segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Recife diz SIM À VIDA!



Ontem pela manhã ocorreu, na praia de Boa Viagem, a 4ª Caminhada Arquidiocesana “Sim à Vida”! O evento reuniu milhares de pessoas na avenida Boa Viagem. A concentração teve início às 09:00 no Castelinho, e seguiu até o Segundo Jardim – um percurso de mais ou menos três quilômetros, percorrido pelos manifestantes e por cinco trios elétricos.

 O evento foi um verdadeiro sucesso. Panfletos afirmando a importância de não se votar em candidatos abortistas – alguns inclusive citando nominalmente, entre outros, a sra. Dilma Rousseff – eram distribuídos entre as pessoas. Os trios elétricos entrecortavam músicas, orações e brados contra o projeto abortista em curso na nossa Pátria. A despeito do calor, as pessoas chegavam e permaneciam, caminhavam e engrossavam as fileiras daqueles que querem fazer ouvir a sua voz em defesa da vida humana inocente que, no Brasil, é vergonhosamente atacada.

O Arcebispo Metropolitano, Dom Fernando Saburido, esteve presente e desmentiu publicamente – embora sem citar nomes – a Obra de Maria, que recentemente enviou cartas para os católicos dizendo que “a Igreja (…) rezou, pensou e escolheu” dois candidatos para as eleições da próxima semana. O Arcebispo disse claramente que a Igreja não tem candidatos e que os fiéis não deviam acreditar em quem se apresentasse (ou fosse apresentado) como “candidato da Igreja”.

As pessoas que estavam na praia paravam para olhar a caminhada. Dos prédios na beira-mar, alguns moradores se debruçavam das janelas para verem a multidão passar gritando “não” ao aborto. Muitas pessoas que simplesmente estavam por lá juntavam-se aos manifestantes, para também darem o seu “sim” à vida. E o evento atingiu o seu objetivo: fez com que fosse ouvida a nossa voz, a voz do povo brasileiro, que é visceralmente contra o assassinato de crianças no ventre de suas mães. Parabéns aos que dedicaram a sua manhã de domingo para participarem desta importante manifestação pública! Que a Virgem Santíssima os possa recompensar com generosidade.

Fonte:  Deus lo Vult!

domingo, 26 de setembro de 2010

Discurso esclarecedor de um bispo sobre o Episcopado e as Conferências Episcopais


Bento XVI falando aos bispos dos EUA


Este artigo baseou-se no discurso feito por Dom Robert Francis Vasa, Bispo de Baker, EUA, no 2010 Inside Catholic Partnership Award Dinner e foi publicado no Inside Catholic  de 20 de setembro.


Todos estamos familiarizados com a Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos (USCBC), e eu suspeito que a maioria de nós a aceita como um dado da realidade. Suspeito ainda que muitos nunca consideraram realmente os quem, quês e porquês de tais conferências na Igreja. Isto não significa que a Igreja não tenha dado séria atenção à questão. O conceito não era novo para a Igreja em 1965, quando o Concílio Vaticano publicou o Decreto sobre o ofício pastoral dos bispos na Igreja, Christus Dominus. Lá se encontra, no parágrafo 38, o conceito bem definido:

"Conferência episcopal é uma espécie de assembleia em que os Bispos duma nação ou território exercem juntos o seu múnus pastoral, para conseguirem, por formas e métodos de apostolado conformes às circunstâncias do tempo, aquele bem maior que a Igreja oferece aos homens." (CD 38).

Não restam dúvidas de que o exercício unificado de um ofício pastoral é prático e desejável. Há certas coisas, em nosso país, por exemplo, que somente se tornam possíveis porque os bispos se uniram num esforço comum. O trabalho de revisão das traduções da Instrução Geral do Missal Romano não poderia ser feita independentemente por cada bispo. Isto seria caótico. Os esforços de ajuda da "Catholic Relief Service" às vítimas do furacão no Haiti estão além da capacidade de cada bispo ou diocese individualmente. Analisar, avaliar e fazer recomendações sobre a reforma do sistema de saúde na América exige recursos de que simplesmente não dispões muitas dioceses - entre as quais, a minha certamente. Parece-me que uma conferência, de certa forma, seja essencial.

Houve um tempo, no passado recente, em que a conferência, e especialmente seus comitês, eram como se tivessem vida própria, aparentemente independentes do colégio dos bispos; mas a reforma de suas estruturas mitigou isto significativamente. É possível que tenha havido um esforço concentrado da parte de um segmento dos bispos, no passado, a fim de promover um grau maior de autonomia em relação à conferência, mas qualquer comentário meu seria inteiramente especulativo. Em geral, penso que a conferência faz um bom trabalho na identificação de questões, realização de pesquisas e, até mesmo, de influência nos debates nacionais.

Ao fazer isto, entretanto, torna-se às vezes inevitável à conferência assumir estritos padrões de autonomia e, até mesmo, ser percebida como se possuísse um tipo de autoridade que nem reclama para si nem possui. Facilmente se esquece que a conferência é um veículo para assistir os bispos na cooperação mútua e não uma comissão reguladora distinta. Indubitavelmente, a conferência tem um lugar a ocupar e um papel importante a desenvolver. Em geral, acho que a existência da conferência me oferece, como bispo, uma via de interação com meus irmãos bispos, para compartilhar ideias e para participar de discussões nacionais de uma maneira que seria impossível, em grande parte, sem a conferência.

É motivo de preocupação a tendência de a conferência assumir uma vida própria e de começar a substituir ou tomar a função própria de cada bispo, inclusive em sua própria diocese. Pode haver inclusive uma infeliz tendência da parte dos bispos a abdicar em favor da conferência de uma porção de suas funções e deveres episcopais. Por exemplo, há uma Comissão Doutrinal disponível para que os bispos apresentem questões e problemas e obtenham uma avaliação doutrinal. A disponibilidade de tal comissão é um valioso serviço, mas se um bispo simplesmente apresenta toda questão em sua diocese à Comissão Doutrinal e, então, transmite aseus fiéis que a Comissão Doutrinal da USCCB decidiu X, Y ou Z, ele deixa de assumir uma responsabilidade que é unicamente sua. Seria mais apropriado que ele consultasse esta Comissão e então dissesse: "Após consultar a Comissão Doutrinal, eu decidi X, Y ou Z para minha diocese". Uma tal resposta preserva a função própria tanto do bispo quanto da conferência. É, todavia, mais fácil e seguro transferir a responsabilidade para a Comissão.

A despeito do fato de que a ideia de uma conferência episcopal esteja incluída na última parte do Decreto Christus Dominus, esta não é de modo algum o foco principal do documento. Aliás, seu título é "Sobre o Múnus Pastoral dos Bispos na Igreja", e não "Sobre a Função e o Lugar das Conferências Episcopais na Igreja". Na realidade, Christus Dominus foi mais revolucionário por causa de sua grande insistência sobre o alcance da autoridade do bispo diocesano. Mais de 30 anos depois de Christus Dominus, o Papa João Paulo II, em maio de 1998, expediu uma Carta Apostólica, Apostolos Suos, acerca da natureza teológica e jurídica das Conferências dos Bispos. Eu ouso supor que o fez, em parte, por causa da preocupação de que as conferências estivessem ultrapassando os limites de sua legítima autoridade e infringindo a legítima autoridade dos bispos, como ensinada no Christus Dominus. Nela, citando o Sínodo dos Bispos de 1985, escreveu o Santo Padre:

"A Assembleia Extraordinária do Sínodo dos Bispos, celebrada em 1985, reconheceu a utilidade pastoral, antes a necessidade das Conferências Episcopais na situação atual, mas simultaneamente não deixou de observar que, no seu modo de proceder, as Conferências Episcopais devem ter presente o bem da Igreja, a saber, o serviço da unidade, e a responsabilidade inalienável de cada Bispo para com a Igreja Universal e a sua Igreja particular." (Apostolos Suos, 7)

O Cardeal Ratzinger (atual Papa Bento XVI) no "A fé em crise?", sobre o estado da Igreja, foi um pouco mais direto.

"A decisiva e nova ênfase sobre o papel dos bispos é na realidade contida ou corre o risco de ser reprimida pela inserção dos bispos em conferências episcopais que são sempre mais organizadas com estruturas burocráticas frequentemente pesadas. Não devemos nos esquecer de que as conferências episcopais não possuem base teológica, de que elas não pertencem à estrutura da Igreja, tal como Cristo a desejou, e que não pode ser eliminada; elas possuem apenas uma função prática, concreta. (The Ratzinger Report, 59-61)

Isto é confirmado pelo Código de Direito Canônico, que delimita a extensão da autoridade da conferência, observando que a competência de cada bispo diocesano permanece intacta; nem uma conferência nem seu presidente pode agir em nome de todos os bispos a menos que cada um e todos os bispos tenham dado seu consentimento (cân 455 §4). Fica claro que a conferência não pode, por sua própria autoridade, substituir as pessoas dos bispos, os quais são, conforme o cânon 753, "autênticos doutores e mestres dos fiéis confiados a seus cuidados; os fiéis estão obrigados a aderir, com religioso obséquio de espírito, a esse autêntico magistério de seus bispos". Em sua entrevista, o Cardeal Ratzinger confirmou: "Nenhuma conferência episcopal, como tal, tem uma missão magisterial: seus documentos não têm força por si mesmos exceto aquela que lhes dá o consentimento dos bispos individualmente". Até onde sei, o cardeal não mudou de ideia depois de sua eleição pontifícia.

A Carta Apostólica de João Paulo II contém o mesmo pensamento:

"Por certo, os Bispos individualmente, enquanto mestres da fé, não se dirigem à comunidade universal dos fiéis senão através dum ato de todo o Colégio Episcopal. De fato, apenas os fiéis confiados ao cuidado pastoral dum Bispo é que devem conformar-se com a decisão dada por ele, em nome de Cristo, em matéria de fé ou costumes, aderindo à mesma com religioso obséquio de espírito." (Apostolos Suos, 11)

O reconhecimento da proeminente função dos bispos individualmente não é uma criação do Concílio Vaticano II. Em sua segunda carta a Timóteo, que era bispo, São Paulo escreve:

"Eu te conjuro em presença de Deus e de Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, por sua aparição e por seu Reino: prega a palavra, insiste oportuna e importunamente, repreende, ameaça, exorta com toda paciência e empenho de instruir." (II Tim 4, 1-2).

Esta admoestação é feita aos bispos singularmente e, como destaca o cardeal, não é extensiva às conferências episcopais. O Cardeal Ratzinger insiste que a clareza sobre a função específica do bispo é decisiva:

"Porque é uma questão de salvaguarda da própria natureza da Igreja Católica, que é baseada em uma estrutura episcopal e não em um tipo de federação de igrejas nacionais. O nível nacional não é uma dimensão eclesial. É preciso que fique claro, uma vez mais, que em cada diocese há apenas um pastor e mestre na fé, em comunhão com outros pastores e mestres e com o Vigário de Cristo. (The Ratzinger Report, 59-61)

Se vocês se recordam, faz algum tempo, um bispo local deu sua própria interpretação de "Forming Consciences for Faithful Citizenship", dizendo aos fiéis confiados a seu cuidado que a conferência não falava por ele. Isto está inteiramente conforme ao que o Cardeal escreveu. Os bispos individualmente são livres para adotar tais declarações e reafirmá-las em seu próprio nome para suas dioceses, mas nenhum bispo tem a obrigação de o fazer; e tais documentos não se tornam normativos para uma diocese em particular a menos que o bispo, explícita ou implicitamente, os recomende. Portanto, se o fiel insinua a um bispo que ele está agindo contrariamente a um documento pastoral publicado pela conferência, a legítima resposta do bispo seria que ele e as pessoas de sua diocese não estão vinculados às declarações da conferência a menos que ele assim determine.

Em relação a tais declarações da conferência, o Cardeal Ratzinger tem algo bastante profético para oferecer:

"Acontece que falte a alguns bispos certo senso de responsabilidade individual, e a delegação de seus poderes inalienáveis de pastor e mestre às estruturas da conferência local deixa cair no anonimato o que deveria ser muito pessoal. O grupo de bispos unidos em conferências dependem, em suas decisões, de outros grupos, de comissões constituídas para preparar anteprojetos. Acontece então que a busca de consenso entre diferentes tendências e o esforço de mediação produzem documentos esvaziados nos quais posições decisivas (onde elas poderiam ser necessárias) são enfraquecidas. (The Ratzinger Report, 59-61)


Sua Eminência cita, então, um exemplo bastante patético de sua própria terra natal. Ele recorda uma conferência episcopal realizada em seu país na década de 30:

"Bem, os documentos realmente relevantes contra o Nacional-socialismo foram aqueles que vieram de corajosos bispos individualmente. Os documentos da conferência, ao contrário, foram frequentemente lânguidos e fracos em relação ao que a tragédia requeria. (The Ratzinger Report, 59-61)

No caso mencionado acima, o bispo foi publicamente criticado pelo seus fiéis por não aceitar e adotar, não apenas um documento da conferência mas, talvez mais significativamente, suas próprias interpretações particulares daquele documento. Este não é o mesmo cenário previsto pelo Cardeal Ratzinger, mas vale certamente como um corolário seu. Existe uma compreensível confusão por parte dos fiéis, os quais - bem ou mal intencionados - leem ou interpretam uma coisa num documento da conferência e ouvem algo diferente se seu próprio bispo.

O futuro Santo Padre levanta outra questão, que é certamente um perigo real em se tratando de documentos produzidos por uma comissão. Ele destaca que a busca de consenso pode resultar num documento esvaziados - ou, como certo bispo se expressou - documentos que chegaram ao mínimo denominador comum. Assim, quando bispos individualmente - e os há mais que uns poucos - fazem declarações pessoais sobre certas situações, tais declarações são frequentemente mais fortes, audazes, decisivas e, portanto, mais sujeitas a serem criticadas como duras e insensíveis. Temo que tenha havido uma tal dieta contínua de tais documentos esvaziados de forma que qualquer coisa que os bispos individualmente publiquem que contenha alguns elementos fortes seja rápida e rotundamente condenados ou simplesmente desconsiderados como se estivessem em descompasso com a conferência ou em conflito com o que outros bispos fariam.

Para ser justo com a conferência, devo dizer que nunca vi ou ouvi da conferência, seja como um todo ou em uma comissão, fazer quaisquer observações críticas a respeito daquilo que os bispos individualmente teriam feito ou deixado de fazer em suas próprias dioceses. Acho que a conferência compreende plenamente os limites de sua jurisdição; eu não poderia dizer o mesmo acerca dos fiéis em geral. É bastante provável que os fiéis, e talvez nosso governo nacional, veja na conferência um tipo de magistério intermediário ao qual cada bispo deve obediência e respeito, e que tem sempre poder de falar pelos bispos. O que não é, de fato, o caso. Na verdade, o contrário é que foi firmemente confirmado pela Apostolos Suos. Embora reconhecendo as finalidades legítimas das conferências episcopais, o Papa João Paulo II escreveu:

"Tais finalidades exigem que se evite a burocratização dos ofícios e comissões ativas no período entre as reuniões plenárias. Importa ter em conta o fato essencial de as Conferências Episcopais, com as suas comissões e ofícios, existirem para ajudar os Bispos, e não para ocupar o lugar deles." (Apostolos Suos, 18)

No mesmo documento, encontramos outras informações do valor das conferências episcopais, mas há frequentemente uma palavra correspondente de precaução:

"A sua importância resulta do fato de contribuírem eficazmente para a unidade entre os Bispos e, consequentemente, para a unidade da Igreja, sendo um instrumento muito válido para robustecer a comunhão eclesial. Todavia a evolução da sua atividade, sempre mais vasta, suscitou alguns problemas de natureza teológica e pastoral, sobretudo no que diz respeito à sua relação com cada um dos Bispos diocesanos." (Apostolos Suos, 6)

A conferência tem sido bastante clara a respeito do fato de que prepara documentos pastorais e de que não tem autoridade, por si mesma, para publicar editos ou legislação vinculante. Uma vez que estes documentos pastorais carecem de força legislativa, eles são frequentemente estribados numa linguagem que poderíamos descrever como mais leve e menos rigorosa. O que é apropriado, já que eles pretendem ser pastorais e não legislativos. Basta um olhar para a diferença entre os documentos do Vaticano II e o Código de Direito Canônico. Um é pastoral, enquanto o outro traduz o propósito do documento pastoral em legislação concreta. A legislação depende do bispo local. O bispo diocesano tem ampla discrição em termos de ações legislativas e disciplinárias em sua própria diocese.

São Paulo aconselha Timóteo sobre os meios possíveis de lidar com o erro, destacando a necessidade de "repreender, ameaçar, exortar - ensinando constantemente, e sem perder a paciência". O tom necessário de documentos pastorais tendem mais à exortação que à repreensão ou ameaça. A instrução de Paulo a Timóteo é certamente pertinente:

"Porque virá tempo em que os homens já não suportarão a sã doutrina da salvação. Levados pelas próprias paixões e pelo prurido de escutar novidades, ajustarão mestres para si. Apartarão os ouvidos da verdade e se atirarão às fábulas. Tu, porém, sê prudente em tudo, paciente nos sofrimentos, cumpre a missão de pregador do Evangelho, consagra-te ao teu ministério." (II Tim 4, 3-5)

Documentos pastorais, reconhecendo que as pessoas perderam a tolerância com a sã doutrina, tendem a apelar sem serem necessariamente muito diretos ou críticos. O objetivo óbvio é oferecer convites gentis à conversão de modo que possa atrair aqueles que preferem mensagens agradáveis aos ouvidos. Infelizmente, dado que de natureza pastoral, tais documentos estão abertos a um amplo leque de interpretações, boas e más. Há margem para a acusação de que tais documentos são intencionalmente vagos e enganosos; e embora eu tenha tido, em certa ocasião, uma suspeita disto, seria uma falta de caridade de minha parte especular que este seja realmente o caso. Eu diria que a imprecisão, seja ou não intencional, tem sido ocasionalmente causa de preocupação e, até mesmo, de consternação.

Infelizmente, uma vez que a sã doutrina é frequentemente rejeitada de antemão, os mestres que advogam uma mensagem popular, agradável aos ouvidos, são mais admirados e calorosamente recebidos e aceitos por nossa época secularizada. Isto contribui para um esvaziamento ainda maior da mensagem. São Gregório Magno adverte que a incapacidade de ser ousado no discurso pode ser causado por um medo de reprovação. Este é um perigo muito real em nossos tempos atuais. Bem pode ser que uma dependência de documentos pastorais contenha um medo duplo: medo de reprovar os outros e medo de ser reprovado por tê-lo feito. Tristemente se esquece que tal enfoque pode tranquilizar o malfeitor com uma vaga promessa de segurança. Há um silêncio prudente, mas há também um silêncio imprudente. Há um discurso indiscreto, mas há igualmente um discurso ousado e discreto.

Facilmente bispos e padres agem com a noção equivocada de que se pregarmos o evangelho na sua plenitude seremos calorosamente saudados, acolhidos, admirados e aclamados. Não foi o caso de Timóteo, Paulo ou o do Senhor. Os Bispos não deveriam supor que seria assim conosco. Posso assegurar-lhes que fatos como este são a exceção para bispos como eu. A mensagem do evangelho, com seu chamamento à conversão, não é necessariamente fácil. O secularismo da época em que vivemos torna tudo ainda mais desafiador pregar a mensagem do evangelho em sua plenitude e colocá-lo em prática em nossas vidas.

Algumas doutrinas da Igreja são certamente contraculturais e Paulo predisse que elas não seriam toleradas e que seriam rejeitadas. Não é novidade para vocês que somos muito influenciados por atitudes culturais não necessariamente informadas pelo evangelho. Para os de mente mais secularizada, as doutrinas da Igreja podem parecer ultrapassadas, rigorosas, condenatórias ou insensíveis. Como resultado, algumas doutrinas da Igreja foram abandonadas por aquilo que poderia ser chamado, caridosamente, um tipo de negligência pastoral benigna. Para muitos, em nosso mundo politicamente correto, isto é identificado com compaixão. Na verdade, isto frequentemente acarreta uma cumplicidade ou um compromisso com o mal. As doutrinas mais duras e menos populares são, em grande parte, deixadas no esquecimento, dando assim implicitamente aprovação tácita a opiniões teológicas errôneas e enganosas. São Gregório, em sua Regra Pastoral, escreve sobre esta prática pastoral:

"Uma orientação pastoral seria silenciar quando a discrição é exigida e falar quando as palavras prestarão um serviço. De outra forma, ele poderia dizer o que não deveria ou silenciar quando deveria falar. Um discurso indiscreto pode conduzir os homens ao erro e um silêncio imprudente poderia deixar no erro quem poderia ter sido instruído. Pastores a quem falta visão hesitam em dizer abertamente o que é direito porque temem perder o favor dos homens. Como nos diz a voz da verdade, tais líderes não são pastores zelosos que protegem seus rebanhos, mas sim mercenários que se refugiam no silêncio quando o lobo aparece. O Senhor os reprova através do profeta: 'Eles são como cachorros mudos que não podem latir'. Em outra ocasião ele reclama: 'Vós não vos lançais contra o inimigo nem construís um muro de defesa para a casa de Israel, de modo a permanecerdes firmes na batalha no dia do Senhor'. Avançar contra o inimigo envolve resistência firme aos poderes do mundo em defesa do rebanho. Permanecer firme na batalha no dia do Senhor significa opor-se ao inimigo malvado por amor ao que é correto. Quando um pastor tem medo de afirmar o que é certo, permanecendo em silêncio, não terá ele virado as costas e fugido? Por outro lado, se ele intervém em defesa do rebanho, ele constrói um muro contra o inimigo em frente da casa de Israel."

Os bispos individualmente, em suas próprias dioceses, tem a responsabilidade pastoral primária de discernir entre discurso indiscreto e silêncio imprudente. Isto não envolve um julgamento particular e, quanto a isto, há grande diversidade e mesmo disparidade entre um bispo e outro. Praticamente não há disparidade entre os bispos acerca da pecaminosidade do aborto, da contracepção artificial, dos atos homossexuais, das pesquisas com células-tronco embrionárias, ou da pletora de ofensas contra a pureza; mas há grande diversidade sobre como enfrentar estes males, ou como lidar com aqueles que os se vangloriam deles ou os endorsam abertamente. Dom Charles Chaput costuma referir-se a isto como uma unidade de doutrina, mas diversidade de estratégia.

Esta diversidade de estratégia, esta decisão prudencial de calar ou falar, repousa plenamente sobre os ombros dos bispos individualmente. Assim, embora muitos possam pensar que este seria o dever da conferência, é na verdade o papel do bispo individualmente. É seu dever inalienável; e não pode ser delegado à conferência. No meu ponto de vista, as palavras de Paulo a Timóteo precisa ser considerada para se chegar ao discernimento: "Eu te conjuro em presença de Deus e de Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, por sua aparição e por seu Reino: prega a palavra, insiste oportuna e importunamente, repreende, ameaça, exorta com toda paciência e empenho de instruir." (II Tim 4, 1-2).

Alguns bispos talvez apoiam-se mais fortemente, por temperamento, na reprovação e na correção, enquanto outros favorecem um enfoque mais suave, gentil de exortação. A meu ver, o apelo tem seu lugar, mas quando o apelo constante não produz absolutamente qualquer movimento de autocorreção, reforma ou conversão, a reprovação e a correção tornam-se necessárias. Em certos momentos, há necessidade de uma resistência firme aos poderes do mundo em defesa do rebanho. O medo de ofender algum membro do rebanho abusivamente dissidente redunda em falha na defesa do rebanho. Pode redundar em incapacidade de ensinar a verdade. Nas palavras de São Gregório: "Eles hesitam em dizer abertamente o que é direito porque temem perder o favor dos homens, mas os homens e mulheres cujo favor pode estar em risco não são, nem de perto, tão favoráveis como eles imaginam".

Infelizmente, o desejo de confiar quase que exclusivamente na suave exortação pode ser indicativo do medo de reprovação. Isto não é novo. Mencionei acima o reconhecimento desta realidade por parte de São Gregório. Ele reprendeu aqueles que tinham medo de reprovar os homens por suas faltas, e assim tranquilizavam o malfeitor com uma vã promessa de segurança. Não apenas o malfeitor, mas todos os membros do rebanho que veem os malfeitores saírem impunes, começam a duvidar e questionar seus próprios valores morais. Ouço de muitos leigos que a percepção de uma falta de coragem da parte dos bispos redunda em desencorajamento dos fiéis.

Felizmente a coragem é contagiosa. Muitos de vocês reunidos aqui foram indubitavelmente encorajados, literalmente feitos mais corajosos, como resultado da coragem de Dom Raymond Burke. Vocês indubitavelmente admiraram Dom Joseph Martino e Dom Thomas Tobin por sua coragem ao confrontarem grupos dissidentes em suas dioceses. Puderam sentir um pouco de confiança ao verem Dom Thomas Olmsted de Phoenix confrontar com firmeza males morais de natureza médica. Vocês conhecem bem, apreciam e são encorajados pela coragem de Dom Fabian Bruskewitz , que resolutamente fala a verdade tão frequentemente impopular. Todos estes homens encorajam vocês, e encorajam a mim igualmente. Chego humildemente a pensar que alguns de vocês possam até ser encorajados por mim.

O que é mais digno de nota acerca de cada um destes homens corajosos é que eles agem, não como membros de um congresso de bispos, mas como bispos individuais em suas próprias dioceses. Todos eles demonstraram uma séria determinação de evitar o discurso indiscreto, ao mesmo tempo superando o que seria, por outro lado, um silêncio imprudente. Na avaliação da mídia secular, qualquer discurso firme contra um mal moral é muito frequentemente categorizado como indiscreto; enquanto o silêncio imprudente, mesmo em face de males morais muito sérios, é louvado como a epítome de compaixão á semelhança de Cristo. Apelar é louvado, enquanto corrigir e reprovar é considerado muito duro.

Vocês precisam estar cientes, também, de que a coragem episcopal está frequentemente associada ao sofrimento. Para aqueles que passaram a ser vistos desfavoravelmente nos círculos de 'iluminados', há uma disseminação de meias mentiras difamatórias, ridicularização na imprensa e na internet, rumores, fofocas e assassinato de reputações. Em geral um assassinato real seria preferível. E então há prejuízo para os fiéis praticantes da diocese que veem e ouvem estas coisas e começam a considerar se não estão enganados em sua confiança em seus bispos. Finalmente, há a sempre presente ameaça e realidade de boicote econômico, o que também tem grande peso, especialmente em dioceses pobres e pouco populosas como a minha. Quando um bispo reconhece que preferiria falar com firmeza, mas que agir assim poderia redundar em prejuízos econômicos para sua diocese, então ele percebe que as reações a ele não apenas o afetam, mas tem ramificações potencialmente negativas para as pessoas e paróquias que estão sob sua liderança pastoral. Assim, quando diante da possibilidade de publicar uma carta pastoral mais simpática ou algo um pouco mais direto, um bispo poderia escolher a delicadeza - não por convicção e nem por medo, mas por reconhecida necessidade. Às vezes, fico a imaginar o que os bispos diriam se esta consideração não mais fosse um fator em suas dioceses.

Embora minha tarefa fosse discutir o conceito de conferência dos bispos, percebi que, na realidade, só é possível falar sobre o ministério e a missão de cada bispo. Porquanto este ministério seja exercido em comunhão com seus irmãos bispos, não pode necessariamente ser exercido em conformidade com eles. As coisas que São Paulo escreveu a Timóteo aplicam-se de um modo singular aos bispos individualmente, e é difícil, senão impossível, aplicá-los à conferência dos bispos como um todo. A todo batizado é dada a tríplice dignidade de sacerdote, profeta e rei correspondentes aos três funções de Cristo: oferecer o sacrifício, ensinar e governar. Esta dignidade é inerente à pessoa e, pelo Sacramento das Sagradas Ordens, é inerente de um modo proeminente e inalienável a cada bispo. Os bispos individuais, se eles dependem muito fortemente da conferência ou simplesmente seguem suas iniciativas, o fazem sob grande perigo espiritual.

São Thomas More agiu de modo perfeitamente exato quando dele se aproximou o Duque de Norfolk, convidando-o a juntar-se a ele na assinatura do Juramento de Sucessão. O duque aponta para todos os que já tinham assinado e diz: "Não podes fazer o que eu fiz e juntar-te a nós, por companheirismo?" Thomas More replicou: "E quando estivermos diante de Deus, e tu fores mandado para o Paraíso por agir conforme tua consciência e eu condenado por não ter agido conforme a minha, tu virás comigo, por companheirismo?" Os bispos não podem simplesmente seguir a conferência em razão de companheirismo.

Para encerrar, volto a Apostolos Suos, que é maravilhosamente clara acerca das obrigações e responsabilidades dos bispos individualmente:

"Os Bispos, tanto singularmente como reunidos em Conferência, não podem autonomamente limitar o seu poder sagrado em favor da Conferência Episcopal, e menos ainda duma parte dela, quer esta seja o Conselho Permanente, uma comissão, ou o próprio Presidente." (Apostolos Suos, 20)


Este artigo baseou-se no discurso feito por Dom Robert Francis Vasa, Bispo de Baker, EUA, no 2010 InsideCatholic Partnership Award Dinner na Quinta-feira, 16 de setembro. O título de seu discurso era "Deveres Sagrados, Ministério Episcopal".


Tradução: Oblatus

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Fotos da Santa Missa Pontifical celebrada por Dom Rifan na Antiga Sé do Rio de Janeiro















Fonte: Missa Pontifical no RJ

Misas cantadas y cantos en misa





Probablemente lo que nos quieren decir con las denominaciones de misas regionales es que se cantan con sus canciones folklóricas y esto puede ser un buen reclamo para llamar la atención, pero nada más. Porque hay que empezar por afirmar que tales misas en muchos casos no son sino una completa falsificación en su sentido más pleno: falsificación de la letra y plagio de la música.

No se pueden llamar misas porque, en primer lugar, falta su texto litúrgico oficial. La Misa Solemne de Beethoven, la Misa en si menor de Bach, o la Misa de Requiem de Mozart, son tales y las conocemos como tales porque cantan los textos litúrgicos: Kyrie, Gloria, Sanctus... y no otra cosa distinta inventada por ellos, como hacen estas misas regionales que tienen el texto de un autor privado y no pueden suplir al texto oficial de la Iglesia, idéntico para todas las naciones aunque sea en francés, alemán o japonés. El texto del Ordinario de la Misa no se puede alterar.

Cuando los turistas acuden a nuestras misas, vemos que algunos tienen en sus manos pequeños misales y van siguiendo en su propia lengua paso a paso lo mismo que nosotros estamos recitando en español. Mal podrían seguir una misa con textos absolutamente extraños y estrafalarios. En conclusión, que si el texto no es el oficial de la Iglesia, no se puede llamar en modo alguno Misa. Y es increíble hasta el extremo que se pueda traicionar nada menos que el texto del Padrenuestro, que nos lo enseñó Cristo, como si nosotros pudiéramos mejorarlo.

Es cierto que, aparte de lo que es fijo e invariable, caben otros cantos como el de entrada, ofrendas, comunión y final, en los que hay más posibilidad de creación en las letras, si bien deben estar fundamentadas en inspiración bíblica y debe ser autorizadas por la autoridad eclesiástica para evitar escuchar lo que en muchas ocasiones se nos ofrece con verdaderas noñerías, tonterías, inexactitudes e incluso errores teológicos. Seamos serios.

Cualquiera puede hacer la divertida y grotesca prueba de tomar las misas castellanas que pululan por ahí, que son todo un plagio de canción tras canción, y pueden ir grabando en una cinta magnetofónica una frase de la misa y la misma de la canción original, que incluso están grabadas en el mismo tono. Los resultados son sorprendentes. Tomemos como ejemplo el Padrenuestro de una misa castellana. Con la misma música resulta esto:

Oh Padre nuestro, Dios de la tierra, (Señor alcalde, señor alcalde),

la tierra dura que sometemos, (que si no hay toros tampoco hay baile).

Santificado sea tu nombre, (y si no hay baile tampoco hay misa),

tu nombre eterno que no sabemos, (porque los mozos no la precisan).

Cuando hoy todo el mundo conocemos nuestras canciones, porque tenemos discos y cintas y espectáculos al aire libre, no es válido poner esta misma música para la liturgia. Un cristiano medianamente culto no puede cantar a Dios atentamente si la melodía que está cantado le recuerda la chica segoviana, o los mozos de Monleón, o me gustan los labradores, o... señor alcalde.

Hemos de admitir ciertamente la buena voluntad de quienes han querido hacer y cantar misas cercanas al pueblo, pero han errado en el método a seguir. Les animamos a tomar los textos litúrgicos y buscar inspiración, y no simple plagio, en la multitud de música religiosa escondida en nuestros pueblos y con peligro de desaparecer, porque en muchos casos sólo se acuerdan de ella los más viejos del lugar. Hay tonadas bellísimas de rogativas a los Cristos o Vírgenes patronas, gozos, salutaciones, loas, himnos patronales, responsorios, misereres, rosarios de la aurora, salves... Recopilar todo esto es costoso y reorganizarlo aún más, pero esto sí es religioso y fuente de inspiración. Un ejemplo muy concreto y práctico lo encontramos en la Misa Polifonica, con participación del pueblo, que se viene cantando en la fiesta de la Virgen de la Fuencisla por la Coral Voces de Castilla inspirada en el himno de la Patrona de Segovia.

El canto en la liturgia expresa y realiza las actitudes interiores de los orantes es un lenguaje universal, uno de los signos que los hombres utilizan con mayor naturalidad para manifestar su dolor o su alegría, su protesta o triunfo. El canto contribuye a crear comunidad, y a fortalecer los vínculos de unidad “El que canta (bien) reza dos veces” (S. Agustín).


+Ángel Rubio Castro

Obispo de Segovia

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Última Santa Missa de São Pio de Pietrelcina

“Padre pela Vida” denuncia mentira abortista do PT


Pe. Berardo Graz, o “Padre Pela Vida”. SÃO PAULO, 21 Set. 10 (ACI).- Em um vídeo lançado recentemente, o Pe. Berardo Graz, conhecido como o “Padre Pela Vida”, que também é coordenador da Comissão em Defesa da Vida do Regional Sul 1 da CNBB, denuncia a mentira do PT, cuja candidata à presidência Dilma Roussef, seguindo o discurso do presidente Lula, pretende considerar o aborto como “assunto de saúde pública” e promover a legalização desta prática anti-vida com a desculpa de salvar a vida de mulheres que morrem ao abortar. Para o Padre Graz, este é só um pretexto para seguir promovendo a agenda do capitalismo abortista de organizações como a Fundação Ford.

O Pe. Berardo denuncia a falsidade do argumento pelo qual está sendo proposta à opinião do pública a descriminalização do aborto. Ele diz que na boca dos políticos, incluindo o Ministro de Saúde, o Presidente Lula e a candidata Dilma Rousseff, o aborto “é uma questão de saúde pública”.

“É, mas não nos termos em que está sendo apresentado”, explicou o sacerdote.

“É, porque está se matando uma criança”.

Com relação à morte de mulheres, que sustenta a tese pela qual se pretende legalizar o infanticídio no pretexto de evitar a morte de mulheres , o Padre Graz explicou que o aborto é a última causa pela qual as mulheres morrem no Brasil.

Segundo o “Padre Pela Vida” No Brasil morrem mais ou menos 400 mil mulheres por ano. Destas 400 mil, só 1.500 ou 1.600 mulheres, morrem enquanto estão passando por uma gravidez.
“Se formos ver o item aborto dentre estas 1.500 só 200 morrem por causa de aborto”.

O Pe. Graz faz uma ressalva explicando “Aborto ainda não especificado, porque dentre destas 200, várias morrem por aborto espontâneo”, ou por alguma patologia da reprodução como por exemplo a gravidez ectópica. “Na realidade vitimas de morte por aborto clandestino ou aborto provocado não chegam a 100, ou até menos”, assevera o sacerdote, assegurando que “dentre todas as causas de morte de mulheres, o aborto é a última”.

No entanto, o sacerdote alerta para o fato de que se está colocando esta causa no topo da lista de causas de mortalidade das mulheres porque “esta é a estratégia que a Conferencia do Cairo, a Conferencia de Pequim sugeriram para fazer aceitar o aborto por parte da opinião pública”.

O Padre Graz ressalta que desde o começo dos anos 90 o Relatório da Fundação Ford, que é uma das fundações norte-americanas que estão difundindo o aborto no mundo inteiro por interesses do capitalismo internacional, vem buscando introduzir o aborto como causa de morte materna, quando estas são pouquíssimas.

Depois de relatar que o governo do PT está seguindo à risca esta agenda do relatório Ford, “sendo serviçal dos interesses do capitalismo internacional no controle demográfico”, o padre Berardo alerta para o perigo de introduzir o aborto como um suposto direito sexual e reprodutivo:

“Dizer que a mulher tem direito de matar o seu próprio filho, sem considerá-lo como um outro indivíduo, uma outra pessoa, é ir contra a própria natureza”.

“Na realidade esta luta para introduzir o aborto na nossa sociedade” é “uma luta para desacreditar aqueles que são os princípios da lei natural”, concluiu o “Padre pela Vida”.

Eis o vídeo com o posicionamento do Padre Berardo, e o alerta que ele faz sobre a participação do Partido dos Trabalhadores nos interesses do capitalismo internacional, visite:





Fonte: ACIdigital

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Diversos tipos de celebración de la Santa Misa en la Forma Extraordinaria y la participación de los fieles



Algunos sacerdotes de diversos lugares del mundo, la mayoría jóvenes, ilusionados con comenzar en su parroquia o comunidad algún tipo de celebración pública de la Misa en la forma extraordinaria, más allá de las misas privadas en las que poco a poco se han ido iniciando, me preguntan qué tipos de celebración pueden llevar a cabo y cual es el más aconsejable para las diversas condiciones pastorales de sus comunidades.

Están deseosos de llevar esa forma litúrgica al pueblo y descubrírsela como ellos la han descubierto. Tienen miedo de que los fieles sean incapaces de comprender rectamente los ritos y las ceremonias y que les resulte “infructuosa” la celebración. Más allá de insistir que aunque todos los ritos les resultasen oscuros e incomprensibles racionalmente no por ello su participación sería “infructuosa”, es decir sin fruto espiritual para sus almas, quiero reiterarles, siguiendo el pensamiento de Pío XII en la “Mediator Dei” que “el ingenio, el carácter y la índole de los hombres son tan variados y diferentes que no todos pueden ser igualmente impresionados y guiados por las oraciones o las acciones sagradas realizadas en común. Además las necesidades y disposiciones de las almas no son iguales en todos ni son siempre las mismas en cada persona”.

Dicho esto, y ateniéndonos a la legislación universal en vigor a partir del Motu proprio “Summorum Pontificum cura” y a los privilegios otorgados y a las costumbres legitimas en uso, deseo recordar que existen diversos tipos posibles de Misas.

Existen misas rezadas y Misas cantadas, según que el celebrante mismo lea o cante las partes que le corresponden.

Las misas cantadas lo son en gregoriano o polifonía clásica. Las diócesis alemanas y austriacas tienen el privilegio de que en las misas cantadas cante el pueblo en lengua vulgar los cantos del ordinario. Es la “Deutsches Hochamt”, la Misa alemana con músicas de Haydn, tan popular desde finales del siglo XVIII.

Pero entre las misas rezadas, pueden distinguirse al menos cinco tipos de celebración:

1º Misa rezada en la que responde sólo el ayudante.

2º Misa rezada dialogada con todos los presentes.

3º Misa rezada dialogada con exhortaciones y lecturas en lengua vernácula hechas por un lector.

4º Misa rezada con cantos.

5º Misa rezada dialogada con exhortaciones y lecturas en lengua vernácula con cantos.

La Iglesia se preocupa y desea de que en cada una de estas formas de celebración la “actuosa participatio” sea lo más intensa posible. Es evidente que no todos esos tipos son igualmente favorables para la plena participación activa interna y externa, que es el ideal de la vida litúrgica, según nos recuerdan la “Mediator Dei” de Pío XII y la Constitución “Sacrosanctum Concilium” del Vaticano II.

El pastor de almas ha de elegir entre todos el más favorable, según las circunstancias en las que se encuentra su parroquia o comunidad religiosa. Me parece más que evidente que el tipo de misa rezada de una parroquia de un barrio popular de una gran ciudad europea que empieza a iniciarse en la misa extraordinaria no será el mismo que una comunidad contemplativa claustral que llevase años celebrándola.

En este sentido, el grado más ínfimo de participación se tiene en la Misa rezada en la que sólo responde el ayudante. Lo cual no significa que, también en este grado, no pueda existir y no exista de hecho una participación verdaderamente fructuosa de los fieles en la liturgia. Existe, ante todo, la posibilidad de que los fieles rueguen realmente asociados, lo mejor que puedan a la acción sagrada, al menos con piadosos pensamientos y meditaciones, según sus posibilidades. Aunque se trate de un grado ínfimo desde el punto de vista del ideal que debemos perseguir, también esta forma es legítima y, a su modo, fructuosa. Un grado más alto en la participación en la Misa rezada en este tipo se tiene en los que siguen privadamente, aún sin responder, las mismas oraciones del sacerdote siguiendo una traducción de las mismas, con su “Misal de los fieles” en la mano. Poco a poco la traducción les hará seguir los ritos para más tarde comprenderlos con fruto.

La misa rezada dialogada, en la que responden todos los presentes, puede tener varios grados, en los que es oportuno introducir sucesivamente al pueblo. Primero exhortándolo a responder: “Amen” y “Et cum spiritu tuo”, luego añadiendo también otras respuestas que, de otro modo, debiera hacer el ayudante: las preces al pie del altar con Confiteor incluido, la respuesta al “Orate fratres” y las aclamaciones al inicio del “Prefacio”, por último, haciéndoles recitar junto con el sacerdote el Gloria, el Credo, el Sanctus y el Agnus Dei.

Un grado superior de participación litúrgica es la Misa dialogada con exhortaciones y lecturas (epístola y evangelio) hechas en vernáculo por un lector, según las normas y las traducciones aprobadas por la Iglesia.

Sin embargo, las exhortaciones o fervorines deben ser de suma sobriedad y discreción, evitando el peligro de que lleguen a ser una predicación o que distraigan a los fieles en vez de concentrarles en el rito litúrgico rompiendo los intervalos de silencio indispensables para la oración. A mi gusto, con una breve reseña antes de iniciarse la celebración, sobre la misa del día y sus particularidades o una breve referencia al santo conmemorado en la liturgia, es más que suficiente.

La misa rezada con cantos en lengua vernácula o con motetes o cantos gregorianos en latín correspondientes a las diversas partes del sacrificio, es otra forma de participación, bajo cierto aspecto, todavía mejor, porque el gran medio de la participación activa es siempre el canto de toda la asamblea. Estos cantos, por expresa prohibición de la Santa Sede, no pueden ser traducciones literales de los textos latinos que en aquel momento lee el sacerdote en el altar. Sin embargo es posible ir combinando Kyries, Gloria, Credo y Agnus con cantos vernáculos y motetes. Es la llamada “Misa solemnizada” que aunque no incluye el canto del Introito ni del Ofertorio o el canto de Comunión o aunque el celebrante no pueda cantar, porque esté impedido o sea incapaz, lo que le corresponde en una misa cantada (oraciones, prefacio, etc…)

5º Por ultimo, la Misa dialogada, con exhortaciones y lecturas en lengua vulgar y cantos en lengua vulgar ofrece también muchas cosas positivas, la más importante es que puede ser un buen eslabón o tramo de tránsito hacia la misa cantada, especialmente en algunas parroquias donde paulatinamente se desea reinstaurar la misa tradicional de manera estable en horario dominical.

Aún con todo, la misa a la que debemos aspirar, todos los que tenemos cura de almas y deseamos acercar la forma extraordinaria al pueblo, es la tradicional misa cantada en gregoriano, incluso mezclando la polifonía clásica (misas de Sancho Márraco, de Vilaseca, de Perosi, etc…) en la que la masa de pueblo presente puede tomar parte activa y vital redescubriendo el canto de la Iglesia y la majestuosidad de la liturgia tradicional. Esta celebración no es sólo cosa de ambientes escogidos y restringidos, de monasterios y fieles selectos.

Con un poco de esfuerzo la Misa cantada en gregoriano no es para especialistas. La ejecución práctica de este tipo de Misa debe ser una de las metas mayores que nos debemos proponer, haciéndola penetrar largamente en todas partes. Debe ser un ideal no para grupos capaces por su conocimiento del latín y habilidad en cantar gregoriano, sino para todo el pueblo fiel. No desestimemos al laicado, no le infravaloremos. No menospreciemos su sensibilidad ni queramos tutelar clericalmente su derecho a la belleza litúrgica de la Tradición de la Iglesia.

Os sorprenderíais como valoran los fieles, incluso en las parroquias más humildes, a un sacerdote considerado que no les trata elitistamente como a gente de segundo orden y que, al contrario, los implica en una educación litúrgica de la parroquia.

¡Que reverdecer litúrgico esta asegurado a las parroquias que tienen esa suerte!

O que está por trás dos ataques a Ratzinger? (2)



Entrevista com Andrea Tornielli, coautor do livro “Ataque a Ratzinger”

Por Antonio Gaspari e Carmen Elena Villa

ROMA, quarta-feira, 22 de setembro de 2010 (ZENIT.org) - Publicamos, a seguir, a continuação da entrevista realizada com o jornalista italiano Andrea Tornielli, quem, junto a Paolo Rodari, publicou recentemente a edição em italiano do livro Attacco a Ratzinger (Ataque a Ratzinger).

A primeira parte foi publicada ontem. Nesta segunda parte, Tornielli fala dos ataques externos que a Igreja e o pontificado de Bento XVI enfrentaram nos últimos anos .

ZENIT: Voltemos ao tema dos ataques que vêm de fora da Igreja: Ratisbona, preservativos, Williamsom, abusos sexuais. O que eles têm em comum?

Andrea Tornielli: Acho que a única verdade que têm em comum é a de ter desviado a atenção do que o Papa verdadeiramente queria dizer ou fazer. Por exemplo, em Ratisbona, o Papa não estava falando contra o Islã, e sim fazendo um discurso sobre a fé e a razão. Este discurso passou a um segundo plano do ponto de vista midiático. Depois, pouco a pouco se estendeu ao diálogo com os intelectuais islâmicos.

O preservativo é um tema que o Papa nunca tocou nos discursos que deu na África. Esta foi uma viagem belíssima: atenção das pessoas, participação na liturgia, mensagem importante no que diz respeito ao trabalho do Sínodo e aos aspectos importantes do desenvolvimento na África, mensagem importantes sobre o desenvolvimento de uma teologia africana. Tudo esquecido...

Assim, no caso de Williamsom, uma iniciativa como levantar a excomunhão, que era de um gesto de reconciliação, foi explicada como uma grande crise nas relações com o mundo judaico. O elemento comum é que não se transmite a verdadeira mensagem do Papa.

ZENIT: Como o livro apresenta o caso de Williamsom?

Andrea Tornielli: No livro, tentamos evidenciar que houve um problema que sempre pode ocorrer: a informação, que foi expedida da Suécia, quando foi transmitida a entrevista, não chegou a tempo ao Vaticano. Quando se decidiu concluir e levantar a excomunhão, naquele momento nem o Papa nem seus colaboradores conheciam a entrevista.

O problema, do meu ponto de vista, é o que aconteceu depois, isto é, que naqueles 4 dias que passaram entre a publicação da entrevista e o anúncio oficial, o decreto já havia sido entregue. E naquele período não se fez nada. Poderiam ter dito aos lefebvristas: "Não o publiquemos, esperemos um mês"; poderiam ter explicado o decreto por um cardeal como Kasper ou inclusive como o secretário de Estado, que dissesse em nome do Papa que estas coisas que Williamsom disse são inaceitáveis, que a Igreja não acreditou nelas nem acreditará nunca, que o gesto de levantar a excomunhão não tem nada a ver com estas ideias. A culpa é mais nossa - refiro-me a nós, os jornalistas -, mas o Vaticano poderia ter agido melhor.

ZENIT: E no caso de Murphy, mostram a forma como o New York Times manipulou a informação?

Andrea Tornielli: O problema existe, não são casos falsos, mas verdadeiros, ainda que tenham a ver com o passado. É algo gravíssimo, mas acho que em muitos casos houve falta de competência e de vontade para entender a totalidade dos fatores e se quis, de maneira direta e um pouco gratuita, chegar rápido ao Papa, dizer que ele foi o culpado por esta situação e por este fato, porque o caso dos documentos do New York Times foram traduzidos com o google translator e não correspondiam em inglês ao que na verdade estava escrito em latim. Não estou julgando os outros meios, mas é verdade que houve uma campanha que pretendia levar a responsabilidade ao Papa e que era necessário envolvê-lo nesta matéria.

ZENIT: Como analisam as reações do Papa frente a estas informações distorcidas?

Andrea Tornielli: Acho que há uma grande resposta do Papa: nunca foi a de defender-se atacando os demais, nem falando de uma campanha midiática da imprensa. Nunca se refugiou nas estatísticas, como fizeram seus colaboradores. Ele mostrou a toda a Igreja e nem toda a Igreja está atenta a ele.

Ele mostrou outro ponto de vista, que é o da fé; e disse que os maiores ataques vêm de dentro da Igreja. Ele afirma que este é um tempo de graça e de purificação. Diz que "devemos fazer penitência e mudar". Acho isso muito cristão e muito bonito, do ponto de vista do Papa. Eu gostaria que esta atitude estivesse mais ao alcance de todos.

ZENIT: Como comunicar o mais belo da mensagem do Papa? Qual é a tarefa dos jornalistas católicos ao dar a conhecer o mais belo que ele diz, ao invés de ressaltar o que as outras notícias dizem?

Andrea Tornielli: Falo a partir da minha experiência pessoal. Eu escrevo em um jornal leigo. Acho que uma perspectiva justa é a de levar em consideração certas manchetes e também certas polêmicas, mas não esquecer jamais o coração da mensagem.

Também porque é necessário recordar que não é verdade que as pessoas não se interessam pelo coração da mensagem. Isso lhes interessa mais que qualquer coisa. Hoje há uma ignorância grandíssima de conteúdos religiosos. O problema está em que o conteúdo religioso deve ser exposto, comunicado de forma que seja interessante. Não é verdade que a religião não é o coração da mensagem para os leitores.

ZENIT: Como estes escândalos influenciam do ponto de vista do cidadão comum, que não necessariamente vai buscar a verdadeira mensagem do Papa no site do Vaticano?

Andrea Tornielli: Infelizmente, percebi algo que nunca tinha visto antes, durante os meses em que estive na Irlanda, porque na Itália a situação é diferente. Vi como uma comunicação incorreta por parte da mídia e de certas manchetes que contêm citações fora de contexto pode influenciar a fé das pessoas.

Isso me impressionou porque eu pensava que o erro de comunicação e a manchete equivocada manchavam um pouco a imagem do Papa, mas confiava em que isso ficaria nos círculos midiáticos e que as pessoas, cedo ou tarde, saberiam qual é a verdade. Mas o problema é que as pessoas não sabem! Todos veem a televisão ou leem o jornal e acabam acreditando que aquilo é verdade.

Então, sim, há uma responsabilidade grandíssima, porque uma mensagem equivocada pode tocar a fé das pessoas. Acho que é necessário que a Igreja também entenda isso.

Dou um exemplo banal: quando foi publicado "O Código Da Vinci", dei várias conferências sobre o tema e havia muitas pessoas com várias perguntas. Conheci vários sacerdotes que frequentemente me diziam "Bom, é só uma novela". Agora, vários anos depois, há pesquisas acadêmicas que demonstraram que na Itália, entre adolescentes do Ensino Médio, 25% deles têm certeza de que Jesus Cristo foi casado. E qual é a fonte desta informação? Não é o pároco, é a mídia!

É necessário perceber que certas mentiras devem ser combatidas um pouco com as mesmas armas; não com outras mentiras, mas sim com uma mensagem e com uma linguagem que busquem o mesmo nível de difusão, de clareza e de interesse.

ZENIT: Você escreveu dois livros sobre Pio XII, Paulo VI. Que relação você vê entre os ataques a esses papas e os ataques atuais?

Andrea Tornielli: Há algumas coisas em comum, ainda que eu também deva dizer que os ataques contra Pio XII vieram justamente depois da sua morte, por isso era algo completamente diferente. Em contrapartida, os ataques a Paulo VI foram duríssimos em comparação com Ratzinger. A situação hoje é muito melhor.

Os ataques contra Paulo VI eram ferozes, estavam dentro da Igreja e eram de uma maldade e uma força verdadeiramente devastadoras, tanto que ele, depois de ter escrito a encíclica Humane Vitae (1968), não pôde escrever mais encíclicas para não submeter um documento de tanta autoridade, como no caso de uma encíclica, a críticas tão fortes. Mas também é necessário ter uma visão histórica e acho que há muitas semelhanças, mas a época é diferente.

Hoje nos encontramos diante do fato de que, para Bento XVI, há um preconceito negativo, que é apresentado como retrógrado, como antidemocrático, antiliberal e contra a modernidade, e isso é, infelizmente, muito difícil de desmantelar.

Com relação ao caso de Pio XII, dizem que era amigo dos nazistas, que era antissemita. Você pode escrever o que quiser e mostrar todos os argumentos que quiser, mas é um trabalho dificílimo, de muitos anos, para mudar as ideias pouco a pouco. A sorte é que, enquanto Pio XII morreu sem poder defender-se, Bento XVI encontrou pessoas que, quando o escutam, percebem que o retrato que a mídia construiu não corresponde à realidade.


Fonte: Zenit