terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Nota da Congregação para a Doutrina da Fé sobre a banalização da sexualidade a propósito de algumas leituras de «Luz do mundo»


Por ocasião da publicação do livro-entrevista de Bento XVI, «Luz do Mundo», foram difundidas diversas interpretações não correctas, que geraram confusão sobre a posição da Igreja Católica quanto a algumas questões de moral sexual. Não raro, o pensamento do Papa foi instrumentalizado para fins e interesses alheios ao sentido das suas palavras, que aparece evidente se se lerem inteiramente os capítulos onde se alude à sexualidade humana. O interesse do Santo Padre é claro: reencontrar a grandeza do projecto de Deus sobre a sexualidade, evitando a banalização hoje generalizada da mesma.

Algumas interpretações apresentaram as palavras do Papa como afirmações em contraste com a tradição moral da Igreja; hipótese esta, que alguns saudaram como uma viragem positiva, e outros receberam com preocupação, como se se tratasse de uma ruptura com a doutrina sobre a contracepção e com a atitude eclesial na luta contra o HIV-SIDA. Na realidade, as palavras do Papa, que aludem de modo particular a um comportamento gravemente desordenado como é a prostituição (cf. «Luce del mondo», 1.ª reimpressão, Novembro de 2010, p. 170-171), não constituem uma alteração da doutrina moral nem da praxis pastoral da Igreja.

Como resulta da leitura da página em questão, o Santo Padre não fala da moral conjugal, nem sequer da norma moral sobre a contracepção. Esta norma, tradicional na Igreja, foi retomada em termos bem precisos por Paulo VI no n.º 14 da Encíclica Humanae vitae, quando escreveu que «se exclui qualquer acção que, quer em previsão do acto conjugal, quer durante a sua realização, quer no desenrolar das suas consequências naturais, se proponha, como fim ou como meio, tornar impossível a procriação». A ideia de que se possa deduzir das palavras de Bento XVI que seja lícito, em alguns casos, recorrer ao uso do preservativo para evitar uma gravidez não desejada é totalmente arbitrária e não corresponde às suas palavras nem ao seu pensamento. Pelo contrário, a este respeito, o Papa propõe caminhos que se podem, humana e eticamente, percorrer e em favor dos quais os pastores são chamados a fazer «mais e melhor» («Luce del mondo», p. 206), ou seja, aqueles que respeitam integralmente o nexo indivisível dos dois significados – união e procriação – inerentes a cada acto conjugal, por meio do eventual recurso aos métodos de regulação natural da fecundidade tendo em vista uma procriação responsável.

Passando à página em questão, nela o Santo Padre refere-se ao caso completamente diverso da prostituição, comportamento que a moral cristã desde sempre considerou gravemente imoral (cf. Concílio Vaticano II, Constituição pastoral Gaudium et spes, n.º 27; Catecismo da Igreja Católica, n.º 2355). A recomendação de toda a tradição cristã – e não só dela – relativamente à prostituição pode resumir-se nas palavras de São Paulo: «Fugi da imoralidade» (1 Cor 6, 18). Por isso a prostituição há-de ser combatida, e os entes assistenciais da Igreja, da sociedade civil e do Estado devem trabalhar por libertar as pessoas envolvidas.

A este respeito, é preciso assinalar que a situação que se criou por causa da actual difusão do HIV-SIDA em muitas áreas do mundo tornou o problema da prostituição ainda mais dramático. Quem sabe que está infectado pelo HIV e, por conseguinte, pode transmitir a infecção, para além do pecado grave contra o sexto mandamento comete um também contra o quinto, porque conscientemente põe em sério risco a vida de outra pessoa, com repercussões ainda na saúde pública. A propósito, o Santo Padre afirma claramente que os preservativos não constituem «a solução autêntica e moral» do problema do HIV-SIDA e afirma também que «concentrar-se só no preservativo significa banalizar a sexualidade», porque não se quer enfrentar o desregramento humano que está na base da transmissão da pandemia. Além disso é inegável que quem recorre ao preservativo para diminuir o risco na vida de outra pessoa pretende reduzir o mal inerente ao seu agir errado. Neste sentido, o Santo Padre assinala que o recurso ao preservativo, «com a intenção de diminuir o perigo de contágio, pode entretanto representar um primeiro passo na estrada que leva a uma sexualidade vivida diversamente, uma sexualidade mais humana». Trata-se de uma observação totalmente compatível com a outra afirmação do Papa: «Este não é o modo verdadeiro e próprio de enfrentar o mal do HIV».

Alguns interpretaram as palavras de Bento XVI, recorrendo à teoria do chamado «mal menor». Todavia esta teoria é susceptível de interpretações desorientadoras de matriz proporcionalista (cf. João Paulo II, Encíclica Veritatis splendor, nn.os 75-77). Toda a acção que pelo seu objecto seja um mal, ainda que um mal menor, não pode ser licitamente querida. O Santo Padre não disse que a prostituição valendo-se do preservativo pode ser licitamente escolhida como mal menor, como alguém sustentou. A Igreja ensina que a prostituição é imoral e deve ser combatida. Se alguém, apesar disso, pratica a prostituição mas, porque se encontra também infectado pelo HIV, esforça-se por diminuir o perigo de contágio inclusive mediante o recurso ao preservativo, isto pode constituir um primeiro passo no respeito pela vida dos outros, embora a malícia da prostituição permaneça em toda a sua gravidade. Estas ponderações estão na linha de quanto a tradição teológico-moral da Igreja defendeu mesmo no passado.

Em conclusão, na luta contra o HIV-SIDA, os membros e as instituições da Igreja Católica saibam que é preciso acompanhar as pessoas, curando os doentes e formando a todos para que possam viver a abstinência antes do matrimónio e a fidelidade dentro do pacto conjugal. A este respeito, é preciso também denunciar os comportamentos que banalizam a sexualidade, porque – como diz o Papa – são eles precisamente que representam a perigosa razão pela qual muitas pessoas deixaram de ver na sexualidade a expressão do seu amor. «Por isso, também a luta contra a banalização da sexualidade é parte do grande esforço a fazer para que a sexualidade seja avaliada positivamente e possa exercer o seu efeito positivo sobre o ser humano na sua totalidade» («Luce del mondo», p. 170).


Bento XVI em outro discurso histórico à Cúria Romana: a Igreja deve fazer a fé resplandecer


VATICAN CITY, VATICAN - DECEMBER 20:  Pope Benedict XVI receives the Roman Curia for the annual Christmas greetings at the Clementina Hall on December 20, 2010 in Vatican City, Vatican. During his traditional Christmas speech to the cardinals and bishops Benedict XVI said revelations of abuse in 2010 reached an unimaginable dimension that required the church to accept the humiliation as a call for renewal.

Discurso à Cúria Romana

CIDADE DO VATICANO, segunda-feira, 20 de dezembro de 2010 (ZENIT.org) - A Igreja deve fazer resplandecer a fé no amor de Deus, disse Bento XVI, na tradicional audiência aos membros da Cúria Romana e do governo, por ocasião da troca de votos natalícios.


Em seu discurso, pronunciado na manhã de hoje, na Sala Régia do Palácio Apostólico, o Papa quis recordar alguns acontecimentos importantes do ano que já está terminando, incluindo o Sínodo das Igrejas do Oriente Médio.

"Com base no espírito da fé e na sua razoabilidade, o Sínodo desenvolveu um grande conceito do diálogo, do perdão, do acolhimento recíproco; conceito esse, que agora queremos gritar ao mundo", destacou.

E acrescentou: "Assim, as palavras e os pensamentos do Sínodo devem ser um forte brado, dirigido a todas as pessoas com responsabilidade política ou religiosa, para que detenham a cristianofobia; para que se levantem em defesa dos prófugos e dos atribulados e na revitalização do espírito da reconciliação".

Para Bento XVI, "a regeneração só pode vir de uma fé profunda no amor reconciliador de Deus. Fortalecer esta fé, alimentá-la e fazê-la resplandecer é a missão principal da Igreja nesta hora".

Com os ortodoxos

Neste contexto, o Papa recordou sua viagem a Chipre e a inesquecível "hospitalidade da Igreja Ortodoxa, que pudemos experimentar, imensamente agradecidos".

No que diz respeito às relações com os ortodoxos, indicou que, "embora ainda não nos tenha sido concedida a plena comunhão, todavia constatamos com alegria que a forma basilar da Igreja antiga nos une profundamente uns aos outros".

Neste sentido, referiu-se ao "ministério sacramental dos bispos enquanto portador da tradição apostólica, a leitura da Escritura segundo a hermenêutica da Regula fidei, a compreensão da Escritura na unidade multiforme centrada em Cristo, desenvolvida graças à inspiração de Deus e, por fim, a fé na centralidade da Eucaristia na vida da Igreja".

"Assim encontramos ao vivo a riqueza dos ritos da Igreja antiga mesmo dentro da Igreja Católica", destacou, recordando as liturgias com os maronitas e os melquitas, as celebrações em rito latino e os momentos de oração ecumênica com os ortodoxos.

Desejo de paz

No entanto, acrescentou, "vimos também o problema do país dividido". "Tornavam-se visíveis culpas do passado e feridas profundas, mas também o desejo de paz e de comunhão como existiram antes", disse.

Segundo o Papa, "só com o acordo e a compreensão mútua se pode restabelecer a unidade. Preparar a gente para esta atitude de paz é uma missão essencial da pastoral".

Com relação à situação no Oriente Médio, indicou que "nos tumultos dos últimos anos, foi abalada a história de partilha, as tensões e as divisões cresceram, de tal modo que somos testemunhas sempre de novo e com terror de atos de violência nos quais se deixou de respeitar aquilo que para o outro é sagrado, e, pior ainda, desmoronam-se as regras mais elementares da humanidade".

"Na situação atual, os cristãos são a minoria mais oprimida e atormentada", declarou.

Reino Unido

Em seu discurso, o Papa também se referiu à visita pastoral que fez ao Reino Unido de 16 a 19 de setembro.

Exortou a buscar uma contínua conversão à fé em Deus e recordou a beatificação do cardeal John Henry Newman, de quem destacou a conversão "à fé no Deus vivo".

Até o momento dessa conversão, explicou, "Newman pensava como a média dos homens do seu tempo e como a média dos homens também de hoje, que não excluem pura e simplesmente a existência de Deus, mas consideram-na em todo o caso como algo incerto, que não tem qualquer função essencial na própria vida".

"Como verdadeiramente real apresentava-se-lhe, a ele como aos homens do seu e do nosso tempo, o empírico, aquilo que se pode materialmente agarrar."

Em sua conversão, destacou, "Newman reconhece precisamente que as coisas estão ao contrário: Deus e a alma, o próprio ser do homem a nível espiritual constituem aquilo que é verdadeiramente real, aquilo que conta. São muito mais reais que os objetos palpáveis".

Nesse contexto, "aquilo que até então lhe apareceu irreal e secundário, revela-se agora como a realidade verdadeiramente decisiva".

"Onde se dá tal conversão, não é simplesmente um teoria que é mudada; muda a forma fundamental da vida. De tal conversão, todos nós temos incessante necessidade: então estaremos no reto caminho."

Consciência

O Papa recordou depois que "a forma motriz que impelia pelo caminho da conversão era a consciência", mas não em sua concepção moderna, para a qual, "em matéria de moral e de religião, a dimensão subjetiva, o indivíduo, constitui a última instância de decisão".

Segundo esta linha de pensamento, "ao objetivo pertencem as coisas que se podem calcular e verificar através da experiência".

"A religião e a moral se subtraem a estes métodos, são consideradas como âmbito do subjetivo", e neste campo poderia decidir "apenas o indivíduo, com as suas intuições e experiências".

Segundo o Pontífice, a concepção que Newman tinha da consciência era totalmente oposta.

Para ele, de fato, "‘consciência' significa a capacidade de verdade do homem: a capacidade de reconhecer, precisamente nos âmbitos decisivos da sua existência - religião e moral -, uma verdade, a verdade".

"A consciência, a capacidade do homem de reconhecer a verdade, impõe-lhe, ao mesmo tempo, o dever de se encaminhar para a verdade, procurá-la e submeter-se a ela onde quer que a encontre", continuou.

"Consciência é capacidade de verdade e obediência à verdade, que se mostra ao homem que procura de coração aberto."

O de Newman é, portanto, "um caminho da consciência: um caminho não da subjetividade que se afirma, mas, precisamente ao contrário, da obediência à verdade que pouco a pouco se abria para ele".

A conversão de Newman ao catolicismo, prosseguiu o Bispo de Roma, "exigia-lhe o abandono de quase tudo o que lhe era caro e precioso: os seus haveres e a sua profissão, o seu grau acadêmico, os laços familiares e muitos amigos".

"Newman sempre estivera consciente de ter uma missão para a Inglaterra. Mas, na teologia católica do seu tempo, dificilmente podia ser ouvida a sua voz", porque "era demasiado alheia à forma dominante do pensamento teológico e mesmo da devoção".

"Na humildade e na escuridão da obediência, ele teve de esperar até que a sua mensagem fosse utilizada e compreendida."

Responsabilidade comum

Em seu discurso, Bento XVI recordou o encontro que teve com o mundo da cultura no Westminster Hall, "no qual a consciência da responsabilidade comum neste momento histórico suscitou grande atenção, que em última análise se concentrou na questão acerca da verdade e da própria fé".

"Que, neste debate, a Igreja deve prestar a própria contribuição, era evidente para todos", afirmou.

E concluiu esta questão citando Alexis de Tocqueville, quem "observou que, na América, a democracia se tornara possível e funcionara porque existia um consenso moral de base que, ultrapassando as diversas denominações, a todos unia".

"Só se houver tal consenso acerca do essencial é que podem funcionar as constituições e o direito. Este consenso de fundo proveniente do patrimônio cristão está em perigo sempre que no seu lugar, no lugar da razão moral, entra a mera racionalidade dos fins."

"Combater contra esta cegueira da razão e manter-lhe a capacidade de ver o essencial, de ver Deus e o homem, aquilo que é bom e o que é verdadeiro, é o interesse comum que deve unir todos os homens de boa vontade. Está em jogo o futuro do mundo."


Fonte: Zenit e Daylife

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

MENSAGEM DO PAPA PARA O 44º DIA MUNDIAL DA PAZ




Cidade do Vaticano, 16 dez (RV) - Foi apresentada hoje na Sala de Imprensa da Santa Sé, a Mensagem de Bento XVI para o 44° Dia Mundial da Paz sobre o tema “Liberdade religiosa, caminho para a paz”. Participou da apresentação, entre outros, o Presidente do Pontifício Conselho Justiça e Paz, Cardeal Peter Kodwo Appiah Turkson.

Em sua mensagem, o papa condena todas as formas de fanatismo e fundamentalismo religioso ou antirreligioso" que impedem "a promoção e a tutela da Justiça e do direito de cada um".

"A mesma determinação com que se condenam todas as formas de fanatismo e fundamentalismo religioso há de animar a oposição a todas as formas de hostilidade contra a religião, que limitam o papel público dos fieis na vida civil e política" – diz o Santo Padre no texto.

"O ordenamento jurídico em todos os níveis - nacional e internacional - quando consente ou tolera o fanatismo religioso ou antirreligioso, não cumpre com sua missão, que consiste na tutela e promoção da Justiça e do direito de cada um" – sublinha.

"Não se pode esquecer que o fundamentalismo religioso e o laicismo são formas especulares e extremas de rechaço do legítimo pluralismo e do princípio de laicidade" – diz ainda o pontífice.

O papa condena também as "perseguições, discriminações, atos de violência e intolerância" que sofrem as comunidades cristãs na Ásia, na África, no Oriente Médio e, especialmente, na Terra Santa.

"Peço a todos os responsáveis que atuem prontamente para pôr fim a todas as violências contra os cristãos que vivem nessas regiões" – pede Bento XVI.

"Às comunidades cristãs que sofrem perseguições, discriminações, atos de violência e intolerância, em particular na Ásia, na África, no Oriente Médio e, especialmente, na Terra Santa (...) renovo meu afeto paterno e lhes asseguro minhas orações" – diz o Santo Padre.

"A violência não se vence com a violência. Que nosso grito de dor seja sempre acompanhado pela fé, esperança e testemunho do amor de Deus" – convida o papa.

Em sua mensagem, Bento XVI também pede que, "no Ocidente, especialmente na Europa, cessem a hostilidade e os preconceitos contra os cristãos, pelo simples fato de tentarem orientar suas vidas em conformidade com os valores e princípios contidos no Evangelho". (AF)



quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Dar a vida inteira em resposta ao amor de Cristo crucificado, exorta Bento XVI


.- Na audiência geral de hoje o Papa Bento XVI falou sobre Santa Verônica Giuliani. O Santo Padre disse que podemos aprender dela a entrega total de nós mesmos em resposta ao amor de Cristo crucificado que deu sua vida pela salvação de todos.

O Papa presidiu a audiência geral no Sala Paulo VI e dedicou sua catequese a Santa Verônica, monja clarisa capuchinha do século XVII, cujo 350º aniversário de nascimento será celebrado no próximo 27 de dezembro.

Esta Santa nasceu em Mercatello (Itália) em 1660, "era a última de sete irmãs, das quais três abraçaram a vida monástica". Recebeu o nome de Ursula. Aos 17 anos entra no monastério das Clarisas Capuchinhas de Città di Castello, onde permanece durante o resto de sua vida. Ali recebe o nome de Verônica.

"Um ano depois faz a profissão religiosa solene e inicia um caminho de configuração com Cristo através de muitas penitências, grandes sofrimentos e algumas experiências místicas relacionadas com a Paixão de Jesus".

Em 1716, aos 56 anos, chega a ser abadessa do monastério e é confirmada nesse cargo até a sua morte em 1727, depois de uma dolorosa agonia de 33 dias. Foi proclamada santa em 26 de maio de 1839 pelo Papa Gregorio XVI.

O Santo Padre assinalou que a principal fonte para reconstruir o pensamento da santa é seu diário de 22 mil páginas manuscritas: "Santa Verônica tem uma espiritualidade marcadamente cristológico-esponsal: a experiência de ser amados por Cristo, Marido fiel e sincero, e de querer corresponder com um amor cada vez mais participativo e apaixonado".

"Oferece suas orações e sacrifícios pelo Papa, seu bispo, os sacerdotes e todos aqueles que o necessitam, incluindo as almas do purgatório. Verônica vive de uma maneira profunda a participação no amor sofredor de Jesus. Ela chega a pedir a Jesus para ser crucificada com Ele".

Santa Verônica "está convencida de participar já no Reino de Deus, mas ao mesmo tempo invoca a todos os Santos da Pátria celestial para que a ajudem no caminho terreno de sua doação, em espera da bem-aventurança eterna; esta é a aspiração constante de sua vida".

"Os momentos fortes da experiência mística de Verônica nunca se separam dos acontecimentos salvíficos celebrados na liturgia, onde ocupa um lugar especial a proclamação e a escuta da Palavra de Deus. A Sagrada Escritura, portanto, ilumina, purifica, confirma a experiência de Verônica, fazendo-a eclesiástica. Ela, de fato, não só se expressa com as palavras da Sagrada Escritura, mas também vive delas".

O Santo Padre sublinhou que "Verônica se revela, em particular, uma valente testemunha da beleza e do poder do amor divino. Também com a Virgem Maria ela mantém uma relação de profunda intimidade".

"Santa Verônica Giuliani nos convida a fazer crescer em nossa vida cristã a união com o Senhor, abandonando-nos à sua vontade com confiança plena e total, e a união com a Igreja, Esposa de Cristo".

Esta santa, conclui o Santo Padre, "nos convida a alimentar-nos cotidianamente da Palavra de Deus para acender nosso coração e orientar nossa vida. As últimas palavras da Santa podem ser consideradas a síntese de sua experiência mística apaixonada: ‘encontrei o Amor, e o Amor se deixou contemplar!’.

Aos peregrinos de língua portuguesa, o Papa dirigiu uma cordial saudação de boas-vindas:

“Fortes na fé, possam os vossos corações estar sempre ao serviço dos irmãos por amor de Deus. Sobre vós e vossas famílias, invoco abundantes bênçãos do Céu, sendo a maior e o resumo de todas elas Jesus Cristo, Deus feito homem. A sua presença alegre a vossa vida, como sucedeu com a Virgem Mãe, que O concebeu por obra do Espírito Santo! Feliz Natal!”, expressou o Pontífice.

Intervista a Mons. Luigi Negri, vescovo di San Marino - Montefeltro, sulla Liturgia, l'insegnamento del Papa ed il motu proprio Summorum Pontificum




Intervista

Ieri come oggi c’è chi vorrebbe ridurre la Messa a “palestra di socialità”


“Il Papa frenato da forze negative”

Mons. Negri fa il punto sulla riforma della riforma

Paolo Facciotto

DOMAGNANO - “Nel rapporto con la liturgia si decide il destino della fede e della Chiesa”: lo dice Joseph Ratzinger-Benedetto XVI nel primo volume della sua opera omnia, “Teologia della liturgia”. Il 27 novembre ai Vespri d’inizio Avvento, il Papa ha inoltre definito la liturgia “il luogo dove viviamo la verità e dove la verità vive con noi”.

Affrontiamo questi temi a tu per tu con il vescovo di San Marino - Montefeltro, mons. Luigi Negri, che si prepara alla visita del Papa nel 2011.

Eccellenza, il tratto distintivo di questo pontificato è il rapporto tra fede e ragione: perché insistere sulla liturgia?

«La liturgia è la vita di Cristo che si attua nella Chiesa e coinvolge esistenzialmente i cristiani. La liturgia non è semplicemente un culto che si elevi dall’uomo a Dio, come nella stragrande maggioranza delle formulazioni religiose naturali.

La liturgia è l’attuarsi ampio dell’avvenimento della vita, passione, morte e resurrezione del Signore che prende forma nell’organismo sacramentale e coinvolge i cristiani in senso sostanziale e fondamentale, facendoli appartenere a Cristo e alla Chiesa attraverso i sacramenti dell’iniziazione cristiana, e poi li accompagna nelle grandi scelte e nelle grandi stagioni della loro vita. Nelle grandi scelte vocazionali - matrimonio, ordine - o nelle stagioni della vita. Ora, la liturgia difende la fattualità di Cristo e della Chiesa. Per questo ho molta gratitudine verso il professor De Mattei, il suo straordinario volume sulla storia del Vaticano II e le pagine dedicate a un lento e inesorabile “socializzarsi” della liturgia, già prima del Concilio: come se il valore della liturgia fosse nella possibilità che il cosiddetto popolo cristiano partecipasse attivamente a un evento che era poi svuotato di fatto della sua sacramentalità e finiva per essere un’iniziativa di socialità cattolica.

E io credo che sulla liturgia si giochi la verità della fede perché si gioca la grande alternativa che Benedetto XVI ha messo all’inizio della “Deus caritas est”: il cristianesimo non è un’ideologia di carattere religioso, non è un progetto di carattere moralistico, ma è l’incontro con Cristo che permane e si svolge nella vita della Chiesa e nella vita di ogni cristiano.

La liturgia rende il fatto di Cristo presente nel flusso e nel riflusso delle generazioni: “Fate questo in memoria di me”. Io credo che anche la difesa di una coscienza esatta del dogma dipenda dalla verità con cui viene vissuta la liturgia. In questo senso da sempre la Chiesa ha affermato che “lex orandi, lex credendi”: è la legge del pregare che fa nascere la legge del credere, ma soprattutto che la vigila in maniera adeguata e positiva.»

Due aspetti mi sembrano centrali nel libro di Ratzinger “Teologia della liturgia”: la prevalenza purtroppo verificatasi, di un senso della messa come assemblea, “evento di un determinato gruppo o Chiesa locale”, cena, quindi la partecipazione intesa come l’agire di varie persone che secondo l’autore si trasforma talvolta in parodia. E poi la celebrazione verso il popolo che per una serie di equivoci e fraintendimenti “appare oggi come il frutto del rinnovamento liturgico voluto dal Concilio”, scrive il Papa: conseguenze, la comunità come cerchio chiuso in se stesso, e una clericalizzazione mai vista prima dove tutto converge verso il celebrante.

«Io sono d’accordo che il Papa dovrà continuare una “riforma della riforma” liturgica del Concilio, usando un’espressione di don Nicola Bux. Ma deve essere detto con estrema chiarezza che il Papa sta facendo fatica a fare questa “riforma della riforma”.

Esistono delle tendenze negative di resistenza, neanche tanto passiva. La riforma liturgica venuta dopo il Concilio, il più delle volte si è sostanziata di pseudo-interpretazioni, o ha fatto valere casi eccezionali come norma - basti per tutti il problema della lingua, o quello della distribuzione della comunione sulla mano. Ci sono stati veri e propri colpi di mano delle Conferenze episcopali nei confronti di Roma.

C’è stata certamente una debolezza della reazione vaticana, dovuta probabilmente a tensioni e contro-tensioni anche all’interno delle strutture che dovevano regolare l’interpretazione esatta e l’attuazione del Concilio. Ora, pur tenendo presente questi dati condizionanti con cui un governo della Chiesa deve fare realisticamente i conti, l’alternativa è fra una sociologizzazione della liturgia - come dire, un funzionamento adeguato delle leggi e dei comportamenti della comunità cristiana radunata per celebrare l’eucaristia, che diventa il soggetto della celebrazione eucaristica, anziché l’interlocutore privilegiato - e il riportare al centro il vero soggetto della celebrazione eucaristica, che è Gesù Cristo in persona. La struttura della tradizione liturgica così come anche la Chiesa del Concilio l’ha ricevuta, salva i diritti di Cristo e la presenza di Cristo. Allora tutto ciò che viene fatto per estenuare o ridurre la coscienza della presenza di Cristo a tutto vantaggio della modalità con cui la comunità è presente, è una perdita del valore ultimo della liturgia, del valore ontologico, direbbe don Giussani, e quindi metodologico e educativo. Nel tempo in cui andava in vigore per la prima volta la riforma del Concilio Vaticano II, una altissima personalità vaticana - non posso dirle quale, ma è vero perché l’ho letto coi miei occhi - scrisse che così finalmente la celebrazione della messa ritornava ad essere “una sana palestra di socialità cattolica”. Anziché la memoria della presenza di Cristo che muore e risorge, che crea il popolo nuovo, che sostiene e lancia il popolo nuovo nella missione, “una sana palestra di socialità cattolica”.»

Mi può dire almeno se era un gradino più in su di monsignor Bugnini?

«Molti gradini più in su di monsignor Bugnini.»

“In Italia, salvo poche lodevoli eccezioni, i vescovi e i superiori degli Ordini religiosi si sono opposti all’applicazione del motu proprio”: lo ha dichiarato pubblicamente il vicepresidente della Pontificia Commissione Ecclesia Dei a un anno di distanza dalla “Summorum Pontificum” con cui Benedetto XVI ha “liberalizzato” la liturgia tradizionale tridentina. Una denuncia molto forte di disobbedienza dell’episcopato italiano. A che punto siamo nell’applicazione del motu proprio? Nella sua diocesi, sono presenti celebrazioni della liturgia nella forma straordinaria del Messale Romano del 1962?

«Io ho cercato di attuare, oltre che di recepire e di spiegare al mio clero il senso profondo di questo motu proprio, che per me è una possibilità data a chi vuole nella Chiesa di valorizzare una ricchezza più ampia e articolata di quello che è a disposizione di tutti. E’ come se il Papa avesse riaperto la possibilità di una celebrazione liturgica che il singolo e il gruppo sente più corrispondente al suo desiderio di crescita e ai suoi princìpi.

Devo dire però che sono mancate fino ad ora le norme applicative, che noi stiamo aspettando da anni.

Sostanzialmente per quello che si può fare oggi, là dove il vescovo ha obbedito, come nel mio caso, si celebrano non molte, ma tutte quelle messe che sono state chieste, secondo la modalità precisamente identificata dal motu proprio. Quando precedentemente ho detto che il Papa fa fatica a far passare la “riforma della riforma” avevo esattamente in mente un motu proprio che manca, a più di tre anni dalla sua promulgazione, delle dimensioni applicative. Ma mi pare che il rifiuto, la resistenza siano stati non tanto sul motu proprio, bensì sul fatto che la riforma liturgica del Vaticano II, così come i testi vengono interpretati e come la liturgia si è andata determinando, sembra non possa più essere messa in discussione. La resistenza è sulla possibilità stessa, che invece il Papa ha aperto, di avere altre forme di attuazione della vita liturgico-sacramentale: è questo in questione, non le applicazioni. Mentre il Papa ha detto: c’è una ricchezza liturgico-sacramentale a cui tutta la Chiesa, se vuole, può accedere senza che tutto sia ricondotto a una sola forma; secondo me, c’è un largo strato della ecclesiasticità che ritiene che invece la riforma del Concilio Vaticano II azzeri tutto ciò che vien prima. E’ quella ermeneutica della discontinuità su cui il Papa è intervenuto con molta chiarezza e decisione.»

Per un sondaggio della Doxa il 71% dei cattolici troverebbe normale che nella propria parrocchia convivessero le due forme del rito romano, tradizionale e nuovo. Il 40% di chi va a messa tutte le domeniche, se la trovasse in parrocchia, preferirebbe andare tutte le settimane alla messa di san Pio V. Come commenta questi dati, da prendere con le molle come ogni sondaggio?

«Rimango dell’avviso che, a parte questi dati, oggi la Chiesa deve essere molto disponibile a offrire forme e modi di partecipazione alla vita di Cristo, che corrispondano nella loro diversità alla diversità inevitabile che esiste fra gli uomini e fra i giovani. Io credo che ci debba animare un sincero entusiasmo missionario. Nel momento in cui le chiese si svuotano e ci sono tante difficoltà a una percezione adeguata del mistero di Cristo e della Chiesa, tutto ciò che può facilitare questo va utilizzato, ma non per affermare le proprie opzioni ideologiche! Lo scontro tradizionalismo-progressismo non ha più ragion d’essere, e di questo superamento siamo veramente debitori a Benedetto XVI. Sono contrapposizioni ideologiche che ipostatizzano punti di vista, sensibilità, forme, anziché chiedersi che cosa serve di più la missione della Chiesa e quindi il suo compito educativo.»

Come celebrava messa don Luigi Giussani? Qual era il suo pensiero sulla liturgia e come recepì la riforma?

«Ho visto Giussani celebrare secondo il rito di san Pio V: lo celebrava con la consapevolezza profonda di diventare protagonista di un evento di grazia che apriva al cuore e alla vita degli uomini. E l’ho visto celebrare secondo la liturgia riformata, allo stesso modo. Giussani andava all’essenziale ed era per sua natura non incline a sottolineare eccessivamente i particolari. Non posso dire come ha reagito alla riforma perché a memoria mia non ne abbiamo mai parlato, né fra noi due, anche se abbiamo avuto centinaia di ore di colloquio su tutti i problemi della vita della Chiesa e della società, né pubblicamente. Ma l’immagine della liturgia che aveva è contenuta in quel bellissimo volumetto “Dalla liturgia vissuta, una proposta”. Credo che la liturgia tradizionale come la liturgia riformata, se si mantengono nella identità che viene riconosciuta loro dal magistero, possano favorire che una vita diventi una proposta di vita: la liturgia è una vita, la vita di Cristo coi suoi, che diventa proposta di vita. Non credo che fosse disposto a morire per salvare la liturgia di san Pio V, ma non credo neanche - per come l’ho conosciuto in cinquant’anni di convivenza - che dicesse immediatisticamente che la liturgia del Vaticano II fosse la migliore possibile. Anzi, credo che come su altre questioni del Concilio Vaticano II, avesse qualche difficoltà interpretativa, come poi adesso è riconosciuto da parte della stragrande maggioranza dei pastori e dei teologi intelligenti. E’ così vero che dopo quarant’anni, Benedetto XVI dice che comincia adesso una vera interpretazione del Concilio.»

Che caratteristiche avrà la parte religiosa ed ecclesiale della visita del Papa a San Marino nel 2011?

«Ci sarà una celebrazione della Messa a San Marino per tutta la diocesi, allo stadio di Serravalle, la mattina del 19 giugno, secondo il programma ufficioso che piano piano sta diventando ufficiale.»

In questi giorni Lei è stato fatto oggetto della osservazione di un giornalista, su di un giornale laico, sulla sproporzione fra la sua personalità - “punta di diamante” - e la diocesi che Le è stata affidata, definita “diocesi da operetta”...

«Sono grato a questo giornalista per gli elogi, anche un po’ immeritati, che mi ha fatto, non soltanto in questo caso ma anche in altri momenti. Nei cammini tortuosi che si concludono con una provvista di una determinata chiesa particolare, oppure di una responsabilità anche centrale nella conduzione della Chiesa, nessuno, meno che mai il sottoscritto, è così ingenuo da non capire che ci sono movimenti, contro-movimenti, reazioni, contro-reazioni, interessi, solidarietà, che hanno un grosso peso. Io stesso ho scritto qualche cosa sul carrierismo nella mia rubrica “Opportune et importune” su “Studi Cattolici”, perciò tutta questa fenomenologia di una presenza di atteggiamenti politici non mi risulta così eccezionale o scandalosa. Io sono di quella generazione di preti e di vescovi che ritiene che comunque alla fine, e sopra tutto questo sciabattare di correnti, contro-correnti, amicizie, veti incrociati, sta la volontà di Dio interpretata dal Santo Padre. Quando il Santo Padre ti chiama puoi essere certo che è Dio che ti chiama, e se ti chiama a quella realtà a cui ti chiama, è perché Iddio ritiene che sia il meglio per te in quel momento. E’ con questo stato d’animo, molto abbandonato alla volontà di Dio e molto lieto, che io faccio il vescovo di una diocesi definita “da operetta” da qualcuno; ma mi pare di aver portato questa diocesi a una sua presenza e a una sua visibilità nel contesto ecclesiale e sociale italiano, e non solo.»

D’altra parte molte nomine vanno a persone non sempre all’altezza delle responsabilità loro affidate, un problema grave oggi, quando la Chiesa dovrebbe dare il massimo quanto a vigore della proposta culturale e pastorale. Eccellenza, non crede che ciò sia un freno o un impedimento alla missione della Chiesa?

Ma qui monsignor Negri non risponde e chiude il colloquio. Mi guarda profondamente coi suoi occhi chiari e fa silenzio.

E’ il giorno di santa Lucia, il pomeriggio sta per cedere alla “notte più lunga che ci sia”. A Domagnano scendono i primi radi fiocchi di neve. Invece più giù, a Rimini, tutto si scioglie in acqua.

© Copyright La Voce di Romagna, 15 dicembre 2010

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Aplicación del Motu Proprio Summorum Pontificum: Informe de un obispo africano que mereció las felicitaciones de Ecclesia Dei


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Recientemente, todos los obispos del mundo han tenido que informar a Roma sobre la aplicación del motu proprio Summorum Pontificum. Imaginamos como habrán sido muchos de estos informes: burocráticos, fríos. Sin embargo, Monseñor N´Koué, Obispo de Natitingou, en Benin, ha remitido un informe tan bello que es un verdadero acto de amor a la Iglesia. Tanto que ha recibido una felicitación específica del Presidente de la Pontificia Comisión Ecclesia Dei, Cardenal Levada, a través de su Secretario, Monseñor Pozzo.

Dice Monseñor Pascal N´Koué en su informe: "La forma extraordinaria se introdujo en mi diócesis en 2003, es decir, antes del motu proprio. Mi convicción de que estas dos formas pueden coexistir pacíficamente y enriquecerse mutuamente es indudable y data de hace tiempo... Las dos formas no representan ningún problema. Los conflictos vienen de nuestros corazones enfermos e intoxicados...de la estrechez de nuestros espíritus y de nuestra formación inmovilista... La celebración de la antigua forma es una suerte para mi joven clero y para toda la diócesis. Permite revalorizar las plegarias ante el altar, los silencios, las oraciones secretas, los signos de la cruz, las genuflexiones, el mismo hecho de volvernos todos hacia la Cruz. En resumen, el rito tridentino nos permite conocer mejor y valorar más la Misa de Pablo VI..."

"Muchos de mis sacerdotes -continúa Monseñor K´Noué- sin ninguna presión por mi parte, han empezado espontáneamente a aprender a celebrar la Misa de San Pío V o más exactamente la Misa del Papa Juan XXIII... Cuando las rúbricas son interiorizadas, la liturgia toca a los fieles por su belleza y su profundidad; ya no hay necesidad de discutir por el misterio, la sacralidad, la adoración, la majestad de Dios, la participación activa; esto viene solo. Por otra parte el Canon Romano y los gestos litúrgicos en el antiguo ritual están más cerca de nuestra sensibilidad africana. Deseo que un bello futuro todo sacerdote sepa celebrar las dos formas. No es imposible, si se introduce en los Seminarios. Pero aquí en Natitingou no podemos aplicar la antigua forma si no es a la luz de la Sacrosantum Concilium. La forma extraordinaria no puede ignorar el Concilio Vaticano II, al igual que la forma ordinaria no puede ignorar el antiguo rito sin empobrecerse"