Rezemos todos por este evento histórico que vai na linha da aplicação na Terra da Santa Cruz da hermenêutica da continuidade tão defendida pelo Papa Bento XVI.
La ley de Libertad Religiosa revisará el Concordato, quitará crucifijos y respetará el velo
El Gobierno ya tiene redactada la nueva Ley de Libertad Religiosa. Sólo busca el “momento oportuno” para aprobarla. Caamaño ha avanzado que el crucifijo no tendrá lugar en lo público y defiende que el velo “lo porta una persona”. Revisarán el Concordato con el Vaticano.
JAVIER LOZANO
La nueva ley de Libertad Religiosa que tiene ultimada el Ejecutivo tiene dos nombres propios: María Teresa Fernández de la Vega y Francisco Caamaño. Ambos han sido los responsables de elaborar esta normativa que estaba siendo exigida por los sectores más laicistas del Partido Socialista desde la campaña electoral de 2008.
Una vez conocidos los primeros datos, la ley apunta a un acorralamiento de lo católico y el reconocimiento a otras religiones como la musulmana. Laicismo, pero a la carta. Ese es el fin que busca el Gobierno.
De hecho, el anteproyecto está ya aprobado y el Ejecutivo busca sólo el “momento oportuno” para aprobarla en Consejo de Ministros antes del verano y llevarla así al Congreso. El objetivo es recibir en noviembre al Papa en su vista a España con la ley, se prevé que agresiva con los católicos, ya aprobada en las Cortes.
Fuentes del Ejecutivo ya avanzaron que quieren dejar bien claro que esta ley “marcará las líneas del estado laico y el poder que corresponde a los poderes públicos”. Incluso se complace a la izquierda más radical, tanto del grupo socialista como de otras formaciones, y se prevé revisar el Concordato con la Santa Sede que data de 1979, según recogió Efe.
Mientras se apagan las cenizas de la polémica avivada por el Ejecutivo en su guerra contra los crucifijos y ahora se discute sobre el velo islámico en los colegios, se van conociendo algunos detalles sobre la ley y que se traducen en el arrinconamiento del catolicismo.
El ministro de Justicia, Francisco Caamaño, avanzó en la SER ciertos detalles de la nueva ley de Libertad Religiosa que modificará a la actual, que data de 1980. En este sentido, indicó que los crucifijos saldrán de los colegios y de los hospitales públicos porque “en treinta años la sociedad española ha evolucionado muchísimo desde el punto de vista del sentimiento religioso y de su pluralidad”.
El velo islámico, así como la hiyab, no serán prohibidos en lugares públicos. Esto lo tiene claro el Gobierno. Y para justificar sus argumentos el Ejecutivo hace una clara comparación entre velo y crucifijo, en el que se demuestra claramente quien sale perdedor.
"No es lo mismo los símbolos religiosos en los espacios públicos de servicio estatal que los que pueda portar una persona que compadece en un espacio publico". Blanco y en botella para Caamaño, que, sin embargo, aboga por “una convivencia dentro de la proporcionalidad” y por el sentido común. Además, en la defensa de su argumento dijo que "todo el mundo entiende que no es lo mismo un burka que un velo".
Los funerales de Estado también serán modificados para “integrar varios ritos o establecer un protocolo civil de actos de Estado”. Mientras tanto, el Ejecutivo también está elaborando “mapas de lugares de culto” para conocer el peso de las distintas religiones en las regiones españolas. A esto se unirá un “manual de buenas prácticas” destinado a conocer y comprender los hábitos de las religiones que no sean la católica.
Há duas semanas apresentei a figura de São Francisco de Assis. Esta manhã gostaria de falar de outro santo pertencente à primeira geração dos Frades Menores: António de Pádua ou, como é também chamado, de Lisboa, referindo-se à sua cidade natal. Trata-se de um dos santos mais populares de toda a Igreja Católica, venerado não só em Pádua, onde foi construída uma maravilhosa Basílica que conserva os seus despojos mortais, mas em todo o mundo. São queridas aos fiéis as imagens e as imagens que o representam com o lírio, símbolo da sua pureza, ou com o Menino Jesus no colo, em recordação de uma milagrosa aparição mencionada por algumas fontes literárias.
António contribuiu de modo significativo para o desenvolvimento da espiritualidade franciscana, com os seus salientes dotes de inteligência, equilíbrio, zelo apostólico e, principalmente, fervor místico.
Nasceu em Lisboa numa família nobre, por volta de 1195, e foi baptizado com o nome de Fernando. Uniu-se aos cónegos que seguiam a regra monástica de Santo Agostinho, primeiro no mosteiro de São Vicente em Lisboa e, sucessivamente, no da Santa Cruz em Coimbra, famoso centro cultural de Portugal. Dedicou-se com interesse e solicitude ao estudo da Bíblia e dos Padres da Igreja, adquirindo aquela ciência teológica que fez frutificar na actividade do ensino e da pregação. Aconteceu em Coimbra o episódio que contribuiu para uma mudança decisiva na sua vida: ali, em 1220 foram expostas as relíquias dos primeiros cinco missionários franciscanos, que tinham ido a Marrocos, onde encontraram o martírio. A sua vicissitude fez nascer no jovem Fernando o desejo de os imitar e de progredir no caminho da perfeição cristã: então, pediu para deixar os Cónegos agostinianos e para se tornar Frade Menor. O seu pedido foi aceite e, tomando o nome de António, partiu também ele para Marrocos, mas a Providência divina dispôs de outro modo. Após uma doença, foi obrigado a partir para a Itália e, em 1221, participou no famoso "Capítulo das Esteiras" em Assis, onde encontrou também São Francisco. Em seguida, viveu algum tempo no escondimento total num convento de Forli, no norte da Itália, onde o Senhor o chamou para outra missão. Enviado, por circunstâncias totalmente casuais, a pregar por ocasião de uma ordenação sacerdotal, mostrou ser dotado de ciência e eloquência, e os Superiores destinaram-no à pregação. Começou assim na Itália e na França, uma actividade apostólica tão intensa e eficaz que induziu muitas pessoas que se tinham afastado da Igreja a reconsiderar a sua decisão. António foi também um dos primeiros mestres de teologia dos Frades Menores, ou até o primeiro. Iniciou o seu ensino em Bolonha, com a bênção de São Francisco, o qual, reconhecendo as virtudes de António, lhe enviou uma breve carta, que iniciava com estas palavras: "Agrada-me que ensines teologia aos frades". António lançou as bases da teologia franciscana que, cultivada por outras insignes figuras de pensadores, teria conhecido o seu ápice com São Boaventura de Bagnoregio e com o beato Duns Escoto.
Tornando-se Superior dos Frades Menores da Itália setentrional, continuou o ministério da pregação, alternando-o com as funções de governo. Concluído o cargo de Provincial, retirou-se para perto de Pádua, aonde já tinha ido outras vezes. Após um ano, faleceu nas portas da cidade, a 13 de Junho de 1231. Pádua, que o tinha acolhido com afecto e veneração durante a vida, tributou-lhe para sempre honra e devoção. O próprio Papa Gregório IX, que depois de o ter ouvido pregar o tinha definido "Arca do Testamento", canonizou-o só um ano depois da morte, em 1232, também após os milagres que se verificaram por sua intercessão.
No último período de vida, António pôs por escrito dois ciclos de "Sermões", intitulados respectivamente "Sermões dominicais" e "Sermões sobre os Santos", destinados aos pregadores e aos professores dos estudos teológicos da Ordem franciscana. Nestes Sermões ele comentava os textos da Escritura apresentados pela Liturgia, utilizando a interpretação patrístico-medieval dos quatro sentidos, o literal ou histórico, o alegórico ou cristológico, o antropológico ou moral, e o analógico, que orienta para a vida eterna. Hoje redescobre-se que estes sentidos são dimensões do único sentido da Sagrada Escritura e que é justo interpretar a Sagrada Escritura procurando as quatro dimensões da sua palavra. Estes Sermões de Santo António são textos teológico-homiléticos, que reflectem a pregação bíblica, na qual António propõe um verdadeiro itinerário de vida cristã. É tanta a riqueza de ensinamentos espirituais contida nos "Sermões", que o Venerável Papa Pio XII, em 1946, proclamou António Doutor da Igreja, atribuindo-lhe o título de "Doutor evangélico", porque desses escritos sobressai o vigor e a beleza do Evangelho; ainda hoje os podemos ler com grande proveito espiritual.
Nestes Sermões Santo António fala da oração como de uma relação de amor, que estimula o homem a dialogar docilmente com o Senhor, criando uma alegria inefável, que suavemente envolve a alma em oração. António recorda-nos que a oração precisa de uma atmosfera de silêncio que não coincide com o desapego do rumor externo, mas é experiência interior, que tem por finalidade remover as distracções causadas pelas preocupações da alma, criando o silêncio na própria alma. Segundo o ensinamento deste insigne Doutor franciscano, a oração é articulada em quatro atitudes indispensáveis que, no latim de António, são assim definidas: obsecratio, oratio, postulatio, gratiarum actio. Poderíamos traduzi-las do seguinte modo: abrir com confiança o próprio coração a Deus; é este o primeiro passo do rezar, não simplesmente colher uma palavra, mas abrir o coração à presença de Deus; depois, dialogar afectuosamente com Ele, vendo-o presente comigo; e depois muito natural apresentar-lhe as nossas necessidades; por fim, louvá-lo e agradecer-lhe.
Deste ensinamento de Santo António sobre a oração captamos uma das características específicas da teologia franciscana, da qual ele foi o iniciador, isto é, o papel atribuído ao amor divino, que entra na esfera dos afectos, da vontade, do coração, e que é também a fonte da qual brota uma consciência espiritual, que supera qualquer conhecimento. De facto, amando, conhecemos.
Escreve ainda António: "A caridade é a alma da fé, torna-a viva; sem o amor, a fé esmorece" (Sermomes Dominicales et Festivi II, Messaggero, Pádua 1979, p. 37).
Só uma alma que reza pode realizar progressos na vida espiritual: é este o objecto privilegiado da pregação de Santo António. Ele conhece bem os defeitos da natureza humana, a nossa tendência a cair no pecado, e portanto exorta a continuar a combater a inclinação da avidez, do orgulho, da impureza, e a praticar as virtudes da pobreza e da generosidade, da humildade e da obediência, da castidade e da pureza. No início do século XVIII, no contexto do renascimento das cidades e do florescer do comércio, crescia o número de pessoas insensíveis às necessidades dos pobres. Por este motivo, António convidou várias vezes os fiéis a pensar na verdadeira riqueza, a da cruz, que tornando bons e misericordiosos, faz acumular tesouros para o Céu. "Ó ricos assim exorta ele tornai-vos amigos... dos pobres, acolhei-os nas vossas casas: serão depois eles, os pobres, quem vos acolherão nos eternos tabernáculos, onde há a beleza da paz, a confiança da consciência, a opulenta tranquilidade da eterna saciedade" (Ibid., p. 29).
Não é porventura este, queridos amigos, um ensinamento muito importante também hoje, quando a crise financeira e os graves desequilíbrios económicos empobrecem não poucas pessoas, e criam condições de miséria? Na minha Encíclica Caritas in veritate recordo: "A economia tem necessidade da ética para o seu correcto funcionamento não de uma ética qualquer, mas de uma ética amiga da pessoa" (n. 45).
António, na escola de Francisco, coloca sempre Cristo no centro da vida e do pensamento, da acção e da pregação. Esta é outra característica típica da teologia franciscana: o cristocentrismo. Ela contempla benevolamente, e convida a contemplar, os mistérios da humanidade do Senhor, o homem Jesus, de modo particular, o mistério da Natividade, Deus que se fez Menino, se entregou nas nossas mãos: um mistério que suscita sentimentos de amor e de gratidão para com a bondade divina.
Por um lado a Natividade, ponto central do amor de Cristo pela humanidade, mas também a visão do Crucifixo inspira em António pensamentos de reconhecimento para com Deus e de estima pela dignidade da pessoa humana, de modo que todos, crentes e não-crentes, possam encontrar no Crucificado e na sua imagem um significado que enriquece a vida. Escreve Santo António: "Cristo, que é a tua vida, está pendurado diante de ti, para que tu olhes para a cruz como para um espelho. Nela poderás conhecer quanto mortais foram as tuas feridas, que nenhum remédio teria podido curar, a não ser o do sangue do Filho de Deus. Se olhares bem, poderás dar-te conta de como são grandes a tua dignidade humana e o teu valor... Em nenhum outro lugar o homem pode aperceber-se melhor do seu valor, a não ser olhando para o espelho da cruz" (Sermones Dominicales et Festivi III, pp. 213-214).
Meditando estas palavras podemos compreender melhor a importância da imagem do Crucifixo para a nossa cultura, para o nosso humanismo nascido da fé cristã. Precisamente olhando para o Crucifixo vemos, como diz Santo António, como é grande a dignidade humana e o valor do homem. Em nenhum outro ponto se pode compreender quanto o homem vale, precisamente porque Deus nos torna tão importantes, nos vê tão importantes, que somos, para Ele, dignos do seu sofrimento; assim, toda a dignidade humana aparece no espelho do Crucifixo e olhar em sua direcção é sempre fonte do reconhecimento da dignidade humana.
Queridos amigos, possa António de Pádua, tão venerado pelos fiéis, interceder pela Igreja inteira, e sobretudo por aqueles que se dedicam à pregação; oremos ao Senhor para que nos ajude a aprender um pouco desta arte de Santo António. Os pregadores, inspirando-se no seu exemplo, tenham a preocupação de unir doutrina sólida e sã, piedade sincera, incisiva na comunicação. Neste Ano sacerdotal, rezemos para que os sacerdotes e os diáconos desempenhem com solicitude este ministério de anúncio e de actualização da Palavra de Deus aos fiéis, sobretudo através das homilias litúrgicas. Sejam elas uma apresentação eficaz da eterna beleza de Cristo, precisamente como António recomendava: "Se pregas Jesus, Ele comove os corações duros; se o invocas, alivia das tentações amargas; se o pensas, ilumina o teu coração; se o lês, sacia-te a mente" (Sermones Dominicales et Festivi III, p. 59).
Fiesta del Sagrado Corazón de Jesús Plaza de San Pedro Viernes 11 de junio de 2010
Queridos hermanos en el ministerio sacerdotal, queridos hermanos y hermanas:
El Año Sacerdotal que hemos celebrado, 150 años después de la muerte del santo Cura de Ars, modelo del ministerio sacerdotal en nuestros días, llega a su fin. Nos hemos dejado guiar por el Cura de Ars para comprender de nuevo la grandeza y la belleza del ministerio sacerdotal. El sacerdote no es simplemente alguien que detenta un oficio, como aquellos que toda sociedad necesita para que puedan cumplirse en ella ciertas funciones. Por el contrario, el sacerdote hace lo que ningún ser humano puede hacer por sí mismo: pronunciar en nombre de Cristo la palabra de absolución de nuestros pecados, cambiando así, a partir de Dios, la situación de nuestra vida. Pronuncia sobre las ofrendas del pan y el vino las palabras de acción de gracias de Cristo, que son palabras de transustanciación, palabras que lo hacen presente a Él mismo, el Resucitado, su Cuerpo y su Sangre, transformando así los elementos del mundo; son palabras que abren el mundo a Dios y lo unen a Él. Por tanto, el sacerdocio no es un simple «oficio», sino un sacramento: Dios se vale de un hombre con sus limitaciones para estar, a través de él, presente entre los hombres y actuar en su favor. Esta audacia de Dios, que se abandona en las manos de seres humanos; que, aun conociendo nuestras debilidades, considera a los hombres capaces de actuar y presentarse en su lugar, esta audacia de Dios es realmente la mayor grandeza que se oculta en la palabra «sacerdocio». Que Dios nos considere capaces de esto; que por eso llame a su servicio a hombres y, así, se una a ellos desde dentro, esto es lo que en este año hemos querido de nuevo considerar y comprender. Queríamos despertar la alegría de que Dios esté tan cerca de nosotros, y la gratitud por el hecho de que Él se confíe a nuestra debilidad; que Él nos guíe y nos ayude día tras día. Queríamos también, así, enseñar de nuevo a los jóvenes que esta vocación, esta comunión de servicio por Dios y con Dios, existe; más aún, que Dios está esperando nuestro «sí». Junto con la Iglesia, hemos querido destacar de nuevo que tenemos que pedir a Dios esta vocación. Pedimos trabajadores para la mies de Dios, y esta plegaria a Dios es, al mismo tiempo, una llamada de Dios al corazón de jóvenes que se consideren capaces de eso mismo para lo que Dios los cree capaces. Era de esperar que al «enemigo» no le gustara que el sacerdocio brillara de nuevo; él hubiera preferido verlo desaparecer, para que al fin Dios fuera arrojado del mundo. Y así ha ocurrido que, precisamente en este año de alegría por el sacramento del sacerdocio, han salido a la luz los pecados de los sacerdotes, sobre todo el abuso a los pequeños, en el cual el sacerdocio, que lleva a cabo la solicitud de Dios por el bien del hombre, se convierte en lo contrario. También nosotros pedimos perdón insistentemente a Dios y a las personas afectadas, mientras prometemos que queremos hacer todo lo posible para que semejante abuso no vuelva a suceder jamás; que en la admisión al ministerio sacerdotal y en la formación que prepara al mismo haremos todo lo posible para examinar la autenticidad de la vocación; y que queremos acompañar aún más a los sacerdotes en su camino, para que el Señor los proteja y los custodie en las situaciones dolorosas y en los peligros de la vida. Si el Año Sacerdotal hubiera sido una glorificación de nuestros logros humanos personales, habría sido destruido por estos hechos. Pero, para nosotros, se trataba precisamente de lo contrario, de sentirnos agradecidos por el don de Dios, un don que se lleva en «vasijas de barro», y que una y otra vez, a través de toda la debilidad humana, hace visible su amor en el mundo. Así, consideramos lo ocurrido como una tarea de purificación, un quehacer que nos acompaña hacia el futuro y que nos hace reconocer y amar más aún el gran don de Dios. De este modo, el don se convierte en el compromiso de responder al valor y la humildad de Dios con nuestro valor y nuestra humildad. La palabra de Cristo, que hemos entonado como canto de entrada en la liturgia, puede decirnos en este momento lo que significa hacerse y ser sacerdotes: «Cargad con mi yugo y aprended de mí, que soy manso y humilde de corazón» (Mt 11,29).
Celebramos la fiesta del Sagrado Corazón de Jesús y con la liturgia echamos una mirada, por así decirlo, dentro del corazón de Jesús, que al morir fue traspasado por la lanza del soldado romano. Sí, su corazón está abierto por nosotros y ante nosotros; y con esto nos ha abierto el corazón de Dios mismo. La liturgia interpreta para nosotros el lenguaje del corazón de Jesús, que habla sobre todo de Dios como pastor de los hombres, y así nos manifiesta el sacerdocio de Jesús, que está arraigado en lo íntimo de su corazón; de este modo, nos indica el perenne fundamento, así como el criterio válido de todo ministerio sacerdotal, que debe estar siempre anclado en el corazón de Jesús y ser vivido a partir de él. Quisiera meditar hoy, sobre todo, los textos con los que la Iglesia orante responde a la Palabra de Dios proclamada en las lecturas. En esos cantos, palabra y respuesta se compenetran. Por una parte, están tomados de la Palabra de Dios, pero, por otra, son ya al mismo tiempo la respuesta del hombre a dicha Palabra, respuesta en la que la Palabra misma se comunica y entra en nuestra vida. El más importante de estos textos en la liturgia de hoy es el Salmo 23 [22] – «El Señor es mi pastor» –, en el que el Israel orante acoge la autorrevelación de Dios como pastor, haciendo de esto la orientación para su propia vida. «El Señor es mi pastor, nada me falta». En este primer versículo se expresan alegría y gratitud porque Dios está presente y cuida de nosotros. La lectura tomada del Libro de Ezequiel empieza con el mismo tema: «Yo mismo en persona buscaré a mis ovejas, siguiendo su rastro» (Ez 34,11). Dios cuida personalmente de mí, de nosotros, de la humanidad. No me ha dejado solo, extraviado en el universo y en una sociedad ante la cual uno se siente cada vez más desorientado. Él cuida de mí. No es un Dios lejano, para quien mi vida no cuenta casi nada. Las religiones del mundo, por lo que podemos ver, han sabido siempre que, en último análisis, sólo hay un Dios. Pero este Dios era lejano. Abandonaba aparentemente el mundo a otras potencias y fuerzas, a otras divinidades. Había que llegar a un acuerdo con éstas. El Dios único era bueno, pero lejano. No constituía un peligro, pero tampoco ofrecía ayuda. Por tanto, no era necesario ocuparse de Él. Él no dominaba. Extrañamente, esta idea ha resurgido en la Ilustración. Se aceptaba no obstante que el mundo presupone un Creador. Este Dios, sin embargo, habría construido el mundo, para después retirarse de él. Ahora el mundo tiene un conjunto de leyes propias según las cuales se desarrolla, y en las cuales Dios no interviene, no puede intervenir. Dios es sólo un origen remoto. Muchos, quizás, tampoco deseaban que Dios se preocupara de ellos. No querían que Dios los molestara. Pero allí donde la cercanía del amor de Dios se percibe como molestia, el ser humano se siente mal. Es bello y consolador saber que hay una persona que me quiere y cuida de mí. Pero es mucho más decisivo que exista ese Dios que me conoce, me quiere y se preocupa por mí. «Yo conozco mis ovejas y ellas me conocen» (Jn 10,14), dice la Iglesia antes del Evangelio con una palabra del Señor. Dios me conoce, se preocupa de mí. Este pensamiento debería proporcionarnos realmente alegría. Dejemos que penetre intensamente en nuestro interior. En ese momento comprendemos también qué significa: Dios quiere que nosotros como sacerdotes, en un pequeño punto de la historia, compartamos sus preocupaciones por los hombres. Como sacerdotes, queremos ser personas que, en comunión con su amor por los hombres, cuidemos de ellos, les hagamos experimentar en lo concreto esta atención de Dios. Y, por lo que se refiere al ámbito que se le confía, el sacerdote, junto con el Señor, debería poder decir: «Yo conozco mis ovejas y ellas me conocen». «Conocer», en el sentido de la Sagrada Escritura, nunca es solamente un saber exterior, igual que se conoce el número telefónico de una persona. «Conocer» significa estar interiormente cerca del otro. Quererle. Nosotros deberíamos tratar de «conocer» a los hombres de parte de Dios y con vistas a Dios; deberíamos tratar de caminar con ellos en la vía de la amistad de Dios.
Volvamos al Salmo. Allí se dice: «Me guía por el sendero justo, por el honor de su nombre. Aunque camine por cañadas oscuras, nada temo, porque tú vas conmigo: tu vara y tu cayado me sosiegan» (23 [22], 3s). El pastor muestra el camino correcto a quienes le están confiados. Los precede y guía. Digámoslo de otro modo: el Señor nos muestra cómo se realiza en modo justo nuestro ser hombres. Nos enseña el arte de ser persona. ¿Qué debo hacer para no arruinarme, para no desperdiciar mi vida con la falta de sentido? En efecto, ésta es la pregunta que todo hombre debe plantearse y que sirve para cualquier período de la vida. ¡Cuánta oscuridad hay alrededor de esta pregunta en nuestro tiempo! Siempre vuelve a nuestra mente la palabra de Jesús, que tenía compasión por los hombres, porque estaban como ovejas sin pastor. Señor, ten piedad también de nosotros. Muéstranos el camino. Sabemos por el Evangelio que Él es el camino. Vivir con Cristo, seguirlo, esto significa encontrar el sendero justo, para que nuestra vida tenga sentido y para que un día podamos decir: “Sí, vivir ha sido algo bueno”. El pueblo de Israel estaba y está agradecido a Dios, porque ha mostrado en los mandamientos el camino de la vida. El gran salmo 119 (118) es una expresión de alegría por este hecho: nosotros no andamos a tientas en la oscuridad. Dios nos ha mostrado cuál es el camino, cómo podemos caminar de manera justa. La vida de Jesús es una síntesis y un modelo vivo de lo que afirman los mandamientos. Así comprendemos que estas normas de Dios no son cadenas, sino el camino que Él nos indica. Podemos estar alegres por ellas y porque en Cristo están ante nosotros como una realidad vivida. Él mismo nos hace felices. Caminando junto a Cristo tenemos la experiencia de la alegría de la Revelación, y como sacerdotes debemos comunicar a la gente la alegría de que nos haya mostrado el camino justo de la vida.
Después viene una palabra referida a la “cañada oscura”, a través de la cual el Señor guía al hombre. El camino de cada uno de nosotros nos llevará un día a la cañada oscura de la muerte, a la que ninguno nos puede acompañar. Y Él estará allí. Cristo mismo ha descendido a la noche oscura de la muerte. Tampoco allí nos abandona. También allí nos guía. “Si me acuesto en el abismo, allí te encuentro”, dice el salmo 139 (138). Sí, tú estás presente también en la última fatiga, y así el salmo responsorial puede decir: también allí, en la cañada oscura, nada temo. Sin embargo, hablando de la cañada oscura, podemos pensar también en las cañadas oscuras de las tentaciones, del desaliento, de la prueba, que toda persona humana debe atravesar. También en estas cañadas tenebrosas de la vida Él está allí. Señor, en la oscuridad de la tentación, en las horas de la oscuridad, en que todas las luces parecen apagarse, muéstrame que tú estás allí. Ayúdanos a nosotros, sacerdotes, para que podamos estar junto a las personas que en esas noches oscuras nos han sido confiadas, para que podamos mostrarles tu luz.
«Tu vara y tu cayado me sosiegan»: el pastor necesita la vara contra las bestias salvajes que quieren atacar el rebaño; contra los salteadores que buscan su botín. Junto a la vara está el cayado, que sostiene y ayuda a atravesar los lugares difíciles. Las dos cosas entran dentro del ministerio de la Iglesia, del ministerio del sacerdote. También la Iglesia debe usar la vara del pastor, la vara con la que protege la fe contra los farsantes, contra las orientaciones que son, en realidad, desorientaciones. En efecto, el uso de la vara puede ser un servicio de amor. Hoy vemos que no se trata de amor, cuando se toleran comportamientos indignos de la vida sacerdotal. Como tampoco se trata de amor si se deja proliferar la herejía, la tergiversación y la destrucción de la fe, como si nosotros inventáramos la fe autónomamente. Como si ya no fuese un don de Dios, la perla preciosa que no dejamos que nos arranquen. Al mismo tiempo, sin embargo, la vara continuamente debe transformarse en el cayado del pastor, cayado que ayude a los hombres a poder caminar por senderos difíciles y seguir a Cristo.
Al final del salmo, se habla de la mesa preparada, del perfume con que se unge la cabeza, de la copa que rebosa, del habitar en la casa del Señor. En el salmo, esto muestra sobre todo la perspectiva del gozo por la fiesta de estar con Dios en el templo, de ser hospedados y servidos por él mismo, de poder habitar en su casa. Para nosotros, que rezamos este salmo con Cristo y con su Cuerpo que es la Iglesia, esta perspectiva de esperanza ha adquirido una amplitud y profundidad todavía más grande. Vemos en estas palabras, por así decir, una anticipación profética del misterio de la Eucaristía, en la que Dios mismo nos invita y se nos ofrece como alimento, como aquel pan y aquel vino exquisito que son la única respuesta última al hambre y a la sed interior del hombre. ¿Cómo no alegrarnos de estar invitados cada día a la misma mesa de Dios y habitar en su casa? ¿Cómo no estar alegres por haber recibido de Él este mandato: “Haced esto en memoria mía”? Alegres porque Él nos ha permitido preparar la mesa de Dios para los hombres, de ofrecerles su Cuerpo y su Sangre, de ofrecerles el don precioso de su misma presencia. Sí, podemos rezar juntos con todo el corazón las palabras del salmo: «Tu bondad y tu misericordia me acompañan todos los días de mi vida» (23 [22], 6).
Por último, veamos brevemente los dos cantos de comunión sugeridos hoy por la Iglesia en su liturgia. Ante todo, está la palabra con la que san Juan concluye el relato de la crucifixión de Jesús: «uno de los soldados con la lanza le traspasó el costado, y al punto salió sangre y agua» (Jn 19,34). El corazón de Jesús es traspasado por la lanza. Se abre, y se convierte en una fuente: el agua y la sangre que manan aluden a los dos sacramentos fundamentales de los que vive la Iglesia: el Bautismo y la Eucaristía. Del costado traspasado del Señor, de su corazón abierto, brota la fuente viva que mana a través de los siglos y edifica la Iglesia. El corazón abierto es fuente de un nuevo río de vida; en este contexto, Juan ciertamente ha pensado también en la profecía de Ezequiel, que ve manar del nuevo templo un río que proporciona fecundidad y vida (Ez 47): Jesús mismo es el nuevo templo, y su corazón abierto es la fuente de la que brota un río de vida nueva, que se nos comunica en el Bautismo y la Eucaristía.
La liturgia de la solemnidad del Sagrado Corazón de Jesús, sin embargo, prevé como canto de comunión otra palabra, afín a ésta, extraída del evangelio de Juan: «El que tenga sed, que venga a mí; el que cree en mí que beba. Como dice la Escritura: De sus entrañas manarán torrentes de agua viva» (cfr. Jn 7,37s). En la fe bebemos, por así decir, del agua viva de la Palabra de Dios. Así, el creyente se convierte él mismo en una fuente, que da agua viva a la tierra reseca de la historia. Lo vemos en los santos. Lo vemos en María que, como gran mujer de fe y de amor, se ha convertido a lo largo de los siglos en fuente de fe, amor y vida. Cada cristiano y cada sacerdote deberían transformarse, a partir de Cristo, en fuente que comunica vida a los demás. Deberíamos dar el agua de la vida a un mundo sediento. Señor, te damos gracias porque nos has abierto tu corazón; porque en tu muerte y resurrección te has convertido en fuente de vida. Haz que seamos personas vivas, vivas por tu fuente, y danos ser también nosotros fuente, de manera que podamos dar agua viva a nuestro tiempo. Te agradecemos la gracia del ministerio sacerdotal. Señor, bendícenos y bendice a todos los hombres de este tiempo que están sedientos y buscando. Amén.
Kyrie, eléison. Christe, eléison. Kyrie, eléison. Christe, audi nos. Christe, exáudi nos. Pater de caelis Deus, miserére nobis. Fili, Redémptor mundi, Deus, miserére nobis. Spíritus Sancte, Deus, miserére nobis. Sancta Trínitas, unus Deus, miserére nobis.
Cor Iesu, Filii Patris aetérni, miserére nobis Cor Iesu, in sinu Vírginis Matris a Spiritu Sancto formátum, miserére nobis Cor Iesu, Verbo Dei substantiáliter unítum, miserére nobis Cor Iesu, maiestátis infinitae, miserére nobis Cor Iesu, templum Dei sanctum, miserére nobis Cor Iesu, tabernáculum Altíssimi, miserére nobis Cor Iesu, domus Dei et porta coeli, miserére nobis Cor Iesu, fornax ardens caritatis, miserére nobis Cor Iesu, justitiae et amóris receptáculum, miserére nobis Cor Iesu, bonitate et amóre plenum, miserére nobis Cor Iesu, virtútum ómnium abýssus, miserére nobis Cor Iesu, omni laude digníssimum, miserére nobis Cor Iesu, rex et centrum ómnium córdium, miserére nobis Cor Iesu, in quo sunt omnes thesáuri sapiéntiae et scientiae, miserére nobis Cor Iesu, in quo hábitat omnis plenitúdo divinitátis, miserére nobis Cor Iesu, in quo Pater sibi bene complácuit, miserére nobis Cor Iesu, de cujus plenitúdine omnes nos accépimus, miserére nobis Cor Iesu, desidérium cóllium aeternórum, miserére nobis Cor Iesu, pátiens et multae misericórdiae, miserére nobis Cor Iesu, dives in omnes qui ínvocant te, miserére nobis Cor Iesu, fons vitae et sanctitátis, miserére nobis Cor Iesu, propitiatio pro peccátis nostris, miserére nobis Cor Iesu, saturátum oppróbriis, miserére nobis Cor Iesu, attrítum propter scélera nostra, miserére nobis Cor Iesu, usque ad mortem oboédiens factum, miserére nobis Cor Iesu, láncea perforáturn, miserére nobis Cor Iesu, fons totius consolatiónis, miserére nobis Cor Iesu, vita et resurréctio nostra, miserére nobis Cor Iesu, pax et reconciliátio nostra, miserére nobis Cor Iesu, víctima peccatórum, miserére nobis Cor Iesu, salus in te sperántium, miserére nobis Cor Iesu, spes in te moriéntium, miserére nobis Cor Iesu, delíciae Sanctórum ómnium, miserére nobis
Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi, parce nobis, Domine. Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi, exaudi nos, Domine. Agnus Dei, qui tollis peccáta mundi, miserére nobis.
V. Iesu, mitis et húmilis Corde. R. Fac cor nostrum secúndum Cor tuum.
Oremus. Omnípotens sempitérne Deus, réspice in Cor dilectíssimi Filii tui, et in laudes et satisfactiónes, quas in nómine peccatórum tibi persólvit, iísque misericórdiam tuam peténtibus tu véniam concéde placátus, in nómine ejúsdem Fílii tui Iesu Christi: Qui tecum vivit et regnat in sáecula saeculórum. R. Amen.
(Ad mentem Romani Pontificis:)
Pater, Ave, Credo
V. Unigenitus Dei Filius. R. Nos bene(+)dicere et adiuvare dignetur.
Assim no decreto dogmático De sanctissimo sacrificio missae, o Concílio de Trento fala do Cânon Romano
de Lorenzo Cappelletti
Decreto dogmático do Concílio de Trento sobre o Santíssimo Sacrifício da Missa:
“Sendo conveniente que as coisas santas devam ser operadas santamente, e constando ser este sacrifício a coisa mais santa entre todas, a Igreja Católica, para que fosse oferecido e recebido dignamente e com reverência, estabeleceu há muitos séculos o sagrado Cânon, tão livre de todo erro nada incluindo que não emane em máximo grau, certa santidade e piedade, e eleve a Deus os ânimos dos que oferecem o santíssimo sacrifício, porque o Cânon consta das mesmas palavras do Senhor e das tradições dos Apóstolos, assim como do que foi piamente estabelecido pelos santos Pontífices”
O primeiro ato da Sessão XXII celebrada em 17 de setembro de 1562 em Trento, na qual seriam aprovadas a doutrina e as normas sobre o sacrifício da missa, foi um ato ecumênico aparentemente alheio à questão: a leitura da declaração de obediência do patriarca de Mossul, Ebed Iesu. Para receber confirmação da sua eleição pelo Papa Paulo IV viera a Roma no final do ano precedente partindo do atual Iraque meridional. Esse personagem não era senão o longínquo predecessor de Raphaël Bidawid, o atual patriarca dos Caldeus [falecido em 2003; o atual patriarca é Emmanuel III Delly, ndr]. Não era um exemplo de santidade, mesmo assim foi ele quem uniu oficialmente a partir daquele momento Bagdá a Roma. Afirmava – são notícias dadas pelo cardeal Da Mula encarregado pela sua acolhida – que da sua sede dependiam mais de 200 mil cristãos, que eles, os Caldeus, tinham recebido a fé dos apóstolos Tomé e Tadeu, e de Mari discípulo deles, que possuíam todos os livros do Antigo e do Novo Testamento, e além disso as traduções de muitos padres gregos e latinos e outros escritos desconhecidos aos latinos que remontavam à idade apostólica; que lá praticava-se a confissão auricular, tinha-se quase os mesmos sacramentos da Igreja romana (iisdem fere quibus nos), veneravam-se as imagens dos santos e rezava-se pelos defuntos como se fazia em Roma. E, quanto ao Cânon, que usavam quase o mesmo Cânon que se usava em Roma (Canone iisdem fere verbis in celebranda missa).
Quando a sua declaração foi lida, o nosso Ebed Iesu, abastecido de ricas doações (amplis muneribus), já tinha retornado à pátria, pois lá a sua presença era indispensável, dizia. Os historiadores dizem que "o verdadeiro motivo pelo qual não tinha aparecido em Trento era pelo fato de que não entendia nenhuma língua ocidental" (Hubert Jedin). Não teria entendido nada do que seria dito, justamente naquela sessão sobre o sacrifício da missa e sobre o Cânon. Por outro lado os Caldeus não o colocavam em discussão. O cardeal Da Mula, aliás, concluía assim a carta de apresentação recordada acima: "Os vãos argumentos dos hereges são rejeitados também pelo fato de que a dignidade da Igreja e a doutrina da salvação, opugnada por gente próxima a nós, há mil e quinhentos anos continuou a mesma junto a gente tão afastada de nós, no meio de tantas mudanças, de trocas de rei e de reinos, sob a pesada e constante perseguição dos infiéis através de injustiças e de malversações, no meio da barbárie". Nada mais atual se pensarmos não somente ao Iraque, mas também à China.
Com efeito, os protestantes, recusavam aquela missa e principalmente aquele Cânon que Ebed Iesu reconhecera tão familiar. E desta recusa fizeram uma bandeira. Tinham também as suas razões. Em termos gerais – escrevia o beneditino Gregory Dix, numa obra realizada na época da segunda guerra mundial, mas que permanece um clássico da história da liturgia – "o corpo de Cristo tinha assumido o aspecto de uma grande máquina absolutamente humana de salvação através de sacramentos colocados em obra por motivos absolutamente humanos por homens que agiam em nome e com a técnica de um Cristo ausente. Máquina que vinha crescendo de modo muito complicado. [...] Toda a sua força e a sua energia eram absorvidas para manter a si própria em função. [...] A vida da Igreja estava nas mãos da máquina e a máquina funcionava, mas não se pode dizer mais nada". A difusão de todo gênero de abusos era a imediata conseqüência disso, tanto que o próprio Concílio estabeleceu uma comissão especial que, em ordem à celebração da missa, providenciou em recolher centenas destes: as conversas com os fiéis antes da celebração e o uso de gestos teatrais por parte dos sacerdotes, o colocar-se em frente ao sacerdote celebrante por parte dos fiéis e assim por diante. Mas, uma coisa era evidenciar os abusos, outra era abolir o prefácio, substituir o Pai Nosso com uma paráfrase moralista, principalmente abolir o Cânon, pela razão de que introduziria o culto pagão na Igreja. Lutero comparava o Cânon romano ao altar que Acaz colocou no lugar do altar de bronze no templo de Salomão (cf. 2Rs 16, 7-18): "O ímpio Acaz retirou o altar de bronze e o substituiu com um outro encomendado em Damasco. Falo do pobre e abominável Cânon, coleta de omissões e de imundícias: ali a missa começou a se tornar sacrifício, ali foram acrescentados o ofertório e orações mercenárias, ali foram colocadas entre o Sanctus e o Gloria in excelsis seqüências e frases. [...] E até hoje não se deixa fazer acréscimos a este Cânon". Os outros reformadores escrevem coisas ainda piores.
A defesa do Cânon
O Concílio de Trento tomou as defesas do Cânon.
Em Bolonha, no período tumultuado mesmo assim fecundo em que o Concílio, ou melhor parte deste, se estabeleceu por menos de um ano, ou seja entre 1547 e 1548 (por causa de uma epidemia de tifo em Trento, onde tinha sido inaugurado o Concílio em dezembro de 1545), os teólogos começaram antes de tudo a defender a forma da missa assim como historicamente tinha se formado, na base do princípio guia (que felizmente não será mais abandonado), assim sintetizado por um outro grande liturgista Burkhard Neunheuser: "Reformar, porém sem perder o contato com o período precedente, isto é continuando a tradição medieval". Princípio que não se resolvia numa petição de princípio. Com efeito, escreve Dix, "as implicações do texto da liturgia podiam ser ignoradas no ensinamento e na prática do tempo, mas ele ainda continha, como num cofre, não o ensinamento medieval, mas aquelas antigas e simples verdades sobre a eucaristia que Gregório Magno tinha preservado e Alcuino tinha fielmente transmitido". Foi um ato de humildade e de sabedoria, mesmo porque – só muito tempo depois deu-se conta disso – muitos dos textos patrísticos, nos quais baseava-se ambos os lados, eram corruptos e muitos, como "os tão importantes padres sírios, eram completamente desconhecidos" (Dix). Talvez não a Ebed Iesu.
Certamente o Cânon Romano contém passagens um pouco difíceis (obscuriora loca), dirá o esquema de decreto nascido daqueles primeiros debates e precisa de uma explicação. Mas o Concílio, que voltara a Trento em 1551, teve uma nova interrupção a partir de abril de 1552. Por um biênio, nas previsões. Na realidade o Concílio se reabriu somente depois de dez anos e aquele esquema permaneceu no seu estado de crisálide.
Foi durante o verão de 1562, quando Ebed Iesu já tinha voltado para junto dos Caldeus, que o trabalho se intensificou. Jedin: "Em Trento, dava-se conta de que a doutrina do sacrifício da missa, que então estava em programa, não era inferior em significado religioso e em importância eclesiástica à doutrina da justificação que o Concílio definira quinze anos antes, talvez até mesmo a superava. Tratava-se de compreender o mistério central da fé, no qual atua-se constantemente a união da Igreja com seu chefe". A discussão acirrada que foi iniciada em 20 de julho levou a um primeiro "projeto de agosto" que porém foi julgado muito extenso. Alguns canonistas chegavam até mesmo a sustentar que era supérfluo expor a doutrina sobre o sacrifício da missa: bastaria defender o Cânon da missa para dizer a doutrina católica sobre o sacrifício. Todavia decidiu-se manter a estrutura do "projeto de agosto", que, em analogia com o decreto De iustificatione, deveria ter uma série de capítulos doutrinais seguidos por cânones. Deste modo os padres receberam entre o dia 4 e 5 de setembro um novo esquema, o "projeto de setembro" que seria aprovado na sessão solene de 17 de setembro, aquela com a qual iniciávamos o nosso artigo, e que se coincluiu "muito tarde. E todos cansados", dizem as crônicas, os padres voltaram às suas moradias. Fadiga não vã. O verdadeiro e próprio grito com o qual o bispo de Ventimiglia concluíra a homilia da missa de abertura daquela sessão tinha sido ouvido: "Salvai-nos Senhor, nós sucumbimos!".
Um acréscimo não supérfluo
Além disso entre o dia 5 e 17 de setembro, foram feitos acréscimos, entre os quais um essencial ao capítulo IV, por insistências e orações ao Espírito Santo de algum padre ou de algum teólogo. O capítulo IV, ainda no último esquema, falava do Cânon como instituição eclesiástica, sem qualquer referência à sua antigüidade nem à tradição da qual tinha nascido. No entanto, no texto definitivo, sem empenhar-se justamente em especificar as datas e as partes da sua composição e fazendo com que de qualquer modo remontasse à Igreja ( Ecclesia catholica sacrum Canonem instituit), o Concílio fala do Cânon instituído "há muitos séculos" e formado "pelas mesmas palavras do Senhor", a partir "das tradições dos Apóstolos" e "do que foi piamente estabelecido pelos santos Pontífices". É por isso (enim está escrito no texto latim), isto é, por que recolhe o depósito da tradição, que está livre de todo erro. E somente assim pode ser condenado, no correspondente cânon 6, quem pede a sua ab-rogação. Não contendo erros ("porque o Cânon consta das mesmas palavras do Senhor e das tradições dos Apóstolos assim como do que foi piamente estabelecido pelos santos Pontífices"), justamente por isso (ideoque) não deve ser ab-rogado.
Sobre as partes obscuras do Cânon e sobre a sua explicação presentes no esquema de 1552, não se fala mais no texto final. Seria preciso entender por quê. "Por razões de brevidade" – escreve, num artigo pós-conciliar e mesmo assim já datado sobre o Cânon romano, Jerôme P. Theisen – e parece subentender "infelizmente!". Theisen lamenta que o Concílio de Trento, particularmente com referência ao Cânon, tenha tido uma reação puramente defensiva, não tenha sido criativo e verboso, como agrada hoje. Por favor, refletir sobre esta passagem pré-conciliar apenas por data, de Dix: "A vantagem da Contra-reforma foi que ela conservou o texto de uma liturgia que substancialmente remontava a muito antes do desenvolvimento medieval. Com isso preservou aquelas primitivas formulações nas quais repousava a verdadeira solução das dificuldades medievais, mesmo se foi preciso muito tempo antes que a Igreja pós-tridentina usasse disto para o objetivo. Os protestantes, ao contrário, abandonaram todo o texto da liturgia e especialmente aqueles seus elementos que eram um genuíno documento da Igreja primitiva que eles afirmavam que estavam restaurando. Introduziram no seu lugar formas que derivavam e exprimiam a tradição medieval da qual nascia o seu próprio movimento". Heterogênese dos fins.
El obispo asesinado habría querido proteger al Papa Benedicto XVI
Pocas horas antes del comienzo del viaje papal a Chipre, un terrible hecho conmocionó a toda la Iglesia y al mismo Pontífice: el asesinato de Mons. Luigi Padovese, vicario apostólico de Anatolia y presidente de la Conferencia Episcopal de Turquía. Se trata de un hecho de violencia contra un obispo cristiano del que, como suele suceder, poco se ha informado en los medios de comunicación. El obispo italiano tenía previsto partir de Turquía a Chipre para encontrarse con el Santo Padre y recibir de sus manos el Instrumentum laboris de la próxima asamblea especial para Medio Oriente del Sínodo de los Obispos, en cuya preparación había estado trabajando en los últimos meses.
Pocas horas después de que la terrible noticia se hizo pública, el Padre Lombardi, aún con poca información, afirmó: “es un hecho horrible, increíble, estamos conmocionados. Hay que comprender mejor las circunstancias y los motivos de esta muerte pero está claro que ha sido una vida entregada al Evangelio”. Sólo después se supo que el asesino había sido su chofer, Murat Altun, aunque las versiones que comenzaron a circular sobre él diferían bastante unas de otras. Por ejemplo, algunas afirmaban que se trataba de un desequilibrando mental, mientras que otras lo negaban; algunas decían que se había convertido al cristianismo, en cambio otras no sólo afirmaban que seguía siendo musulmán sino que mencionaban su relación con elementos nacionalistas radicales. En resumen, la información era demasiado escasa y confusa como para sacar conclusiones definitivas.
En este contexto de poca claridad sobre el hecho, comenzó el viaje apostólico de Benedicto XVI a Chipre. En el encuentro con los periodistas en el avión, la primera pregunta se refirió precisamente a este dramático hecho. El Papa respondió que se sentía “profundamente dolorido por la muerte de Mons. Padovese, que había contribuido mucho a la preparación del Sínodo”. Y continuó diciendo: “Esta sombra, con todo, no tiene nada que ver con los temas mismos y con la realidad del viaje, porque no debemos atribuir a Turquía o a los turcos este hecho. Es una cosa sobre la que tenemos pocas informaciones. Es seguro que no se trata de un asesinato político o religioso; se trata de un asunto personal. Esperamos aún todas las explicaciones pero no queremos mezclar ahora esta trágica situación con el diálogo con el Islam y con todos los problemas de nuestro viaje”.
Habiendo pasado algunos días más, y luego de un primer momento en que parecía prevalecer la hipótesis según la cual se trataba sencillamente de un desequilibrado, empiezan a aparecer nuevos elementos que descartan aquella primera versión. En efecto, como señala Andrea Tornielli, ya han sido varias las ocasiones en que, luego del asesinato de un cristiano, se justifica el hecho recurriendo a la presunta demencia de su autor. El mismo Mons. Padovese, tres años atrás y luego de un hecho similar, comentaba: “Hay que decir que, si bien la población turca es en general buena, eventos del género atestiguan que hay una rama enferma en el gran árbol de la población local”. Y Mons. Franceschini, arzobispo de Esmirna, decía entonces: “Una vez más dirán que es un acto de un loco. Pero entonces debemos admitir que, desde hace cerca de un año y medio atrás, en Turquía los actos de locos han aumentado notablemente, casualmente contra los religiosos cristianos extranjeros”.
Tornielli señala también, entre otros puntos oscuros de este dramático hecho, la violencia feroz y cruel de la que fue víctima Mons. Padovese: precisamente sobre esto profundizaba hoy un artículo de AsiaNews. “Los médicos que realizaron la autopsia revelaron que presentaba cuchilladas en todo el cuerpo pero, sobre todo, en la parte del corazón (al menos ocho). La cabeza estaba separada casi completamente del tronco, unida al cuerpo sólo con la piel de la parte posterior del cuello”. El artículo prosigue informando que el obispo fue acuchillado dentro de su casa pero que logró tener fuerzas para llegar hasta el umbral de la casa, sangrando y pidiendo ayuda, y allí murió. Los testigos que afirman haber escuchado los gritos del obispo son los que aportan otro dato todavía más importante. Ellos oyeron también a Murat que, después del homicidio, gritó: “¡He matado al gran Satanás! ¡Allah Akbar!”. “Este grito – explica el artículo de AsiaNews – coincide perfectamente con la idea de la decapitación, haciendo intuir que es como un sacrificio ritual contra el mal. Esto pone en relación el asesinato con los grupos ultranacionalistas y aparentemente fundamentalistas islámicos que quieren eliminar a los cristianos de Turquía”.
El mencionado artículo, finalmente, afirma que “frente a estos nuevos y escalofriantes datos, probablemente deben ser revisadas las declaraciones del gobierno turco y las primeras convicciones expresadas por el Vaticano, según las cuales el asesinato no tendría implicaciones políticas y religiosas, permaneciendo firme que, como dijo Benedicto XVI en el avión durante el viaje a Chipre, este asesinato no puede ser atribuido a Turquía y a los turcos, y no debe oscurecer el diálogo”.
Mientras tanto, se celebraron hoy en Turquía los funerales del prelado, presididos por Mons. Ruggero Franceschini, Arzobispo de Esmirna. En su homilía, Mons. Franceschini dijo que “la trágica noticia de la muerte violenta de Mons. Luigi Padovese nos ha dejado estupefactos, incapaces de comprender cómo pudo haber ocurrido algo tan horrible, sobre todo contra un Hombre de Iglesia, un Obispo muy amigo de los turcos y de Turquía. Esta tierra se confirma así, una vez más, lugar de martirio también para quien tanto la amaba. […] A nosotros, los cristianos, su muerte nos recuerda que la fidelidad al Evangelio, en ciertas situaciones, puede ser pagada con la sangre”.
ACTUALIZACIÓN
Por medio del Padre Guillermo Juan Morado, nos enteramos de un nuevo aspecto de esta trágica noticia. Uno de los “puntos oscuros” señalados por el vaticanista Tornielli en su artículo era el misterio de que el viaje a Chipre de Mons. Padovese, uno de los eventos más importantes en su agenda de este año dado que allí participaría de la “primera fase” del Sínodo para Medio Oriente en el cual tanto trabajaba, estaba programado precisamente para el día en que fue asesinado, y que viajaría junto a su chofer Murat Altun. Sin embargo, el mismo obispo canceló los pasajes aquella mañana. ¿Por qué? El periódico El País informa que “unas horas antes de que Padovese fuera asesinado, el Gobierno turco le llamó para decirle que el chófer, que ellos mismos habían puesto a su servicio cuatro años atrás, se les había ido de las manos. Es decir, que había abrazado la causa fundamentalista. Al saberlo, Padovese canceló los billetes que había reservado para ir a Chipre con Altun. Prefirió quedarse en casa que hacer el viaje porque temía que su chófer pudiera aprovechar su cercanía al Papa para atentar contra él”. Por lo tanto, y si esto se confirmara, Mons. Padovese habría cancelado el viaje y permanecido en su casa, donde fue asesinado, para proteger la vida del Santo Padre.