quarta-feira, 2 de março de 2011

Catequese do Papa sobre São Francisco de Sales: amar a Deus sem pedir nada em troca


 
CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 2 de março de 2011 (ZENIT.org) - Apresentamos, a seguir, a catequese dirigida pelo Papa aos grupos de peregrinos do mundo inteiro, reunidos na Sala Paulo VI para a audiência geral.

Queridos irmãos e irmãs:

"Dieu est le Dieu du coeur humain" (Deus é o Deus do coração humano - "Tratado do Amor de Deus", I, XV): com estas palavras, aparentemente simples, temos a essência da espiritualidade de um grande mestre, de quem eu gostaria de vos falar hoje: São Francisco de Sales, bispo e Doutor da Igreja.

Nascido em 1567, em uma região de fronteira francesa, era o filho do Senhor de Boisy, de uma família antiga e nobre de Saboia. Viveu dividido entre dois séculos, o XVI e XVII, recolhendo em si o melhor dos ensinamentos e das conquistas culturais do século que terminava, reconciliando a herança do humanismo com a tendência ao absoluto, própria das correntes místicas. Sua formação foi muito completa; em Paris, cursou o ensino superior, dedicando-se também à teologia; e na Universidade de Pádua, fez os estudos de jurisprudência, como seu pai desejava, concluindo-os de forma brilhante, com doutorado em utroque iure, direito canônico e direito civil. Em sua harmoniosa juventude, refletindo sobre o pensamento de Santo Agostinho e São Tomás de Aquino, teve uma profunda crise, que o levou a questionar sobre sua própria salvação eterna e sobre a predestinação de Deus com relação a ele, sofrendo como drama espiritual verdadeiro as principais questões teológicas da sua época.

Ele orava intensamente, mas a dúvida o atormentou de tal forma que, durante várias semanas, quase não comeu nem bebeu. No final da provação, foi para a igreja dos dominicanos em Paris e, abrindo o coração, orou desta maneira: "Aconteça o que acontecer, Senhor, tu, que tens tudo em tuas mãos, e cujos caminhos são a justiça e a verdade, o que quer que tenhas decidido para mim... Tu, que és sempre juiz justo e Pai misericordioso, eu te amarei, Senhor (...), eu te amarei aqui, ó meu Deus, e esperarei sempre em tua misericórdia, e repetirei sempre teu louvor... Ó Senhor Jesus, sempre serás a minha esperança e a minha salvação na terra dos vivos" (I Proc. Canon., Vol. I, artigo 4).

Por volta dos 20 anos, Francisco encontrou a paz na realidade radical e libertadora do amor de Deus: amá-lo sem pedir nada em troca e confiar no amor divino; não perguntar mais o que Deus vai fazer comigo: eu simplesmente o amo, independentemente do que Ele me der ou não me der. Assim, ele encontrou a paz e a questão da predestinação - sobre a qual se discutia há muito tempo - se resolveu, porque ele não buscava mais o que poderia obter de Deus; apenas o amava, abandonava-se à sua bondade. Este foi o segredo da sua vida, que aparecerá em sua obra mais importante: o "Tratado do amor de Deus".

Vencendo a resistência do seu pai, Francisco seguiu o chamado do Senhor e, em 18 de dezembro de 1593, foi ordenado sacerdote. Em 1602, ele se tornou o bispo de Genebra, em um período em que a cidade era um ponto forte do calvinismo, tanto que a sede episcopal se encontrava "exilada" em Annecy. Pastor de uma diocese pobre e conturbada, em um enclave de montanha do qual conhecia bem tanto a dureza como a beleza, escreveu: "Encontrei-me com Ele [Deus], cheio de doçura e ternura, entre nossas altas e escarpadas montanhas, onde muitas almas simples o amavam e o adoravam com toda verdade e sinceridade; o cervo e a gazela corriam aqui e ali, entre o gelo terrível, para anunciar seu louvor" (Carta à mãe de Chantal, outubro de 1606, em Oeuvres, Ed. Mackey, t. XIII, p. 223). E, no entanto, a influência da sua vida e dos seus ensinamentos na Europa da época foi imensa. Ele foi apóstolo, escritor, pregador, homem de ação e oração; esteve comprometido com os ideais do Concílio de Trento, envolvido na controvérsia e no diálogo com os protestantes, experimentando cada vez mais, muito além do necessário confronto teológico, a eficácia da relação pessoal e da caridade; foi também encarregado de missões diplomáticas a nível europeu e de deveres sociais de mediação e reconciliação. Mas, acima de tudo, São Francisco de Sales é um pastor de almas: do encontro com uma jovem mulher, a senhora de Charmoisy, inspirou-se para escrever um dos livros mais populares da era moderna, a "Introdução à vida devota"; de sua profunda comunhão espiritual com uma personalidade excepcional, Santa Joana Francisca de Chantal, nasceu uma nova família religiosa, a Ordem da Visitação, caracterizada - assim como quis o santo - por uma consagração total a Deus, vivida na simplicidade e humildade, em fazer extraordinariamente bem as coisas ordinárias: "Quero que minhas filhas - escreveu ele - não tenham outro ideal a não ser o de glorificar [Nosso Senhor] com sua humildade" (Carta a Mons. De Marquemond, junho de 1615). Ele morreu em 1622, aos 55 anos, após uma existência marcada pela dureza dos tempos e pelo desgaste apostólico.

A vida de São Francisco de Sales foi relativamente curta, mas vivida com grande intensidade. Da figura deste santo emana uma impressão de estranha plenitude, demonstrada com a serenidade de sua busca intelectual, também na riqueza dos seus afetos e na "doçura" de seus ensinamentos, que foram muito influentes na consciência cristã. Da palavra "humanidade", ele incorporou diferentes significados e, então como agora, este termo pode se referir à cultura, à cortesia, à liberdade e ternura, à nobreza e solidariedade. Em sua aparência, tinha algo da majestade da paisagem em que viveu, conservando também a simplicidade e a natureza. As antigas palavras e imagens com que se expressava são ouvidas de forma inesperada, também pelo homem atual, como uma língua materna e familiar.

A Filoteia, destinatária ideal de sua "Introdução à vida devota" (1607), Francisco de Sales dirige um convite que podia parecer, na época, revolucionário. É o convite a ser totalmente de Deus, vivendo em plenitude a presença no mundo e os deveres do próprio estado. "Minha intenção é instruir aqueles que vivem na cidade, no estado civil, no tribunal (...)" (Prefácio da "Introdução à Vida Devota"). O documento com o qual o Papa Leão XIII, mais de dois séculos depois, o proclamou Doutor da Igreja insistirá nesta ampliação do chamado à perfeição, à santidade. Nele, escreveu: "[A verdadeira piedade] penetra até no trono de reis, na barraca dos chefes dos exércitos, no tribunal dos magistrados, nos escritórios, nas lojas e até nas cabanas dos pastores (...)" (Breve Dives in misericordia, 16 de novembro de 1877). Assim nasceu o chamado aos leigos, esse cuidado pela consagração das coisas temporais e pela santificação da vida cotidiana, em que insistirão o Concílio Vaticano II e a espiritualidade do nosso tempo. Manifestava-se no ideal de uma humanidade reconciliada, na harmonia entre ação no mundo e oração, entre condição leiga e busca da perfeição, com a ajuda da graça de Deus, que permeia o ser humano e, sem destruí-lo, purifica-o, elevando-o às alturas divinas. A Teótimo, o cristão adulto, espiritualmente maduro, a quem dirigirá, alguns anos mais tarde, o seu "Tratado sobre o amor de Deus" (1616), São Francisco de Sales oferece uma lição mais complexa. Esta supõe, no início, uma precisa visão do ser humano, uma antropologia: a "razão" do homem, mesmo a "alma racional", é vista como uma arquitetura harmoniosa, um templo articulado em mais espaços, em torno de um centro, que ele chama, juntamente com os grandes místicos, de "cume", "ponta" do espírito ou "fundo" da alma. É o ponto em que a razão, percorridas todas as fases, "fecha os olhos" e o conhecimento se torna uma só coisa com o amor (cf. Livro I, cap. XII). Que o amor, em sua dimensão teológica, divina, seja a razão de ser de todas as coisas, em uma escala ascendente que parece não conhecer rachaduras ou abismos, São Francisco de Sales resumiu com uma frase famosa: "O homem é a perfeição do universo, o espírito é a perfeição do homem, o amor é a do espírito, e a caridade é a do amor" (ibid., livro X, cap. I).

Em um tempo de florescimento místico intenso, o "Tratado do amor de Deus" é uma verdadeira e própria summa, além de uma fascinante obra literária. Sua descrição do itinerário até Deus parte do reconhecimento da "inclinação natural" (ibid., livro I, cap. XVI), inscrita no coração do homem, ainda que pecador, de amar a Deus sobre todas as coisas. Segundo o modelo da Sagrada Escritura, São Francisco de Sales fala da união entre Deus e o homem desenvolvendo uma série de imagens das relações interpessoais. Seu Deus é pai e senhor, esposo e amigo, tem características maternas e de cuidadora, é o sol do qual a noite é a misteriosa revelação. Uma espécie de Deus que atrai para si o homem com laços de amor, ou seja, de verdadeira liberdade: "Já que o amor não força nem tem escravos, mas reduz todas as coisas sob a própria obediência com uma força tão deliciosa que, se nada é forte como o amor, nada é tão amável como a sua força" (ibid., livro I, cap. VI).

Encontramos, no Tratado do nosso santo, uma meditação profunda sobre a vontade humana e a descrição do seu fluir, passar, morrer, para viver (cf. ibid., Livro IX, cap. XIII), no completo abandono, não só à vontade de Deus, mas também ao que lhe agrada, ao seu "bon plaisir", à sua satisfação (cf. ibid., Livro IX, cap. I). No cume da união com Deus, além dos raptos de êxtase contemplativo, coloca-se esse rebrotar da caridade concreta, que está atenta a todas as necessidades dos outros e que ele chama de "êxtase da vida e das obras" (ibid., livro VII, cap. VI).

Adverte-se bem, lendo o livro sobre o amor de Deus e, ainda mais, nas cartas de direção e amizade espirituais, que São Francisco de Sales foi um grande conhecedor do coração humano. A Santa Joana de Chantal, ele escreve: "Esta é a regra da nossa obediência, que vos escrevo com letras grandes: FAZER TUDO POR AMOR, NADA PELA FORÇA - AMAR MAIS A OBEDIÊNCIA QUE TEMER A DESOBEDIÊNCIA. Deixo-vos o espírito de liberdade, não o que exclui a obediência - pois esta é a liberdade do mundo -, mas o que exclui a violência, a ansiedade e o escrúpulo" (Carta de 14 de outubro de 1604). Não é à toa que, na origem das muitas vias da pedagogia e da espiritualidade do nosso tempo, encontramos vestígios desse mestre, sem o qual não teriam existido São João Bosco nem o heroico "pequeno caminho" de Santa Teresa de Lisieux.

Queridos irmãos e irmãs, em uma época como a nossa, que busca a liberdade, também com violência e inquietude, não se pode perder a atualidade deste grande mestre de espiritualidade e de paz, que indica aos seus discípulos o "espírito de liberdade", a verdadeira, como cume de um ensinamento fascinante e completo sobre a realidade do amor. São Francisco de Sales é um testemunho exemplar de humanismo cristão e, com seu estilo familiar, com parábolas que têm frequentemente o bater de asas da poesia, recorda que o homem carrega gravado nas profundezas de seu ser o anseio por Deus e que só n'Ele se encontra a verdadeira alegria e sua realização mais plena

PRESENTACION DE LA SEGUNDA PARTE DEL LIBRO JESUS DE NAZARET DE BENEDICTO XVI

 

CIUDAD DEL VATICANO, 2 MAR 2011 (VIS).-El 10 de marzo, a las 17,00, en la Oficina de Prensa de la Santa Sede, tendrá lugar la presentación del libro “Jesús de Nazaret, segunda parte. Desde la entrada en Jerusalén a la resurrección”, escrito por Joseph Ratzinger (Benedicto XVI) y publicado por la Librería Editora Vaticana.

Participan en el acto el cardenal Marc Ouellet, Prefecto de la Congregación para los Obispos y el escritor y germanista Claudio Magris.

El volumen está traducido en siete idiomas: alemán, italiano, inglés, español, francés, portugués y polaco y tiene nueve capítulos y un epílogo.

El primero trata de la entrada a Jerusalén y la purificación del templo. El segundo, que aborda el discurso escatológico de Jesús, consta de tres apartados: “La destrucción del templo”; “El tiempo de los Gentiles” y “Profecía y Apocalipsis”. El tercero habla del lavado de los pies a los discípulos y se divide en seis partes: “La hora de Jesús”, “Estáis limpios”; “Sacramento y ejemplo: don y tarea: El nuevo mandamiento”; “El misterio del traidor”; “Dos conversaciones con Pedro”; “Lavado de los pies y confesión de los pecados”.

El cuarto capítulo, “La oración sacerdotal de Jesús”, abarca los apartados: “La fiesta judía de la expiación como antecedente bíblico de la oración sacerdotal”; “Cuatro temas principales de la oración”; “Esta es la vida eterna”; “Santifícalos en la verdad”; “Les hice conocer tu nombre”; “Que sean una sola cosa”.

El quinto está completamente dedicado a “La última Cena”, analizada en los temas: “La fecha de la Ultima Cena”; “La Institución de la Eucaristía”; “La teología de las palabras de institución”; “De la Última Cena a la eucaristía dominical”.

“Getsemaní”, el sexto capítulo, comprende: ”Hacia el Huerto de los Olivos”; “La oración de Jesús”; “La voluntad de Jesús y la voluntad del Padre”; “La oración de Jesús en el Huerto de los Olivos y en la Carta a los Hebreos”.

El séptimo capítulo, “El proceso a Jesús”, abarca los apartados: “Discusión preliminar en el Sanedrín”; “Jesús ante el Sanedrín” y Jesús ante Pilatos”. El octavo, “Crucifixión y sepultura de Jesús”, comienza con “Reflexión preliminar: “Palabra y hecho en la narración de la Pasión” y prosigue con “Jesús en la Cruz”: (“Las primeras palabras de Jesús en la cruz: “Padre, perdónalos”; “Jesús escarnecido”; “El grito de abandono de Jesús”; “Las vestiduras echadas a suerte”; “Tengo sed”; “Las mujeres al pie de la cruz-la Madre de Jesús”; “Jesús muere en la cruz”; “Sepultura de Jesús”), para finalizar con “La muerte de Jesús como reconciliación (expiación) y salvación”.

El noveno y último capítulo: “La resurrección de Jesús de entre los muertos” se divide en: ¿”Qué es la resurrección de Jesús?”; “Los dos diferentes testimonios de la resurrección” (”La tradición confesional”); “La muerte de Jesús”; “La cuestión de la tumba vacía”; “El tercer día”; “Los testigos” (“La tradición narrativa”); “Las apariciones de Jesús a Pablo”; “Las apariciones de Jesús en los Evangelios”; “La naturaleza de la resurrección de Jesús y su significado histórico”.

El libro concluye con un epílogo titulado “Subió a los cielos. Está sentado a la derecha del Padre y de nuevo vendrá con gloria”.

Asesinado Shahbaz Bhatti, único ministro católico de Pakistán





DECLARACION SOBRE ASESINATO MINISTRO PAKISTAN BHATTI


CIUDAD DEL VATICANO, 2 MAR 2011 (VIS).-Sigue la declaración efectuada esta mañana por el director de la Oficina de Prensa de la Santa Sede, Padre Federico Lombardi, S.I., sobre el asesinato del Ministro para las Minorías de Pakistán, Shabbaz Bhatti.

“El asesinato del Ministro para las Minorías de Pakistán, Shabbaz Bhatti, es un nuevo acto de violencia de una gravedad terrible. Demuestra cuanto sean acertadas las repetidas intervenciones del Papa a propósito de la violencia contra los cristianos y contra la libertad religiosa en general.

Bhatti era el primer católico que ostentaba un encargo de ese tipo. Recordamos que había sido recibido por el Santo Padre el pasado mes de septiembre y que había dado testimonio de su compromiso en favor de la convivencia pacífica entre las comunidades religiosas de su país.

A la oración por la víctima, a la condena por el incalificable acto de violencia, a la cercanía a los cristianos pakistaníes, tan golpeados por el odio, se une el llamamiento para que todos se den cuenta de la dramática urgencia de la defensa de la libertad religiosa y de los cristianos objeto de violencia y persecución”.


terça-feira, 1 de março de 2011

Adoro te devote - Card. Domenico Bartolucci

Bento XVI: A Igreja tem de aprender a linguagem dos novos media para apresentar a mensagem do Evangelho na cultura digital

 

(28/2/2011) Teve início nesta segunda-feira, em Roma, a sessão plenária do Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais. Durante os trabalhos serão discutidas, em especial, os contributos oferecidas pelo Papa na sua Mensagem para o 45º Dia Mundial dedicado aos meios de comunicação social, intitulado “Verdade, anúncio e autenticidade de vida na era digital”.

Ao fim da manhã Bento XVI recebeu em audiência os participantes nesta assembleia aos quais pediu o estudo das linguagens da moderna cultura digital, para ajudar a missão evangelizadora da Igreja, passando para estas novas modalidades expressivas os conteúdos da fé cristã. O Papa salientou que está debaixo dos olhos de todos os perigos que se correm com as linguagens desenvolvidas pelas novas tecnologias: a perda da interioridade, a superficialidade na vivencia das relações, o prevalecer da opinião mais convincente em relação ao desejo de verdade.

Com os novos media desenvolve-se uma relação cada vez mais estreita e ordinária entre o homem e as maquinas, dos computadores aos celulares ….

“As novas linguagens que se desenvolvem na comunicação digital determinam, entre outras coisas, uma capacidade mais intuitiva e emotiva do que analítica, orientando para uma diferente organização lógica do pensamento e da relação com a realidade”, declarou.

Depois de precisar que estas linguagens promoveram uma “vasta transformação cultural”, Bento XVI afirmou que a Internet oferece “oportunidades inéditas” que ajudam a desenhar “um novo modo de aprender e de pensar”.

“A tradicional distinção nítida entre linguagem escrita e oral parece, agora, esfumar-se em favor de uma comunicação escrita que toma a forma e a imediatez da oralidade”, precisou.

Ao Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais, estrutura que na Santa Sé acompanha as questões relacionadas com os media, compete, segundo o Papa, “ajudar quantos têm responsabilidade na Igreja” a “perceber, interpretar e falar” a «nova linguagem» dos media “em função pastoral”.

“A cultura digital coloca novos desafios à nossa capacidade de falar e de escutar uma linguagem simbólica que fale da transcendência”, indicou.

Bento XVI disse que a Igreja é chamada a “descobrir, também na cultura digital, símbolos e metamorfoses significativas para as pessoas, que possam ser uma ajuda para falar do Reino de Deus ao homem contemporâneo”.

Para o Papa, o estar “em rede” faz com que as pessoas não se limitem a trocar informações, partilhando também “as suas visões do mundo”, numa dinâmica que pode apresentar dificuldades próprias.

“Os riscos que se correm, é certo, estão diante dos olhos de todos: a perda da interioridade, a superficialidade na vivência das relações, a fuga da emotividade, a prevalência das opiniões mais convincentes em vez do desejo da verdade”, elencou.

Neste contexto, Bento XVI apelou a uma reflexão “urgente” sobre as linguagens desenvolvidas a partir das novas tecnologias, observando uma “incapacidade de viver com plenitude e de forma autêntica o sentido das inovações”.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

Antonio Cañizares: “Solo la vida litúrgica podrá volvernos verdaderamente a Dios”



El Cardenal Prefecto de la Congregación para el Culto Divino y la Disciplina de los Sacramentos habla de la  “reforma de la reforma”

¿Hay un retroceso en materia litúrgica? ¿Cuáles son las claves de la “reforma de la reforma”?

No sé si podemos hablar de retroceso, porque primero habría que saber si antes ha habido o no un avance, o en qué puntos y en qué aspectos se ha dado ese progreso; también pudiera suceder que, en algunas ocasiones y subjetivamente, se haya considerado o visto como avance lo que en realidad no lo era, o no lo era suficientemente, o no se apoyaba en los fundamentos en que debería sustentarse. Nadie puede poner en duda que el Vaticano II ha puesto la sagrada liturgia, con la Palabra de Dios, en el centro de la vida y misión de la Iglesia; es muy significativo, en el lenguaje de los acontecimientos por los que Dios habla, el hecho de que la Constitución Sacrosanctum Concilium fuese el primer texto aprobado; es innegable, además, que desde allí se ha producido una gran renovación litúrgica.

Ahora bien, ¿se puede afirmar que todo lo que se ha hecho y hace es la renovación querida por el Concilio? ¿La renovación querida e impulsada en verdad por el Concilio ha penetrado suficientemente y ha llegado a sus aspectos medulares en la vida y misión del Pueblo Dios? ¿Se puede llamar renovación conciliar y desarrollo a todo lo que ha venido después? Hemos de ser humildes y sinceros: ¿la principal y gran llamada del Concilio a que la liturgia fuese la fuente y la meta, la cima de toda la vida cristiana, se está cumpliendo en la conciencia de todos, sacerdotes y laicos, o, al contrario, está aún muy lejos de que sea así? ¿El pueblo de Dios, fieles y pastores, vive de verdad de la liturgia, está en el centro de nuestras vidas? ¿Se han enseñado y asimilado las enseñanzas conciliares, se ha mantenido una fidelidad a las mismas, o se las ha interpretado correctamente en la clave de la continuidad que pide el Papa?

No planteo preguntas retóricas; hoy es muy necesario hacérselas. Las respuestas siempre nos volverán al mismo origen: al Concilio. Por eso, las claves por las que usted me pregunta para la así llamada “reforma de la reforma” no son otras que las ya dadas por el Concilio Vaticano II en Sacrosanctum Concilium y el posterior magisterio de los papas, que indican e interpretan auténticamente sus enseñanzas conforme a una “hermenéutica de la continuidad”.

En eso estamos. Añado: vivimos una situación dramática caracterizada por el olvido de Dios y el vivir como si Dios no existiese; esto, como es evidente y palpable, está teniendo unas gravísimas consecuencias para los hombres. Solo la vida litúrgica puesta en el centro de todo, solo una renovación litúrgica en profundidad, solo el devolver a la liturgia, singularmente a la Eucaristía, el lugar que le corresponde en la vida de la Iglesia, de los sacerdotes y fieles, tal como la Iglesia la entiende, la orienta y la regula, en fidelidad a su naturaleza y a la Tradición, podrá volvernos verdaderamente a Dios, situar a Dios en el centro, fundamento, sentido y meta de todo, y así hacer posible una humanidad nueva, hecha de hombres y mujeres nuevos que adoran a Dios, abrir caminos de esperanza e iluminar el mundo con la luz y belleza de la caridad que de la liturgia brota: la liturgia nos sitúa ante Dios mismo, la acción de Dios, su amor; solo podremos impulsar una urgente y apremiante nueva evangelización si la liturgia recobra el lugar que le pertenece en la vida de todos los cristianos.

Es preciso, según veo, reconocer que la liturgia hoy no está siendo el “alma”, la fuente y la meta de la vida de muchos cristianos, fieles o sacerdotes: ¡cuánta rutina y mediocridad, cuánta trivialización y superficialidad se nos ha metido!; ¡cuántas misas celebradas de cualquier manera o participadas en cualquier disposición!; de ahí nuestra gran debilidad. Es muy necesario llevar a la conciencia de los fieles que la liturgia es, ante todo, obra de Dios, y que nada se puede anteponer a ella. Solo Dios, la “revolución de Dios”, Dios en el centro de todo, podrá renovar y cambiar el mundo.

Se habla mucho de una reestructuración del dicasterio que preside, el cual perdería todo lo correspondiente a la disciplina de los sacramentos. ¿Qué puede decirnos de eso?

Entre los proyectos inmediatos, en el marco de la respuesta que la Congregación ha de dar a los presentes desafíos, tenemos el de la reestructuración del dicasterio, que afecta, por ejemplo, a la creación de una sección nueva para la música y el arte sagrados al servicio de la liturgia; otro aspecto de esta misma reestructuración se refiere a la transferencia a otro organismo de la Santa Sede del “oficio matrimonial” para el caso del matrimonio “rato y no consumado”; ya pasó, hace años, a Clero, la dispensa de las obligaciones sacerdotales.

Por ahí ha corrido, como usted dice, que ya no se va a ocupar de los sacramentos, o que va a desaparecer de nuestra competencia el aspecto de la “disciplina” de los sacramentos; ambas cosas son imposibles, ya que liturgia y sacramentos van unidos, son una misma cosa, y, además, la disciplina pertenece a la misma entraña de los sacramentos y de la liturgia; la liturgia siempre comporta una regula, una regulación, también canónica, y esto es algo que se debe cuidar y atender con suma diligencia: se trata, en último término también, del ius divinum, que está en juego en la disciplina de los sacramentos.

Hay normas que cumplir, un derecho que acatar –el de Dios– y también abusos que corregir. Por eso, en modo alguno desaparece de la Congregación la “disciplina de los sacramentos”; al contrario, quedará reforzada. Por lo demás, todo ello permitirá dedicar y concentrar la mayoría de los no pocos esfuerzos y trabajos que se necesitan en todo aquello que posibilite intensificar el movimiento litúrgico que sigue vivo, como obra del Espíritu Santo, del Vaticano II.

Fuente: Vida Nueva

sábado, 26 de fevereiro de 2011

O Papa: Aborto não resolve nada pois mata as crianças e destrói as mulheres


Pope Benedict XVI  (C) salutes the members of general assembly of the Pontifical Academy for Life in the Clementine hall at the Vatican on February 26, 2011.

VATICANO, 26 Fev. 11 / 06:34 pm (ACI) Ao receber este meio-dia (hora local) os participantes da assembléia geral da Pontifícia Academia para a Vida, o Papa Bento XVI assinalou que o aborto não resolve nada, ao contrário, mata uma criança, destrói a mulher, cega a consciência do pai da criatura e arruína a família.

Em seu discurso na Sala Clementina do Vaticano, o Papa explicou que o síndrome pós-abortiva, um dos temas da assembléia, "revela a voz insuprimível da consciência moral e a ferida gravíssima que ela sofre cada vez que a ação humana atraiçoa a inata vocação do ser humano ao bem, que a ação testemunha."

Com o aborto, a consciência moral se vê ofuscada, mas nunca deixa de ser "aquele juízo da razão, pelo qual a pessoa humana reconhece a qualidade moral dum ato concreto que vai praticar, que está prestes a executar ou que já realizou" . É, de fato, missão da consciência moral discernir o bem do mal nas diversas situações da existência, a fim de que, com base nesse juízo, o ser humano possa, livremente, orientar-se para o bem".

Bento XVI disse logo que "a quantos desejariam negar a existência da consciência moral no homem, reduzindo a sua voz ao resultado de condicionamentos externos ou a um fenômeno puramente emocional, é importante rebater que a qualidade moral do agir humano não é um valor extrínseco talvez opcional e não é nem mesmo uma prerrogativa dos cristãos ou dos fiéis, mas acomuma todo o ser humano".

"Na consciência, o homem todo inteiro – inteligência, emoção, vontade – realiza a sua vocação ao bem, de forma que a escolha pelo bem ou pelo mal nas situações concretas da existência chega a assinalar profundamente a pessoa humana em toda a expressão de seu ser".

O Papa recordou também que "quando o homem refuta a verdade e o bem que o Criador lhe propõe, Deus não o abandona, mas, exatamente através da voz da consciência, continua a procurá-lo e a falar com ele, a fim de que reconheça o erro e se abra à Misericórdia divina, capaz de curar qualquer ferida".

Bento XVI se referiu logo aos médicos afirmando que "não podem fazer pouco caso da séria missão de defender do engano a consciência de muitas mulheres que pensam encontrar no aborto a solução para dificuldades familiares, econômicas, sociais, ou a problemas de saúde da sua criança".

"Especialmente nessa última situação, a mulher é muitas vezes convencida, às vezes pelos próprios médicos, de que o aborto representa não somente uma escolha moralmente lícita, mas mesmo um necessário ato "terapêutico" para evitar sofrimentos à criança e à sua família, e um 'injusto" peso à sociedade".

Sobre este tema o Santo Padre precisou que "cenário cultural caracterizado pelo eclipse do sentido da vida, em que se é muito atenuada a comum percepção da gravidade moral do aborto e de outras formas de atentados contra a vida humana, pede-se aos médicos uma especial fortaleza para continuar a afirmar que o aborto não resolve nada, mas mata a criança, destrói a mulher e cega a consciência do pai da criança, arruinando, frequentemente, a vida familiar".

"Tal tarefa, todavia, não diz respeito somente à profissão médica e aos agentes de saúde. É necessário que a sociedade toda se coloque em defesa do direito à vida do concebido e do verdadeiro bem da mulher, que nunca, em nenhuma circunstância, poderá se realizar na escolha do aborto".

Nesse sentido o Papa recordou que “também será necessário – como indicado pelos vossos trabalhos – não esquecer os auxílios necessários às mulheres que, tendo infelizmente já recorrido ao aborto, estão agora experimentando todo o drama moral e existencial. Múltiplas são as iniciativas, em nível diocesano ou de parte de voluntariados, que oferecem apoio psicológico e espiritual para uma recuperação humana plena. A solidariedade da comunidade cristã não pode renunciar a esse tipo de corresponsabilidade".

Bento XVI também se referiu ao segundo tema da assembléia, os bancos de cordões umbilicais, alentou estas iniciativas solidárias e ressaltou a validez ética destes trabalhos, especialmente no campo das células tronco para evitar a eliminação de embriões humanos.

“Convido, portanto, todos vós a fazer-vos promotores de uma verdadeira e consciente solidariedade humana e cristã”, finalizou o Papa.

Le domeniche prequaresimali nella tradizione bizantina



Dammi tu una parola o Parola del Padre

di MANUEL NIN

La prima delle domeniche si chiama del Fariseo e del pubblicano, dalla pericope di Luca, 18, 10-14. Nell'ufficiatura del mattutino, il canone di questa domenica è attribuito a Giuseppe di Nicomedia (IX secolo). Dall'inizio l'autore fa notare come le parabole di Cristo sono tutte un'esortazione del Signore stesso alla conversione: "Il Cristo, inducendo tutti con le sue parabole a correggere la propria vita, solleva il pubblicano dalla sua umiliazione, umiliando il fariseo che si era innalzato".

Cristo stesso è modello di umiltà nella sua incarnazione: "Perfetta via di elevazione ha reso il Verbo l'umiltà, umiliando se stesso sino ad assumere forma di servo. Sempre guidandoci alla divina elevazione, il Salvatore e Sovrano, come mezzo per elevarci, ci ha indicato l'umiltà: egli ha infatti lavato con le proprie mani i piedi dei discepoli". Tutto il testo liturgico è una esortazione all'umiltà presentata come la prima delle virtù con cui iniziare il periodo dei digiuni: "Vedendo che dall'umiliazione viene una ricompensa che eleva, mentre dall'innalzarsi, una tremenda caduta, emula quanto ha di bello il pubblicano e detesta la malizia farisaica. Dalla temerità vien svuotato ogni bene, mentre dall'umiltà vien purificato ogni male: abbracciamola dunque, o fedeli". Il canone è pervaso dal movimento tra l'alterigia che abbassa e l'umiltà che innalza: "L'umiltà ha sollevato il pubblicano che, mesto e confuso per i suoi peccati, gridava al Creatore il suo "Sii propizio". L'alterigia ha invece fatto decadere dalla giustizia lo sciagurato fariseo millantatore: emuliamo dunque il bene, astenendoci dal male. Imitiamo il pubblicano dunque, tutti noi che siamo caduti nelle profondità del male; gridiamo al Salvatore dal profondo del cuore".

La seconda delle domeniche prende il nome di domenica del Figliol prodigo, dalla pericope di Luca, 15, 11-32. Il canone del mattutino è attribuito a Giuseppe l'Innografo (+886). A partire dalla parabola del Figliol prodigo, il canone sottolinea la misericordia e l'amore di Dio che accoglie come padre il peccatore che ritorna a lui: "La divina ricchezza che un tempo mi avevi dato, l'ho malamente dissipata: mi sono allontanato da te, vivendo da dissoluto, o Padre pietoso: accogli dunque anche me convertito. Apri dunque le tue braccia paterne, e accogli anche me, Signore, come il figliol prodigo". Cristo stesso, in diverse strofe viene presentato come padre che accoglie nella misericordia: "Totalmente uscito da me stesso, accoglimi, o Cristo, come il figliol prodigo. Aprendo compassionevole le braccia, accoglimi, o Cristo, ora che torno dalla regione lontana del peccato e delle passioni".

La misericordia di Cristo viene elargita anche per le preghiere e l'intercessione dei santi per il peccatore: "Per le preghiere degli apostoli, o Signore, dei profeti, dei monaci, dei martiri venerabili e dei giusti, perdonami tutte le colpe con le quali ho mosso a sdegno la tua bontà, o Cristo: affinché a te io inneggi e a te io renda gloria per tutti i secoli". L'autore mette in un parallelo quasi contrastante la povertà di Cristo nel suo uscire dal seno paterno per la sua incarnazione, e quella del figliol prodigo nel suo allontanarsi dalla casa paterna: "Gemi dunque, infelicissima anima mia, e grida a Cristo: O tu che volontariamente per me ti sei fatto povero, arricchiscimi, Signore, ora che sono divenuto povero di ogni opera buona, con abbondanza di beni, perché tu solo sei buono e pieno di misericordia".

La terza delle domeniche si chiama del Giudizio finale, dalla pericope di Matteo, 25, 31-46. Le odi del mattutino sono composte da Teodoro Studita (IX secolo) e in modo molto insistente e ripetitivo mettono in evidenza da una parte l'immagine quasi paurosa del giorno del giudizio, e dall'altra la richiesta di misericordia e di perdono presso Dio: "Tremo pensando al giorno tremendo della tua arcana parusia, con timore già vedo questo giorno in cui ti siederai per giudicare i vivi e i morti, o mio Dio onnipotente. Quando verrai, o Dio, con miriadi e migliaia di celesti principati angelici, concedi anche a me infelice, o Cristo, di venirti incontro sulle nubi. Possa anch'io misero udire la tua voce desiderata che chiama i tuoi santi alla gioia".

La quarta delle domeniche invece viene chiamata dei Latticini, dal fatto che indica l'inizio del grande digiuno, con l'astinenza anche dei latticini. Si legge la pericope Matteo, 6, 14-21. Il canone del mattutino è un testo anonimo, e si sofferma nella contemplazione dell'espulsione di Adamo ed Eva dal paradiso e del loro cammino di ritorno ad esso, cammino che diventa modello e immagine di quello quaresimale verso la Pasqua di Cristo. È sempre Adamo che parla in prima persona, piangendo il proprio peccato ed evocando le delizie del paradiso da cui è stato allontanato: "Su, misera anima mia, piangi ciò che hai fatto, ricordando oggi come nell'Eden ti sei lasciata spogliare e sei stata perciò cacciata dalle delizie e dalla gioia senza fine". Lungo il canone, l'Eden è sempre cantato come dono dell'amore e della condiscendenza di Dio verso l'uomo: "Per il tuo grande amore e la tua pietà, o Artefice del creato e Creatore di tutti, dalla polvere un tempo mi desti la vita, e poi mi comandasti di cantarti insieme ai tuoi angeli. Per la tua sovrabbondante bontà, o Artefice e Signore, tu pianti in Eden il delizioso paradiso, per farmi godere dei suoi frutti splendidi". Diverse delle odi personificano il paradiso che assieme ad Adamo piange con delle lacrime di pentimento, e il suono delle sue foglie diventa preghiera: "Prato beato, alberi da Dio piantati, soavità del paradiso, su di me dalle foglie, come da occhi, stillate lacrime perché sono nudo ed estraniato dalla gloria di Dio. Non ti vedo piú, non godo piú del tuo soavissimo e divino fulgore, o paradiso preziosissimo. Partecipa, o paradiso, al dolore del padrone divenuto povero, e col fruscio delle tue foglie supplica il Creatore che non mi chiuda fuori. O misericordioso, abbi misericordia di colui che ha prevaricato!". Infine, il testo si conclude con un parallelo tra l'Eden chiuso dopo il peccato di Adamo e il costato aperto di Cristo sulla croce: "Vedo il cherubino con la spada di fuoco che ha avuto l'ordine di custodire l'ingresso dell'Eden inaccessibile a tutti i trasgressori, ma tu, o Salvatore, togli per me ogni ostacolo. Confido nell'abbondanza della tua misericordia, o Cristo Salvatore, e nel sangue del tuo fianco divino, col quale hai santificato la natura dei mortali e hai aperto a quanti ti servono, o buono, le porte del paradiso, chiuse un tempo da Adamo". Tutto il testo è pervaso dalla piena fiducia nella misericordia divina: "Guida di sapienza, elargitore di prudenza, educatore degli stolti e protettore dei poveri, conferma, ammaestra il mio cuore, dammi tu una parola, o Parola del Padre, poiché, ecco, io non trattengo le mie labbra dal gridare: O misericordioso, abbi misericordia di colui che ha prevaricato!".

(©L'Osservatore Romano - 27 febbraio 2011)

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

A Teologia da Liturgia, por Card. Ratzinger

Os nossos amigos da ARS nos presenteiam com a tradução de uma conferência do Cardeal Joseph Ratzinger sobre a Teologia Litúrgica pronunciada durante as famosas Journées Liturgiques de Fontgombault, na França, em 2001.

Para acessá-la em formato PDF clique aqui


quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

Catequese do Papa: São Roberto Belarmino e a conversão



Intervenção na audiência geral

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011 (ZENIT.org) - Apresentamos, a seguir, a catequese dirigida pelo Papa aos grupos de peregrinos do mundo inteiro, reunidos na Sala Paulo VI para a audiência geral.

Queridos irmãos e irmãs:

São Roberto Belarmino, de quem eu gostaria de vos falar hoje, leva-nos à época da dolorosa divisão da cristandade ocidental, quando uma grave crise política e religiosa provocou o distanciamento de nações inteiras da Sé Apostólica.

Ele nasceu em 4 de outubro de 1542, em Montepulciano, perto de Sena, e era sobrinho, por parte de mãe, do Papa Marcelo II. Recebeu uma excelente formação humanística antes de entrar na Companhia de Jesus, em 20 de setembro de 1560. Os estudos de filosofia e teologia, que ele realizou no Colégio Romano, em Pádua e Lovaina, concentrando-se em São Tomás e nos Padres da Igreja, foram decisivos para sua orientação teológica. Ordenado sacerdote em 25 de março de 1570, foi, durante alguns anos, professor de teologia em Lovaina.

Depois disso, chamado a Roma como professor no Colégio Romano, foi-lhe confiada a cátedra de "Apologética"; na década em que desempenhou essa tarefa (1576-1586), desenvolveu um curso de lições, que acabou se tornando a coletânea Controvérsia, obra célebre pela clareza e riqueza de conteúdos, além do componente prevalentemente histórico. O Concílio de Trento tinha terminado pouco tempo antes e, para a Igreja Católica, era necessário reforçar e confirmar sua identidade também no que diz respeito à Reforma Protestante. A ação de Belarmino se insere neste contexto. De 1588 a 1594, ele foi, em primeiro lugar, o pai espiritual dos estudantes jesuítas do Colégio Romano, entre os quais conheceu e dirigiu São Luis Gonzaga; depois, foi superior religioso. O Papa Clemente VII o nomeou teólogo pontifício, consultor do Santo Ofício e reitor do Colégio de Confessores da Basílica de São Pedro. De 1597 a 1598, ele escreveu seu catecismo, Dottrina cristiana breve, que foi seu trabalho mais famoso.

Em 3 de março de 1599, foi criado cardeal pelo Papa Clemente VIII e, em 18 de março de 1602, foi nomeado arcebispo de Cápua. Recebeu a ordenação episcopal em 21 de abril desse ano. Nos três anos em que foi bispo diocesano, distinguiu-se pelo zelo com que pregava na catedral, pela visita realizada semanalmente às paróquias, pelos três sínodos diocesanos e por um conselho provincial ao qual deu vida. Tendo participado nos conclaves que elegeram os Papas Leão XI e Paulo V, foi convocado a Roma, onde ingressou na Congregação do Santo Ofício, do Índice, dos Ritos, dos Bispos e da Propagação da Fé. Ele também teve tarefas diplomáticas na República de Veneza e Inglaterra, defendendo os direitos da Sé Apostólica. Em seus últimos anos, escreveu vários livros sobre espiritualidade, nos quais condensou os frutos dos seus exercícios espirituais anuais. Da leitura destes livros, o povo cristão obtém, ainda hoje, grande benefício. Morreu em Roma, em 17 de setembro de 1621. O Papa Pio XI o beatificou em 1923, canonizou-o em 1930 e o proclamou Doutor da Igreja em 1931.

São Roberto Belarmino teve um papel importante na Igreja, nas últimas décadas do século XVI e nos primeiros anos do século seguinte. Suas Controversiae constituíram um ponto de referência, ainda válido para a eclesiologia católica, sobre as questões acerca da Revelação, da natureza da Igreja, dos sacramentos e da antropologia teológica. Nelas, acentua-se o aspecto institucional da Igreja, devido aos erros que estavam circulando sobre tais questões. Belarmino inclusive esclareceu os aspectos invisíveis da Igreja, como o Corpo Místico, e o ilustrou com a analogia do corpo e da alma, com o fim de descrever a relação entre as riquezas interiores da Igreja e os aspectos externos que a tornam perceptível. Nesta obra monumental, que tenta sistematizar as várias controvérsias teológicas do seu tempo, ele evita todo tom polêmico e agressivo com relação às ideias da Reforma, usando os argumentos da razão e da Tradição da Igreja para ilustrar de maneira clara e eficaz a doutrina católica.

No entanto, seu legado consiste na maneira como ele concebeu seu trabalho. Os trabalhos tediosos de governo não o impediram, de fato, de caminhar rumo à santidade, na fidelidade às exigências do seu próprio estado de religioso, sacerdote e bispo. Dessa fidelidade surge seu compromisso com a pregação. Sendo - como sacerdote e bispo -, em primeiro lugar, um pastor de almas, ele sentiu o dever de pregar assiduamente. Há centenas de sermões - as homilias -, realizados em Flandres, Roma, Nápoles e Cápua, por ocasião das celebrações litúrgicas. Não menos abundantes são as expositiones e explanationes aos párocos, freiras, estudantes do Colégio Romano, que muitas vezes falam das Escrituras Sagradas, especialmente das epístolas de São Paulo. Sua pregação e suas catequeses têm esse mesmo caráter de simplicidade que ele recebeu da educação jesuíta, toda dirigida a concentrar as forças da alma em Jesus, profundamente conhecido, amado e imitado.

Nos escritos deste homem de governo se adverte, de forma clara, inclusive na reserva em que esconde seus sentimentos, a primazia dada aos ensinamentos de Cristo. São Belarmino, portanto, oferece um modelo de oração, a alma de toda atividade: uma oração que escuta a Palavra do Senhor, que é preenchida com a contemplação da grandeza, que não se fecha em si mesma, que se alegra em abandonar-se nas mãos de Deus. Uma característica da espiritualidade de Belarmino é a percepção viva e pessoal da imensa bondade de Deus, razão pela qual nosso santo se sentia verdadeiramente um filho amado por Deus e era uma fonte de grande alegria poder recolher-se, com serenidade e simplicidade, na oração, na contemplação de Deus. Em seu livro De ascensione mentis in Deum (Elevação da mente a Deus), composto sobre a estrutura do Itinerarium de São Boaventura, exclama: "Ó alma, teu exemplo é Deus, beleza infinita, luz sem sombras, esplendor que supera o da lua e o do sol. Levanta teus olhos para Deus, em quem se encontram os arquétipos de todas as coisas e de quem, como de uma fonte de infinita fecundidade, deriva esta variedade quase infinita das coisas. Portanto, deves concluir: quem encontra Deus, encontra todas as coisas, quem perde Deus, perde tudo".

Neste texto, ouvimos o eco da célebre contemplatio ad amorem obtineundum (contemplação para alcançar o amor), dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola. Em Belarmino, que viveu na pomposa e muitas vezes insalubre sociedade dos últimos anos do século XVI e início do século XVII, esta contemplação inclui aplicações práticas e projeta a situação da Igreja do seu tempo com a corajosa inspiração pastoral. No livro De arte bene moriendi (A arte de morrer bem), por exemplo, ele indica como norma segura do viver bem e também do morrer bem, meditar frequentemente sobre o fato de que a pessoa prestará contas a Deus de suas próprias ações e do seu modo de viver, e evitar a acumulação de riquezas nesta terra, vivendo com simplicidade e caridade, para acumular bens no céu. No livro De gemitu columbae (O gemido da pomba - no qual a pomba representa a Igreja), exorta fortemente o clero e os fiéis a uma reforma pessoal e concreta de suas vidas, seguindo o que ensinam as Escrituras e os santos, entre os quais cita, em particular, São Gregório Nazianzeno, São João Crisóstomo, São Jerônimo e Santo Agostinho, além dos grandes fundadores de ordens religiosas, como São Bento, São Domingos e São Francisco. Belarmino ensina com muita clareza e com o exemplo de sua própria vida que não pode haver uma verdadeira reforma da Igreja, se antes não acontece nossa reforma pessoal e a conversão do nosso coração.

Nos Exercícios Espirituais de Santo Inácio, Belarmino dava conselhos para comunicar de forma profunda, também aos mais simples, a beleza dos mistérios da fé. Escreveu: "Fomos criados para a glória de Deus e para a salvação eterna: este é o nosso fim. Se o alcançarmos, seremos felizes; se dele nos afastamos, seremos infelizes. Por isso, devemos considerar como verdadeiramente bom o que nos conduz ao nosso fim, e como verdadeiramente mau o que dele nos afasta" (De ascensione mentis in Deum, grad. 1).

Estas, obviamente, não são palavras antiquadas, mas palavras para meditar longamente hoje por nós, para orientar nosso caminho sobre esta terra. Elas nos lembram que o objetivo da vida é o Senhor, o Deus que se revelou em Jesus Cristo, em quem Ele continua nos chamando e prometendo-nos a comunhão com Ele. Elas nos recordam a importância de confiar no Senhor, de viver uma vida fiel ao Evangelho, de aceitar e iluminar, com a fé e a oração, toda circunstância e toda ação da nossa vida, sempre ansiando a união com Ele. Obrigado

Fonte: Zenit