Norte, o «nós» da Igreja incita a superar a mentalidade egoísta e tecnicista, a promover o bem comum e a respeitar as pessoas mais débeis, a começar por aquelas que ainda estão por nascer. Em Honduras, ajuda a retomar o caminho institucional; em toda a América Latina, o «nós» da Igreja é fator de identidade, plenitude de verdade e caridade que nenhuma ideologia pode substituir, apelo ao respeito dos direitos inalienáveis de cada pessoa e ao seu desenvolvimento integral, anúncio de justiça e fraternidade, fonte de unidade.

Fiel ao mandato do seu Fundador, a Igreja é solidária com aqueles que são atingidos pelas calamidades naturais e pela pobreza, mesmo nas sociedades opulentas. Frente ao êxodo de quantos emigram da sua terra e são arremessados para longe pela fome, a intolerância ou a degradação ambiental, a Igreja é uma presença que chama ao acolhimento. Numa palavra, a Igreja anuncia por toda a parte o Evangelho de Cristo, apesar das perseguições, das discriminações, dos ataques e da indiferença, por vezes hostil, mas que lhe permitem partilhar a sorte do seu Mestre e Senhor.

Queridos irmãos e irmãs, que grande dom é fazer parte de uma comunhão que é para todos! É a comunhão da Santíssima Trindade, de cujo seio desceu ao mundo o Emanuel, Jesus, Deus-connosco. Como os pastores de Belém, contemplamos cheios de maravilha e gratidão este mistério de amor e de luz! Boas-festas de Natal a todos!


Fonte: Radio Vaticano

DOMINGO DENTRO DA OITAVA DO NATAL (27 de Dezembro)



quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

NATAL DE NOSSO SENHOR JESUS CRISTO



FOLHETO COM O PRÓPRIO DA SANTA MISSA NA FORMA EXTRAORDINÁRIA DO RITO ROMANO OU RITO GREGORIANO (LATIM/PORTUGUÊS):


Natal em Roma. O presépio relatado por Bento XVI



As origens e o significado da festa. A genialidade de São Francisco. Assim o Papa explicou o Mistério do Natal aos peregrinos que chegaram de todo o mundo


Caros irmãos e irmãs,


Com a Novena de Natal, que celebramos nestes dias, a Igreja nos convida a viver de modo intenso e profundo a preparação para o Nascimento do Salvador, que já está iminente. O desejo, que todos portamos em nossos corações, é de que a próxima festa do Natal nos dê, em meio à atividade frenética dos dias de hoje, o presente sereno e profundo de tocarmos a bondade de nosso Deus com as mãos, infundindo-nos nova coragem.

Para melhor compreendermos o significado do Natal do Senhor, gostaria de fazer uma breve referência à origem histórica desta solenidade. De fato, o Ano litúrgico da Igreja não se desenvolveu inicialmente a partir do evento do nascimento de Cristo, mas sim da fé em sua Ressurreição. Portanto, a festa mais antiga da cristandade não é o Natal, mas a Páscoa; a ressurreição de Cristo fundou a fé cristã, e está na base do anúncio do Evangelho e do nascimento da Igreja. Por isso, ser cristão significa viver de maneira pascoal, fazendo-nos arrastar pelo dinamismo originado do Batismo, e que leva a morrer para o pecado para viver com Deus (cfr Rm 6,4).

O primeiro a afirmar com clareza que Jesus teria nascido em 25 de dezembro foi Hipólito de Roma, em seu comentário ao Livro do profeta Daniel, escrito por volta de 204. Algum exegeta observa, depois, que nesse dia era celebrada a festa à Dedicação ao Templo de Jerusalém, instituída por Judas Macabeu em 164 a.C. A coincidência de datas vem então significar que, com Jesus, surgido como Luz de Deus em meio à noite, realiza-se verdadeiramente a consagração ao templo, o Advento de Deus sobre esta terra.

Na cristandade, a festa do Natal assumiu uma forma definida no século IV, quando toma então o lugar da antiga festa romana do “Sol Invictus”, o sol invencível; coloca-se assim em evidência que o nascimento de Cristo constitui a vitória da verdadeira luz sobre a escuridão do mal e do pecado. Todavia, a atmosfera intensa e particular que envolve o Natal veio a desenvolver-se na Idade Média, graças a São Francisco de Assis, o qual era profundamente apaixonado pela figura humana de Jesus, o Deus-conosco.

Seu primeiro biógrafo, Tomás de Celano, nos conta que São Francisco “acima de todas as outras solenidades, celebrava com inefável zelo o Natal do Menino Jesus, chamando de a festa das festas aquele dia em que Deus, feito um bebê, mamou em seios humanos” (Fonti Francescane, n. 199, p. 492).

Foi dessa devoção particular ao mistério da Encarnação é que se originou a famosa celebração do Natal em Greccio.

Esta, provavelmente, foi inspirada por São Francisco, em sua peregrinação na Terra Santa, e pelo presépio de Santa Maria Maior, em Roma. O que animava o Pobrezinho de Assis era o desejo de experimentar de maneira concreta, viva e atual, a humilde grandeza do evento do nascimento do Menino Jesus, e de comunicá-lo a todos.

Na primeira biografia, Tomás de Celano fala da noite de Natal em Greccio de modo vívido e comovente, contribuindo decisivamente para propagar a mais bela tradição natalina, a do presépio. A noite de Greccio, de fato, deixou para a cristandade toda a intensidade e beleza da festa de Natal, e educou o povo de Deus para que compreendesse sua mensagem mais autêntica, seu calor único, e a amar e adorar a humanidade de Cristo.

Esta abordagem particular ao Natal conferiu à fé cristã uma nova dimensão. Na Páscoa, as atenções se concentravam sobre a potência de Deus que vence a morte, inaugura a vida nova e nos ensina a esperar pela vida que virá. Com São Francisco e seu presépio, evidencia-se o amor desarmado de Deus, sua humildade e bondade, que na Encarnação do Verbo se manifesta aos homens, ensinando-os um novo modo de viver e amar.

Celano nos conta que, naquela noite de Natal, foi concedida a São Francisco a graça de uma visão maravilhosa. Viu dormindo imóvel na manjedoura um pequeno menino, que despertou de seu sono com sua aproximação. E acrescenta: “nem mesmo essa visão discordava dos fatos, porque, por meio de Sua Graça que agia através de seu santo servo Francisco, o menino Jesus foi ressucitado no coração de muitos que o haviam esquecido”. (Vita prima, op. cit., n. 86, p. 307).

Este quadro descreve com grande precisão, como a fé viva e o amor de São Francisco pela humanidade de Cristo transmitiram à fé cristã do Natal: a descoberta de que Deus se revela nos ternos braços do Menino Jesus. Graças a São Francisco, o povo cristão pôde perceber que, no Natal, Deus se tornou verdadeiramente Emanuel, o Deus-conosco, do qual nenhuma barreira nem nenhuma distância pode nos separar. Naquele Menino, Deus passou a estar tão próximo de cada um de nós, que podemos nos referir a Ele por você, cultivando com Ele uma relação íntima de profundo afeto, como faríamos com um recém-nascido.

Naquele Menino, de fato, se manifesta Deus-Amor: Deus vem sem armas, sem a força, porque não pretende conquistar, por assim dizer, a partir do externo, mas deseja ao contrário ser acolhido pelo homem livremente; Deus se faz um Menino indefeso a fim de vencer a soberba, a violência, o ímpeto de possuir do homem. Em Jesus, Deus assumiu essa condição pobre e desarmada para nos vencer pelo amor, conduzindo-nos à nossa verdadeira identidade. Não devemos esquecer que o maior dos títulos de Jesus Cristo é justamente o de “Filho”, Filho de Deus; a dignidade divina é indicada por essa terminação, que prolonga a referência à sua humilde condição na manjedoura de Belém, enquanto corresponde de maneira única à sua divindade, que é a divindade de “Filho”.

Sua condição de Menino nos indica, ainda, como podemos encontrar a Deus e desfrutar de Sua presença. É à luz do Natal que podemos compreender as palavras de Jesus: “Em verdade vos digo, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, não entrareis no Reino dos Céus”. (Mt 18,3)

Aquele que ainda não compreendeu o mistério do Natal, não compreendeu o elemento decisivo da existência cristã. Quem não acolhe Jesus com coração de criança, não pode entrar no reino dos céus: é isso que Francisco queria lembrar à cristandade de seu tempo e à de todos os tempos, também de hoje.

Oremos ao Pai para que conceda aos nossos corações aquela simplicidade que reconhece no Menino o Senhor, como fez Francisco em Greccio.

Assim poderá ocorrer também a nós o que Tommaso da Celano nos conta – referindo-se à experiência dos pastores na Noite Santa (cfr Lc 2,20) – sobre aqueles que haviam comparecido ao evento em Greccio: “e cada um retornou à sua casa, pleno de uma inefável alegria” (Vita prima, op. cit., n. 86, p. 479).

É o que desejo com afeto a todos vós, vossas famílias e entes queridos. Bom Natal a todos vós!

©Libreria Editrice Vaticana

Tradução: Zenit

FELIX NATIVITAS - FELIZ NATAL - BUON NATALE - HAPPY CHRISTMAS - HEUREUX NOËL - FELIZ NAVIDAD - FROHE WEIHNACHTEN


ANÚNCIO DO NASCIMENTO DO SALVADOR

KALENDA EM LATIM E PORTUGUÊS


quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

As mudanças na liturgia introduzidas por Bento XVI



Entrevista com Dom Mauro Gagliardi, consultor do Ofício de Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice


CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 21 de dezembro de 2009 (ZENIT.org).– Falamos com Dom Mauro Gagliardi, professor ordinário da Faculdade de Teologia do Ateneu Pontifício “Regina Apostolorum” de Roma, consultor do Ofício de Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice e responsável pela seção de teologia litúrgica “Espírito da Liturgia”, publicada quinzenalmente pela ZENIT.

- Ao ler o artigo de Luigi Accattoli, “O rito do silêncio segundo o Papa Ratzinger” (Liberal, 1° de dezembro, 2009, p. 10), fica evidente a ideia de um certo esforço, solicitado pelo próprio Papa, para tornar a liturgia papal mais alinhada à tradição. Como nos aproximamos do tempo das celebrações solenes das festas natalinas, que serão presididas em São Pedro por Bento XVI, gostaríamos de aproveitar a ocasião para falar destas alterações.

- Gagliardi: O artigo de Accattoli apresenta um panorama geral das alterações mais visíveis em matéria de liturgia pontifícia, embora haja outras, que talvez não tenham sido mencionadas por razões de espaço, ou porque são de compreensão mais difícil por parte do público em geral. Como enfatiza esse estimado vaticanista, tais alterações são iniciativa do próprio Santo Padre, o qual, como se sabe, é especialista em liturgia.

- Accattoli inicia seu artigo mencionando as vestes papais que caíram em desuso nas últimas décadas: o camauro, o saturno vermelho, a mozeta. Menciona também as mudanças referentes ao pálio.

- Gagliardi: Trata-se de elementos das vestes próprias do Pontífice, como também a cor vermelha dos calçados, não mencionada explicitamente pelo autor. Se é verdade que nas últimas décadas os Sumos Pontífices têm optado por não fazer uso destes itens, também é verdade que jamais foram abolidos, e portanto qualquer Papa os pode usar. Não se pode esquecer que, assim como a maior parte dos demais elementos visíveis na liturgia, também as vestes de uso extra-litúrgico atendem a necessidades práticas e simbólicas. Lembro-me que quando o Papa Bento XVI usou pela primeira vez o camauro, um gorro de inverno eficaz contra o frio, um jornal italiano publicou uma foto do sorridente Santo Padre, portando sobre a cabeça o camauro, com a legenda “e fez muito bem!”, referindo-se ao fato de que o Papa também tem o direito de se proteger do frio. Mas as razões para usá-lo não são apenas práticas. Não podemos nos esquecer quem é e qual é o papel da pessoa que faz uso dessas vestes: por isso, elas têm também um significado simbólico, que é expresso por meio de sua beleza e sua aparência magnânima.

Ao contrário, o pálio é um indumento litúrgico. João Paulo II usava um igual aos usados pelos metropolitas. No início do pontificado de Bento XVI, havia sido preparado um de feitio diferente, que retomava estilos antigos e que foi usado pelo Santo Padre por algum tempo.

Na sequência de um estudo meticuloso, percebeu-se que seria mais adequado voltar à forma utilizada por João Paulo II, ainda que com pequenas modificações que destacassem as diferenças do pálio usado pelos metropolitas daquele usado pelo Papa.

- O que pode ser dito da férula papal escolhida por Bento XVI em substituição ao crucifixo confeccionado por Scorzelli, utilizado por Paulo VI, João Paulo I e II e pelo próprio Bento XVI no início de seu pontificado?

- Gagliardi: Pode-se dizer que também aqui vale o mesmo princípio. Pode-se mencionar uma razão prática: a férula utilizada atualmente por Bento XVI pesa 590 gramas a menos que o crucifixo de Scorzelli, o que não é pouco. Além disso, em termos históricos, a férula em forma de cruz corresponde mais fielmente àquela típica da tradição romana, que sempre foi em formato de cruz e desprovida de crucifixo. Podemos, finalmente, mencionar razões de caráter simbólico e estético.

- Accattoli também cita outras mudanças, que podemos definir com mais substância: os cuidados nos momentos de silêncio, a celebração voltada para o crucifixo, e a comunhão, administrada sobre a língua aos fies de joelhos.

- Gagliardi: Estes são elementos de significado profundo, que obviamente não pode ser analisado aqui em detalhes. O Institutio Generalis do Missal Romano publicado por Paulo VI estabelece preocupações que devem ser observadas durante o sacro silêncio. A atenção dada a esse aspecto na liturgia papal, portanto, não faz mais do que colocar em prática as normas estabelecidas.

Com relação à celebração voltada para o crucifixo, vemos que por norma o Santo Padre mantém o posicionamento ao altar chamado de “voltado para o povo”. Apenas em poucas ocasiões celebrou voltado para o crucifixo. Como toda celebração da Missa, qualquer que seja a posição física do celebrante, é voltada para o Pai através de Cristo no Espírito Santo e nunca voltada “para o povo”, não admira que quem celebre a Eucaristia possa estar voltado também fisicamente “em direção ao Senhor”.

No que diz respeito, finalmente, ao modo de distribuir a Santa Comunhão aos fiéis, é preciso distinguir o aspecto de recebê-la sobre a língua daquele de recebê-la de joelhos. Na atual forma ordinária do Rito Romano (ou Missal de Paulo VI), os fiéis têm o direito de receber a Comunhão tanto de pé quanto de joelhos. Se o Santo Padre estabeleceu conferi-la de joelhos, penso – obviamente esta é apenas minha opinião pessoal – que ele considere esta posição mais adequada para expressar o sentimento de adoração que devemos sempre cultivar ao receber o dom da Eucaristia.

Na Sacramentum Caritatis, citando Santo Agostinho, o Papa lembrou que, ao receber o Pão Eucarístico, devemos adorá-lo, porque não adorando incorreríamos em pecado. Antes de distribuir a Comunhão, o próprio sacerdote realiza a genuflexão diante da Hóstia; porque não ajudar os fiéis a cultivar esse sentimento de adoração por meio do mesmo gesto?

No que diz respeito a receber a Comunhão sobre a mão, deve-se lembrar que essa prática é hoje possível em muitos lugares (possível, mas não obrigatória), mas permanece uma concessão, uma vez que a norma ordinária estabelece que a Comunhão é recebida somente sobre a língua.

Esta concessão foi feita às Conferências Episcopais que a requisitaram, e não partiu da Santa Sé promovê-la. Portanto, nenhum bispo membro de uma Conferência Episcopal que tenha requisitado e obtido essa licença está obrigado a aplicá-la em sua diocese; cada bispo tem liberdade para decidir aplicar a norma universal, que permanece vigente apesar de todas as licenças concedidas, e que estabelece que os fiéis devem receber a Santa Comunhão sobre a língua.
Assim, é importante que o próprio Santo Padre mantenha a regra tradicional, confirmada mais uma vez por Paulo VI, que proíbe os fiéis de receberem a comunhão sobre a mão.

- Em conclusão, qual sentido vê nas novidades introduzidas na liturgia papal no pontificado de Bento XVI?

- Gagliardi: Naturalmente, posso apenas expressar minhas opiniões pessoais, que não representam oficialmente a posição do Ofício de Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice. Me parece que o que se está tentando fazer é conciliar sabiamente coisas novas com coisas antigas, seguindo, ao máximo possível, as indicações do Vaticano II, e de agir de modo que as celebrações pontifícias sejam exemplares em todos os aspectos. Quem participa da liturgia papal deve poder dizer “é assim que se faz! É assim que devemos fazer em nossas dioceses e paróquias!”


Gostaria, ainda, de destacar que estas novidades não foram introduzidas de modo autoritário. Pode-se notar que foram frequentemente explicadas, por exemplo, na série de entrevistas concedidas pelo mestre de celebrações litúrgicas do sumo pontífice aoL’Osservatore Romano e outros veículos de comunicação. Também nós, consultores, publicamos, de tempos em tempos, artigos sobre o cotidiano da Santa Sé, a fim de explicar o significado histórico e teológico das decisões tomadas. Para usar uma palavra que está na moda, diria que há um modo “democrático” de proceder, significando com isso não que as decisões sejam tomadas em função da maioria, mas no sentido de que sempre se busca fazer compreender os motivos profundos que levaram às mudanças, os quais são sempre de caráter histórico, teológico ou litúrgico, e nunca meramente estético ou muito menos ideológico. Pode-se dizer que há um esforço permanente de tornar clara a ratio legis, e isso também representa uma “novidade” importante.


Fonte: Zenit

Veni Veni Emmanuel: Hino de Advento inspirado nas Antifonas "O"







Giovanni Vianini nos mostra a partitura (que encontramos também aqui), ajudando a entender bem a melodia:







Véni, véni, Emmánuël;
Captívum sólve Israël,
Qui gémit in exílio
Privátus Déi Fílio.
Gáude! Gáude! Emmánuël,
Nascétur pro te, Israël!


Véni, véni, O Oriens;
Soláre nos advéniens;
Noctis depélle nébulas,
Dirásque noctis ténebras.
Gáude! Gáude! Emmánuël,
Nascétur pro te, Israël!


Véni, O Jesse Virgula;
Ex hostis tuos úngula,
De specu tuos tártari
Educ, et antro bárathri.
Gáude! Gáude! Emmánuël,
Nascétur pro te, Israël!


Véni, Clávis Davídica!
Régna reclúde caélica;
Fac íter tútum súperum,
Et cláude vías ínferum.
Gáude! Gáude! Emmánuël,
Nascétur pro te, Israël!


Véni, Véni, Adónai!
Qui pópulo in Sínai,
Légem dedísti vértice,
In majestáte glóriae.
Gáude! Gáude! Emmánuël,
Nascétur pro te, Israël!

Fonte: Cantuale Antonianum