terça-feira, 24 de maio de 2011

Missa na Forma Extraordinária em Porto Alegre: Jesuíta retorna aos inícios da Companhia


E a missa tridentina chega a Porto Alegre
 Oito de maio de 2011, 9h30. No Dia das Mães, mais de 80 fiéis se reúnem na tradicional Igreja São José, no centro de Porto Alegre, para participar de uma missa que remonta aos séculos. Especificamente o século XVI, quando o Papa Pio V, no contexto da Contrarreforma, aprovou o então novo Missal Romano, dirimindo algumas questões teológico-litúrgicas levantadas pelos protestantes de então e buscando uma unificação dos diversos ritos católicos da época. ["Propriamente falando uma Missa Tridentina ou de São Pio V nunca existiu, já que, seguindo as instâncias do Concílio de Trento, não foi formado um Novus Ordo Missae, dado que o Missale sancti Pii V não é mais que o Missal da Cúria Romana, que foi se formando em Roma muitos séculos antes, e difundido especialmente pelos franciscanos em numerosas regiões do Ocidente. As modificações efetuadas em sua época por São Pio V são tão pequenas, que são perceptíveis tão somente pelos olhos dos especialistas ". Klaus Gamber, A Reforma da Liturgia Romana, p. 18]
A Comunidade de São José dos Alemães, estabelecida na capital do Estado em 1871, pôde, assim, reviver uma experiência litúrgica dos seus primeiros membros. Porém, nesta versão do século XXI, os fiéis se deslocam até a Igreja de carro, desligam seus celulares ao entrar no templo, e o sistema eletrônico de som e luzes colabora com a construção simbólica da celebração.
Atendida desde a sua fundação pelos padres da Companhia de Jesus, a comunidade foi guiada nessa "nova experiência antiga" por um jovem jesuíta: o padre Adilson Feiler. Natural de Santa Catarina, Feiler entrou para a Companhia de Jesus no ano 2000 e foi ordenado há dois anos em Curitiba. É um padre, portanto, da geração Bento XVI, como ele mesmo destaca.

Feiler fez filosofia e teologia na Faculdade Jesuíta de Filosofia e Teologia - Faje, em Belo Horizonte. É mestre em filosofia pela Unisinos e doutorando na mesma área pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul - PUC-RS, em cuja tese aborda uma aproximação entre dois filósofos, a partir dos conceitos de destino e amor, em busca de um pacto sobre um mesmo ethos cristão: Hegel e Nietzsche.
Após a publicação do motu proprio de Bento XVI, em 2007, a chamada "missa tridentina", a partir do missal aprovado após o Concílio de Trento, em 1570, foi novamente incentivada. A proposta do papa também era retomar a "dignidade do culto contra certas deformações causadas por uma leitura apressada do Concílio Vaticano II", como afirma o padre Feiler em artigo publicado no boletim informativo mensal da Igreja São José.
Na última sexta-feira, o padre Feiler recebeu a IHU On-Line em seu escritório, na secretaria da igreja, para conversar sobre a retomada das celebrações da missa tridentina em Porto Alegre, que deverão ter continuidade a cada 15 dias.
Com o placet do arcebispo local, Dom Dadeus Grings, Feiler dirigiu-se resoluto ao altar da Igreja São José naquele domingo, "espaço litúrgico todo privilegiado pela beleza arquitetônica como pela excelente acústica", de acordo com Feiler em seu artigo. Acompanhado por cinco acólitos, ele celebrou a missa de seus antepassados, em latim e versus Deum.

Eis a entrevista.
IHU On-Line – Como vocês chamaram essa "forma extraordinária" da missa, segundo o documento do Papa: missa tridentina, missa tradicional?
Adilson Feiler – Popularmente, nós chamamos de missa tridentina. Conversando com o senhor arcebispo, Dom Dadeus, preferimos que seja chamada de missa do Missal do Beato João XXIII, uma missa originária do Missal de São Pio V, do século XVI, e que passou por várias modificações, até ter, no Missal de 1962, de João XXIII, sua forma última. Eu prefiro chamar de missa do Missal de João XXIII.

IHU On-Line – Como nasceu a ideia de celebrar a missa tridentina aqui, em Porto Alegre?
Adilson Feiler – Essa missa já foi possibilitada por Sua Santidade, o Papa Bento XVI, desde 2007, dois anos depois do início do seu pontificado. Então, em vários lugares no Brasil, essa missa já existia, já era celebrada, de maneira – como você disse – extraordinária. Causou algumas repercussões em algumas comunidades, pelo que eu tenho acompanhado, quando alguns padres decidiram substituir missas de maneira ordinária. Isso criou alguns problemas, mas que foram, depois, contornados com o diálogo.
Então, quando eu estive em Curitiba, no ano passado, eu cheguei a presidir essa missa em algumas ocasiões em duas paróquias. São os padres seculares, diocesanos, que a presidem. E, às vezes, eles pediam para que eu os substituísse, quando não podiam. E não são muitos os padres, pelo que eu sei, que presidem essa missa.
Quando eu cheguei aqui em Porto Alegre, algumas pessoas souberam que eu já presidia essas missas, de maneira extraordinária, esporadicamente; perguntaram, então, se haveria a possibilidade de eu presidir essa missa aqui, na Igreja São José. Eu respondi: "Olha, vou ter que consultar o reitor da Igreja [Pe. Eloy Oswaldo Guella, SJ], em primeiro lugar, e as pessoas da comunidade". Esta é uma Igreja particular, da comunidade dos alemães, não é da Companhia de Jesus. Os jesuítas apenas prestam um serviço, desde a sua fundação, há mais de 100 anos. Então, em discernimento diante do Senhor, a comunidade achou que seria uma experiência interessante, que poderíamos começar para ver.
Mas, é claro, nós tínhamos que tratar também desse assunto com o ordinário da Arquidiocese de Porto Alegre, que é o senhor arcebispo, a quem nós estamos, em primeiro lugar, submetidos. Sobre qualquer coisa que diga respeito ao serviço da Igreja, temos que nos dirigir ao senhor arcebispo e à comunidade. Então, conversamos com o arcebispo, ele nos disse que não haveria problemas, que inclusive algumas pessoas já solicitaram essa missa a ele.
Então, surgiu essa possibilidade. Nós preparamos alguns acólitos daqui mesmo, já que é uma missa cheia de rubricas e exige bastante preparo – a própria pronúncia do latim, requer-se um certo conhecimento da língua. Presidimos a primeira missa no domingo passado [8 de maio], às 9h30, e durou exatamente uma hora, pois temos a missa ordinária às 10h30.
IHU On-Line – E como a comunidade em geral reagiu? Qual foi a repercussão?
Adilson Feiler – Havia muitas pessoas, em torno de 86. E isso que foi no Dia das Mães, e muitas pessoas que não puderam vir disseram que querem participar das próximas. E havia pessoas não só de Porto Alegre, mas até de Encantado. Então, o que as pessoas disseram? Agradeceram pela missa. E eu achei impressionante, porque nós preparamos um ritual que as pessoas pudessem acompanhar, bilíngue – português e latim –, e as pessoas respondiam e cantavam. Nós fizemos uma missa híbrida, porque existem as low masses, que são as missas simples, e as missas solenes, high masses. Então, tomamos a missa simples, porém com enxertos da missa solene. E eu senti o quanto as pessoas aproveitaram, cantaram, rezaram.
É claro, algumas pessoas que nunca tinham vivido esse rito tiveram alguma dificuldade em  acompanhar o ritual. Mas, em geral, ouvi elogios das pessoas. Aquelas que vieram, na sua grande maioria, é porque pediram essa missa, salvo outras que vieram por curiosidade. Nós evitamos ao máximo, conforme conversamos com o senhor arcebispo, não tornar esse ritual da missa um espetáculo, um teatro. Porque a missa tem um valor em si mesma, o sacrifício que se renova da Paixão, Morte e Ressurreição de Nosso Senhor.

Sobre o aspecto místico, posso destacar que, desde a preparação, entre os cinco auxiliares de missa, os cinco acólitos que estavam na sacristia, havia um silêncio, um recolhimento que proporcionou a essas pessoas um clima de oração, de comunhão com Deus. Eu senti isso muito. E, se fosse fazer uma síntese, a repercussão foi positiva nas pessoas, elas se sentiram contentes, agradeceram. Muitas chegaram depois na sacristia e disseram: "Obrigado, padre, por nos ter dado esse presente". Então, eu senti o quanto elas fizeram uma experiência de Deus. Fazendo uma avaliação, eu diria que alguns detalhes nós podemos melhorar nas próximas ocasiões, mas, no todo, foi válido.
 IHU On-Line – Foi toda rezada em latim, ou houve momentos, como as leituras, que foram em português, como o motu proprio permite?
Adilson Feiler – No documento motu proprio diz-se que as leituras podem ser em português. Nós fizemos em latim. Estamos pensando, para a próxima missa, em fazê-las em português. A homilia, que é feita no púlpito, é em português. Na próxima missa, estamos pensando em até fazer uma breve explicação, já que essa missa não tem comentários. Tem certos elementos que não se pode mudar. Pode-se fazer as leituras em português, como nós pensamos para a próxima, e uma breve explicação da estrutura da missa, para que as pessoas possam aproveitar mais, uma espécie de catequese fora da homilia, que é o momento em que o padre se volta para as pessoas. Em outros momentos, ele está versus Deum [voltado para Deus], mas, em outros, ele se volta para as pessoas, como em algumas invocações, Dominus vobiscum [Deus esteja convosco].
IHU On-Line – Para o fiel, quais são as principais diferenças litúrgicas da missa celebrada no rito antigo com relação à missa em sua forma ordinária, segundo o missal de Paulo VI usado hoje?
Adilson Feiler – Conforme o documento do papa, não é um outro rito: é o mesmo rito, o rito latino. Porém, muda a maneira de celebrar, uma maneira que é chamada – popular ou vulgarmente – de "tridentina". Mas o que basicamente muda são alguns gestos do padre, a sua própria postura: ele está versus Deum – essa é a grande diferença – e o fato de ser em latim.
Também as orações ao pé do altar, logo no princípio. São recitadas algumas antífonas: "Introibo ad altare Dei qui lætificat juventutem meam", "Subirei ao altar de Deus, que é a alegria da minha juventude", mais alguns versículos do Salmo 42. É uma espécie de preparação que o padre com os seus acólitos fazem.
Existe também uma única oração eucarística, que é o Cânon RomanoI Oração Eucarística do missal atual –, e que é toda rezada em silêncio, in secreto. Talvez esse seja o ponto que mais crie estranhamento nas pessoas, porque é uma oração toda em silêncio. Então, esse é um ponto que merece um esclarecimento para as pessoas, principalmente as que não viveram essa missa.
Outra diferença é um segundo Evangelho, sempre fixo, que é o Prólogo do Evangelho de João, que é rezado depois da bênção final, na Sacra, ao lado esquerdo do altar, que é o lado da Epístola, como nós chamamos – Epístola, Evangelho e Lavabo: esses são os três lados do altar.
Basicamente são essas as diferenças. Não há grandes diferenças. O Kyrie, o Ato Penitencial, o Glória, o Creio são todos iguais, só que em latim.
IHU On-Line – O senhor também disse que a proposta não é de uma experiência estética. Então, com relação aos aspectos teológicos mais de fundo, por que rezar uma missa tridentina e por que não a missa ordinária?
Adilson Feiler – Nós celebramos a missa ordinária diariamente, e, como o próprio nome já diz, é a missa da ordem comum. Já a missa do Missal de João XXIII é uma missa extraordinária, conforme as orientações do papa. As pessoas que querem, têm a possibilidade de celebrar também a missa extraordinária.
IHU On-Line – Mas existe alguma opção teológica de fundo?
Adilson Feiler – Não. Simplesmente colocamos em prática uma das orientações do Papa Bento XVI. As pessoas que querem, pedem, têm como direito seu que se celebre essa missa. Se há uma comunidade de fé de pessoas que partilham e que conhecem minimamente o latim, que comungam desse espírito, elas fazem a experiência de Deus: aí não se torna espetáculo. Caso contrário se torna algo externo. Então, se existe uma comunidade de fiéis que comungue com isso, teologicamente falando, a missa nova é igual à missa antiga: ou seja, a Igreja faz eucaristia, a eucaristia faz Igreja, um processo dialético. A unidade da fé dos fiéis: isso é igual. Desde tempos imemoriais até o futuro, deve ser respeitado o princípio segundo o qual cada Igreja particular deve estar de acordo com a Igreja universal sobre a doutrina da fé e os sinais sacramentais, nos usos universalmente transmitidos pela tradição apostólica contínua. Estes devem manter-se não só para evitar os enganos, mas também para que a fé seja transmitida em sua integridade, já que a regra de oração da Igreja (lex orandi) corresponde a sua regra da fé (lex credendi).
IHU On-Line – Foi necessário algum tipo de negociação com a Igreja local, com Dom Dadeus ou com os seus irmãos jesuítas? Foi necessário obter autorização?

Adilson Feiler – A primeira autorização tivemos que pedir à comunidade. Eu sou vice-reitor. O reitor da Igreja é a autoridade máxima aqui dentro [da comunidade]. Claro, você tem que conhecer minimamente a comunidade. Esse é o princípio missionário da Companhia de Jesus: se adaptar aos tempos, lugares e pessoas.
A comunidade São José é uma comunidade tradicional. Não daria para se fazer isso em outras comunidades em que eu vivi, que já não têm esse perfil. Eu não estaria falando, traduzindo o Evangelho na linguagem dessas pessoas. Aqui, então, foi perfeitamente viável.
Mas foi necessária uma negociação com o reitor da Igreja, com a comunidade e com o arcebispo, que é o nosso ordinário no que diz respeito a qualquer coisa que formos fazer. No que diz respeito ao celebrar o culto, propriamente – embora o papa autorize a presidência desta missa extraordinariamente –, para nos manter em comunhão com a Igreja local, nós tivemos que pedir a autorização, o placet do senhor arcebispo. Isso foi muito tranquilo.
No nosso boletim, eu até escrevi uma breve nota sobre o documento motu proprio, já que isso pode causar um certo estranhamento em algumas pessoas. Tudo o que você for fazer vai causar prós e contras. É claro, temos que suscitar a discussão e enfrentar o conflito mais com argumentos, que sejam minimamente plausíveis para que venham corroborar a nossa proposta de possibilitar às pessoas ter acesso a essa missa. Pessoas que conhecem, que participam, que fazem uma experiência de Deus dentro desse rito, melhor dizendo, dentro dessa maneira de celebrar.
IHU On-Line – E com os jesuítas, como foi?
Adilson Feiler – Alguns apoiam, outros não. Há controvérsias. E é inclusive salutar que existam.
IHU On-Line – Quais são os projetos a partir de agora? A missa no rito antigo vai ter continuidade, de 15 em 15 dias?
Adilson Feiler – Esperamos que sim. O nosso termômetro é a comunidade dos fieis, a quem nós servimos.
IHU On-Line – E estão planejadas outras celebrações segundo o missal de Pio V, como batizados, casamentos etc.?
Adilson Feiler – A princípio, até se poderia, segundo o documento. Mas por enquanto são as eucaristias, quinzenalmente.
IHU On-Line – E com relação à instrução sobre o motu proprio, que vai esclarecer algumas questões que foram surgindo ao longo do tempo, o que o senhor desejaria que ficasse mais claro?
Adilson Feiler – Um esclarecimento maior sobre o fato de que a missa do Missal de João XXIII e a missa do Missal de Paulo VI são a mesma missa. Não se tratam de ritos diferentes (o que seria algum rito oriental, por exemplo). E também um esclarecimento para que não exista confusão entre a maneira tridentina de celebrar com o ser conservador. Essa é a grande confusão que pode ser causada nas pessoas. Acho que é um juízo, no mínimo, apressado.
IHU On-Line – Perante uma sociedade que se diz pós-moderna, líquida, marcada pela revolução tecnológica, que significado o senhor percebe nessa retomada de uma fé mais tradicional? É um paradoxo ou é um sinal dos tempos?
Adilson Feiler – Isso nós podemos assistir em todos os momentos da história quando se está vivendo uma abertura grande: de repente, se vê a fragmentação. Nós podemos dizer que o homem pós-moderno, o homem de hoje, está fragmentado. E, nessa fragmentação, está havendo a busca de algo, de um sentido. Nós estamos mergulhados em um chamado "niilismo". Então é preciso estabelecer algum ponto de sustentação, e acredito que, possivelmente, essa maneira de celebrar seja uma das respostas às quais somos chamados.
Claro, todas as mudanças são doloridas, são traumáticas. Estamos vivendo uma fase de transição. Fui ordenado na era Bento XVI, que é uma outra era. Eu tenho que enfrentar, digamos, críticas de uma parte que viveu uma outra era. Então, é comum isso dentro da sociedade, da Igreja e mesmo nas ordens religiosas. Temos que viver aquilo que Santo Inácio diz: estar aberto aos tempos, ao espírito dos tempos. E o espírito que nós vivemos é este: de fragmentação e, dentro dessa fragmentação, há uma busca. Então é preciso estabelecer sentido para a vida, valores, e, dentro deles, também pode-se destacar os valores religiosos, celebrativos. As pessoas estão buscando a mística, o silêncio na liturgia: ou seja, o mistério. O barulho se torna espetáculo; o silêncio conduz as pessoas ao mistério. E para endossar esta ideia cito um pensamento de um teólogo jesuíta Karl Rahner: "O cristão do futuro ou será místico ou não será cristão". A maneira tridentina de celebrar não seria uma busca dessa mística?
(Por Moisés Sbardelotto)

Fonte: IHU

Presidente da Conferência Episcopal Italiana sobre a finalidade da Instrução Universae Ecclesiae: recuperar em cada diocese todo o patrimônio litúrgico da Igreja Católica


No início da 63ª Assembléia Geral da Conferência Episcopal Italiana, o Card. Angelo Bagnasco, entre os motivos que tem para agradecer o Papa Bento XVI, enumera a Instrução Universae Ecclesiae e fala sobre o porquê desta Instrução:

“O primeiro diz respeito à Instrução Universae Ecclesiae destinada a dar uma correta aplicação ao Motu Proprio Summorum Pontificum de 7 de julho de 2007 e, portanto, a recuperar de modo mais comprometido e harmonioso - no âmbito de cada diocese - todo o patrimônio litúrgico da Igreja Católica. Em substância, destinada a nunca ferir a concórdia de cada igreja particular com a Igreja Católica, antes, atuando para unir todas as forças e restituir à liturgia o seu poderoso encanto”.

segunda-feira, 23 de maio de 2011

Dom Dominique Rey, bispo de Toulon na França, confere ordenação diaconal na Forma Extraordinária na sua Catedral










Fonte: Cathedrale de Toulon

Cardeal Ouelet: cristãos perseguidos no mundo


Montevidéu, 23 mai (RV) - O Prefeito da Congregação para os Bispos, Cardeal Marc Ouellet, expressou sua preocupação pela perseguição contra os cristãos no mundo, especialmente no Oriente Médio, pois “nunca houve tantos mártires cristãos”. “É assombrosa a quantidade de religiosos, bispos, sacerdotes que são assassinados ao longo de seus ministérios, isso é muito preocupante”, disse o Cardeal ao jornal uruguaio “El Pais” neste fim de semana.

O prelado disse ainda que no Oriente Médio a situação “é muito difícil. As condições de guerra fazem com que os cristãos fujam, e notamos com muita preocupação que o Meio Oriente vai se esvaziando de cristãos. Isso não é um progresso nem mesmo para a cultura local, o cristianismo é uma força de paz e esperança”, afirmou.

O também Presidente da Pontifícia Comissão para a América Latina (CAL) se expressou contra as guerras porque não ajudam às relações geopolíticas e a relação entre o ocidente e o mundo islâmico.

“Qualquer guerra faz com que o mundo islâmico satanize o ocidente como se fosse seu inimigo. As ações de terrorismo levam a identificar uma religião com o terrorismo, a uma simplificação que deve ser evitada. A religião muçulmana não é terrorista, é uma crença que implica uma relação positiva com Deus. Evidentemente há fanáticos que se aproveitam da religião e fazem terrorismo em seu nome, isso não é religioso, ao contrário é blasfema”, assinalou.

Nesse sentido, o Cardeal Ouellet se mostrou cético de que a morte da Osama Bin Laden ajude na luta contra o terrorismo islâmico, porque o Al Qaeda é uma organização “que deve ter outros chefes”.

“Há lutas para controlar riquezas mundiais, deve-se procurar equilíbrios e justiça. Os chefes de Estado devem estar mais atentos à miséria. Temos o desenvolvimento das tensões dentro do mundo islâmico, isso é grave e não é vantagem para nós. Se explodir uma crise no mundo islâmico é pior para o planeta”, advertiu.

O Cardeal afirmou ainda que não há contradição entre a fé cristã e a ciência, e que todo descobrimento científico é bem-vindo. “Isso não faz retroceder a fé”, indicou. “No campo da teologia se pode desenvolver conhecimento mas se ao mesmo tempo não cultiva uma relação pessoal com Deus através da oração, os conhecimentos podem não fazer progredir o indivíduo”, explicou.

Finalmente, destacou os aspectos positivos da globalização e afirmou que “a Igreja globaliza desde o começo”, pois “Jesus Cristo é o maior globalizador, é quem dá à humanidade sua unidade”. (SP)


sábado, 21 de maio de 2011

Santa Missa Gregoriana em Belém do Pará agora na Igreja do Rosário da Paróquia da Santíssima Trindade

Dom Alberto Taveira, Arcebispo de Belém durante
Santa Missa Pontifical na Forma Extraordinária
Parabenizamos os fiéis ligados ao Usus Antiquior do Rito Romano na Arquidiocese de Belém e os sacerdotes que os assistem  por esta grata notícia que nos transmite o Blog Sal e Luz  com a data de 15 de maio:


Primeira Missa na Igreja do Rosário da Campina

Hoje iniciamos as Santas Missas Tridentinas na Igreja do Rosário no bairro da Campina em Belém do Pará.

O Celebrante foi o padre Wiremberg Silva e a foto mostra uma parte dos fiéis que participaram da Missa.

Essa data é muito importante pois iniciamos a missa em um paróquia e não mais de forma isolada em uma capela quase que fechada, como era o caso da Capela do colégio Gentil Bittencourt, que por mais de dois anos, com a Graça de Deus e a bondade das irmãs filhas de Santana nos acolheram.

Saudemos então esse novo tempo que se inicia agradecendo também ao nosso Arcebispo Dom Alberto Taveira e ao nosso pároco Padre Ronaldo Menezes.

Aproveito novamente para convidar a todos os católicos de nossa cidade a participarem dessa missa que acontece todo domingo as 11 horas da manhã, agora na igreja de Nossa Senhora doRosário.

Viva o Papa!
Viva Dom Alberto Taveira!
Viva padre Ronaldo Menezes!


Il Papa ha soppresso l’Abbazia di Santa Croce in Gerusalemme a Roma. Abusi liturgici e poca disciplina (Galeazzi)


Il Papa chiude l'abbazia dei vip
"Troppi intrighi e mondanità"


A Santa Croce in Gerusalemme abusi liturgici e poca disciplina

GIACOMO GALAEZZI

CITTA' DEL VATICANO

È una delle sette mete del pellegrinaggio a Roma e custodisce la più sacra delle reliquie (i frammenti della croce di Cristi), ma da vent’anni ospita lo scintillante regno dell’eccentrico abate acchiappavip, padre Simone Fioraso, ex stilista negli atelier milanesi. Dopo 18 secoli una delle basiliche romane più suggestive si era trasformata in un set cinematografico tra raduni di nobiltà nera, maratona tv di lettura della Bibbia (aperta da Benedetto XVI e intervallata dai balli col crocifisso dell’ex lap dancer suor Anna Nobili, documentata dal sito Messainlatino), visite di celebrità «cattolicamente scorrette» come la cantante Madonna, annesso albergo alla moda, interventi architettonici scenografici come il cancello-scultura di accesso all’orto botanico realizzato dall’artista superstar Jannis Kounellis.

Negli orti griffati della Basilica di Santa Croce in Gerusalemme era di casa la Roma glamour, si vendevano frutta e verdura biologiche (in realtà acquistate dai monaci in un negozio vicino) e si davano appuntamento gli «Amici di Santa Croce», associazione presieduta dal marchese Giulio Sacchetti discendente di Carlo Magno (sua vice è Olimpia Torlonia), luogo d’incontro fra poteri temporali e spirituali. Troppa mondanità per uno dei luoghi più venerati della cristianità in cui sono conservati i frammenti di croce ritrovati sul calvario da Sant’Elena, madre dell’imperatore Costantino. Lungo le maestose navate le cappelle svelano tesori di devozione come l’iscrizione sulla croce di Gesù, un chiodo e due spine della corona di Gesù, il dito di San Tommaso, l’apostolo che dubitava della resurrezione e una parte della croce del Buon Ladrone.

Eccessive luci della ribalta mediatica, maxi-lavori di ristrutturazione, l’accusa di abusi liturgici (documentati da foto di suore che danzano intorno all’altare), intrighi, le voci di scarsa disciplina morale e comportamenti discutibili nella comunità monastica.

In Vaticano hanno voluto vederci chiaro con un’ispezione: la «Visita Apostolica “ad inquirendum et referendum”» ha indagato e riferito in Curia irregolarità tali da giustificare la cancellazione dell’abbazia e la diaspora della comunità monastica in altri conventi. Fa le valigie una comunità che nella capitale è un’istituzione dal Cinquecento. Accogliendo «le risultanze della Visita, approvate dal Congresso e confermate in forma specifica dal Santo Padre», il decreto firmato dal prefetto vaticano João Braz de Aviz e dal segretario Joseph Tobin e non ancora reso pubblico, è un colpo di scure. La Congregazione per gli istituti di vita consacrata e le Società di vita apostolica, cioè il ministero che «ha il compito di intervenire in tutto ciò che è riservato alla Santa Sede per quanto riguarda la vita consacrata», sopprime l’Abbazia di Santa Croce e dispone che «i monaci ivi residenti» si trasferiscano nei monasteri di San Bernardo in Italia, come stabilito dal commissario pontificio dom Mauro Giuseppe Lepori, abate generale dell’ordine cistercense.

Sotto la lente degli ispettori vaticani erano finiti in particolare, padre Fioraso e i suoi due più stretti collaboratori, padre Luca Zecchetto (direttore artistico del coro delle «Matite colorate») e padre Ryan per motivazioni di gestione economica ma anche di disciplina interna al monastero. Malgrado fossero lì da mezzo millennio, oramai la vita di clausura richiesta ai cistercensi mal si attagliava alla fiorente attività mondana-concertistica, al servizio limousine per i pellegrini più facoltosi, al negozio interno (i prodotti dell’orto disegnato dal paesaggista di casa Rothschild, liquori, miele, marmellate, pregiatissima cioccolata su ordinazione), al via-vai a tutte le ore del giorno, alle visite-passerella in Basilica di popstar trasgressive (Madonna «commossa» in una pausa del concerto a Roma del 2008, Gloria Estefan). Un giro di soldi fuori controllo, denunce arrivate nei Sacri Palazzi su conduzione «allegra» della vita monastica e rapporti non limpidi nella comunità. Una partita giocata tra sovraesposizione mediatica e trame opache.

Fino al fischio finale di Benedetto XVI.

© Copyright La Stampa, 21 maggio 2011 consultabile online anche qui.
Via Blog degli amici di Papa Ratzinger

sexta-feira, 20 de maio de 2011

El uso de misales y hojas en la Santa Misa


Columna de teología litúrgica dirigida por Mauro Gagliardi


Por Paul Gunter, O.S.B.*

ROMA, viernes 20 de mayo de 2011 (ZENIT.org).- El uso de los misales por parte de los fieles laicos, al menos en los principales países europeos, se practica desde hace más de dos siglos. En los países que conocieron persecuciones religiosas, la posesión de tales libros representaba, para los opositores de la fe católica, una prueba suficiente de adhesión al “papismo”.

Entre 1788 y 1792 aparecieron traducciones en italiano de la Misa, tanto del rito ambrosiano como del romano, con el añadido de explicaciones sobre las principales fiestas, contenidas dentro de una guía a la oración para los fieles devotos. Hechos similares tuvieron lugar en Francia y en Alemania y se desarrollaron rápidamente, inspirados por las iniciativas litúrgicas de Prosper Guéranger, en el siglo XIX. El uso de pequeños misales favoreció un apego a la liturgia que introdujo a aquellos que sabían leer en los meandros de la liturgia celebrada en latín. Los misales a menudo incluían los textos de las vísperas del domingo, que se convirtieron en práctica de muchas parroquias especialmente en Francia, en los Países Bajos y en Alemania. Durante el siglo XX, estos subsidios fueron enriquecidos progresivamente con material catequético sobre el año litúrgico, comentarios a la Sagrada Escritura y textos eucológicos.

Actualmente, en las celebraciones según la “forma extraordinaria” (o de san Pío V), los misales se consideran un requisito previo, no sólo como medio de participación en el conocimiento de los textos eucológicos, que a menudo son intencionalmente leídos en silencio, sino, más importante aún, como instrumentos para seguir los textos de la Escritura, como también de algunos ritos particulares ligados a ciertos días. Estos contienen una versión abreviada de las rúbricas del Misal del altar y proporcionan una colección de textos e ilustraciones de arte sacro que apoyan la oración y ayudan a reducir las inevitables distracciones.

En el contexto de la “forma ordinaria” (o de Pablo VI), el fin de los misales de cara a la participación en la Misa es menos claro. A pesar de que muchas personas [sobre todo fuera de Italia, ndt] decidan tener uno, quizás inspirados en el ejemplo del pasado, la hermenéutica de la participación ha cambiado. Este cambio ha influido en los fieles hasta el punto de que muchos de ellos han dejado simplemente de usarlos. A pesar de ello, el misal sigue siendo de ayuda para los sordos y para aquellas situaciones particulares en las que la proclamación de los textos es incomprensible.

La mayoría de los católicos se ha dado cuenta de que el movimiento litúrgico del siglo XX ha luchado por la reforma de la liturgia. Pocos han apreciado el hecho de que, cuando la Sacrosanctum Concilium (SC) ha invocado la reforma de la liturgia, lo hizo pidiendo que la reforma fuese acompañada de la promoción del culto litúrgico (cf. n. 1). Con este objetivo, era necesario que la liturgia comunica efectivamente lo que celebra, para que las mentes y los corazones de quienes toman parte en ella fuesen capaces de articular lo que era promovido. Esta hermenéutica sustenta la directiva de SC 11: “los pastores de almas deben vigilar para que en la acción litúrgica no sólo se observen las leyes relativas a la celebración válida y lícita, sino también para que los fieles participen en ella consciente, activa y fructuosamente”.

Después del Vaticano II, los pequeños misales perdieron mucho de su papel en la promoción de la vida litúrgica, dado que los fieles aprendieron las partes aprendieron las partes de la celebración que les correspondían y a recitarlas juntos “de forma comunitaria” (SC 21). Las lecturas son proclamadas ahora en voz alta y con el apoyo de sistemas de amplificación, desde un ambón dirigido hacia la asamblea. Muchos de quienes seguían antes los textos sobre los misales, se convirtieron en los pioneros del n. 29 de SC, porque, siendo ahora lectores, han descubierto una nueva y “sincera piedad”, al encontrarse ejerciendo una verdadera función litúrgica. El clero, animado por SC 24, ha comenzado a predicar de un modo ideal sobre la Escritura proclamada, con el resultado que desde los sermones se ha pasado a las homilías, arraigadas en la predicación litúrgica y destinadas a hacer accesible la palabra de Dios proclamada. En consecuencia, en la medida en que se hacían familiares con los ritos, los fieles necesitaban cada vez menos leer material de apoyo, que les diese indicaciones estructurales. Ellos habían mayormente dejado de lado los misales. Irónicamente, sin embargo, el uso de misales y de folletos va a volver a empezar, pues las parroquias deberán pronto utilizar las nuevas traducciones de la tercera edición del Misal Romano.

Es desalentador que muchas parroquias se hayan servido durante tantos años de folletos preparados de semana en semana. El desorden generado por ellos no sólo disminuye fuertemente el valor de un espacio armónico de recogimiento dentro del edificio sagrado; sino que ellos mismos se presentan a menudo mal redactados. Algunos editores de folletos añaden estrofas de cantos del todo irrelevantes respecto a los textos litúrgicos. La confianza depositada en estos cantos ha ayudado ciertamente a evitar enfrentarse con el reto, que se presenta de forma muy intensa, respecto al hecho de que hoy se canta de todo, pero se han perdido o descartado textos de las antífonas de entrada y de comunión. Además, la dignidad reconocida a las Escrituras no se valora de hecho cuando la asamblea gira la página del folleto, quizás a medias de la segunda lectura.

Queda por ver si la renovación en la publicación de los misales para la “forma ordinaria”, a la luz de las próximas traducciones nuevas, inaugurará un nuevo interés hacia un uso difundido de ellos a largo plazo. Lo que es cierto es que estas publicaciones necesitan empaparse del espíritu de la liturgia y promover la conformidad con lo que la Iglesia pide de nosotros, en esta renovada oportunidad para una auténtica catequesis sobre la Misa, ofrecida por las sugerencias procedentes de las nuevas traducciones. Para que los fieles sean reconducidos a una verdadera “plena, consciente y activa en las celebraciones litúrgicas”(SC 14), es necesario aquellos a quienes se han confiado las mejoras del nuevo Misal “aprendan al mismo tiempo a observar las leyes litúrgicas”(SC 17). Entonces, los misales pequeños y cualquier otro material suplementario, resplandecerá como faro de unidad, es decir, de una liturgia celebrada, fielmente reformada y promovida de tal forma que se enseñe “tanto bajo el aspecto teológico e histórico como bajo el aspecto espiritual, pastoral y jurídico”(SC 16)

Traducción y reducción del original inglés realizada por Mauro Gagliardi; versión española realizada por Inma Álvarez

* Paul Gunter, O.S.B. Es profesor en el Pontificio Instituto Litúrgico de Roma y Consultor de la Oficina de las Celebraciones Litúrgicas del Sumo Pontífice.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

Irmã Dulce será beatificada neste domingo


Religiosa brasileira falecida era conhecida como “anjo bom”

SALVADOR, quinta-feira, 19 de maio de 2011 (ZENIT.org) – Ela foi postulada ao prêmio Nobel da Paz em 1988 pelo governo brasileiro. Recebeu visitas de João Paulo II em 1980 e 1991, um ano antes da sua morte. A Irmã Dulce Lopes Pontes será beatificada neste domingo, em Salvador da Bahia, em uma cerimônia celebrada pelo seu arcebispo emérito, cardeal Geraldo Majella Agnelo, em representação do Papa Bento XVI.

“Cada santo é um exemplo de Cristo – disse o purpurado, ao ficar sabendo de sua beatificação -, como no caso da Irmã Dulce, que se dedicou diariamente, ao longo de sua vida, aos pobres e sofredores.”

Pelo seu trabalho incansável com os pobres, mendigos e desamparados, o jornal O Estado de São Paulo a nomeou a mulher mais admirada da história do Brasil.

Sensibilidade frente aos mais necessitados

Seu nome era Maria Rita e ela nasceu em 1914. Tinha 6 anos quando sua mãe morreu, e suas tias se encarregaram da sua criação. Aos 13 anos, uma delas a levou para conhecer as regiões mais pobres da sua cidade, fato de despertou nela uma grande sensibilidade. Assim, aos 18 anos, começou a fazer parte da Congregação das Irmãs Missionárias da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, onde começou a chamar-se Irmã Dulce.

Uma das inspirações para o discernimento da sua vocação foi a vida de Santa Teresa do Menino Jesus: “Acho que sou como o pequeno amor do meu pequeno coração, que, por mais que tenha, é pouco para um Deus tão grande”, escrevia a Irmã Dulce quando entrou no convento.

“A exemplo de Santa Teresinha, acho que devem ser agradáveis ao Menino Jesus todos os atos pequenos de amor, por menores que sejam”, disse aquela vez.

Amor feito obras

Seus pequenos atos de amor se traduziram em grandes obras sociais: a Irmã Dulce fundou a União Operária de São Francisco, um movimento cristão de operários na Bahia.

Mais tarde, começou a refugiar pessoas doentes em casas abandonadas em uma ilha de Salvador. Depois foram desalojados e ela transladou esse lugar de refúgio a um antigo mercado de peixes, mas a prefeitura a obrigou a deixar esse lugar.

O único lugar onde ela podia receber mais de 70 pessoas que precisavam de assistência médica era o galinheiro do convento onde vivia. Este se converteu rapidamente em um hospital improvisado.

Assim começou a história de outra de suas fundações, o hospital Santo Antônio, que foi inaugurado oficialmente em maio de 1959, com 150 camas. Atualmente, recebe 3 mil pacientes por dia.

Hoje, suas fundações são conhecidas com o nome de Obras Sociais Irmã Dulce (OSID). A instituição funciona como uma entidade privada de caridade sob as leis brasileiras, acreditadas pelo Estado federal e registradas pelo Conselho Nacional do Bem-Estar e o Ministério da Educação.

Dentro dessas obras também se encontra o Centro Educacional Santo Antônio, situado na região de Simões Filho (BA).

Em seus últimos 30 anos de vida, a saúde da Irmã Dulce estava muito debilitada. Tinha somente 30% da capacidade respiratória. Em 1990, começou a piorar e durante 16 meses permaneceu hospitalizada. Lá recebeu a visita do hoje Beato João Paulo II, com quem havia tido uma audiência privada dez anos antes.

Depois, foi transladada ao convento de Santo Antônio, onde morreu em 13 de março de 1992. Milhares de homens e mulheres em condições de extrema pobreza se reuniram para dar-lhe o último adeus, diante dos seus restos mortais.

No ano passado, seu corpo foi transladado à Igreja da Imaculada Conceição da Mãe de Deus, onde se descobriu que havia permanecido incorrupto de maneira natural.

O milagre para a sua beatificação ocorreu em 2001, quando Cláudia Cristiane Santos, hoje com 42 anos, sobreviveu a uma hemorragia incontrolável logo após dar à luz. O sangramento não cessava, apesar das três cirurgias que lhe foram feitas. Os médicos haviam perdido toda esperança de que sobrevivesse e, quando seus pais pediram a intercessão da Irmã Dulce, em uma corrente de oração liderada pelo Pe. José Almí de Menezes, a hemorragia parou imediatamente.

Este fato foi a confirmação de uma vida virtuosa, centrada na oração e na caridade a partir das pequenas coisas, que neste domingo chega aos altares.

“O amor supera todos os obstáculos, todos os sacrifícios”, dizia a Irmã Dulce.

(Carmen Elena Villa)


 

Catequese do Papa: a oração intercessora de Abraão



Intervenção na audiência geral desta semana


CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 18 de maio de 2011 (ZENIT.org) - Apresentamos, a seguir, a catequese dirigida pelo Papa aos grupos de peregrinos do mundo inteiro, reunidos na Praça de São Pedro para a audiência geral.


Queridos irmãos e irmãs:

Nas duas últimas catequeses, refletimos sobre a oração como fenômeno universal, que - inclusive de diversas formas - está presente nas culturas de todas as épocas. Hoje, no entanto, eu gostaria de começar um percurso bíblico sobre este tema, que nos conduzirá a aprofundar no diálogo de aliança entre Deus e o homem, presente na história da salvação, até o seu cume, a Palavra definitiva que é Jesus Cristo. Este caminho nos fará deter-nos em alguns textos importantes e figuras paradigmáticas do Antigo e do Novo Testamentos. Será Abraão, o grande patriarca, pai de todos os crentes (cf. Rm 4,11-12.16-17), quem nos oferecerá o primeiro exemplo de oração, no episódio de intercessão pela cidade de Sodoma e Gomorra. E eu gostaria de vos convidar a aproveitar este percurso que faremos nas próximas catequeses para aprender a conhecer melhor a Bíblia, que espero que tenhais em vossas casas; e, durante a semana, podeis lê-la e meditá-la na oração, para conhecer a maravilhosa história da relação entre Deus e o homem, entre o Deus que se comunica conosco e o homem que responde, que reza.

O primeiro texto sobre o qual refletiremos se encontra no capítulo 18 do livro do Gênesis; conta-se que a maldade dos habitantes de Sodoma e Gomorra estava chegando ao seu limite, tanto que se fez necessária uma intervenção de Deus para realizar um grande ato de justiça e frear o mal, destruindo aquelas cidades. Aqui intervém Abraão, com sua oração de intercessão. Deus decide revelar-lhe o que vai lhe acontecer e lhe faz conhecer a gravidade do mal e suas terríveis consequências, porque Abraão é seu escolhido, escolhido para construir um grande povo e fazer que o mundo inteiro alcance a bênção divina. A sua é uma missão de salvação, que deve responder ao pecado que invadiu a realidade do homem; através dele, o Senhor quer levar a humanidade à fé, à obediência, à justiça. E então, este amigo de Deus se abre à realidade e às necessidades do mundo, reza pelos que estão a ponto de ser castigados e pede que sejam salvos.

Abraão enfrenta, logo depois, o problema em toda a sua gravidade e diz ao Senhor: "Vais realmente exterminar o justo com o ímpio? Se houvesse cinquenta justos na cidade, acaso os exterminarias? Não perdoarias o lugar por causa dos cinquenta justos que ali vivem? Longe de ti proceder assim, fazendo morrer o justo com o ímpio, como se o justo fosse igual ao ímpio! Longe de ti! O juiz de toda a terra não faria justiça?" (vv. 23-25). Com estas palavras, com grande coragem, Abraão apresenta a Deus a necessidade de evitar a justiça sumária: se a cidade é culpada, é justo condenar e infligir a pena, mas - afirma o grande patriarca - seria injusto castigar de modo indiscriminado todos os habitantes. Se na cidade há inocentes, estes não podem ser tratados como culpados. Deus, que é um juiz justo, não pode agir assim, diz Abraão, justamente, a Deus.

Ao lermos mais atentamente o texto, percebemos que a petição de Abraão é ainda mais séria e profunda, porque não se limita a pedir a salvação para os inocentes. Abraão pede o perdão para toda a cidade e o faz apelando à justiça de Deus. Ele diz, de fato, ao Senhor: "Não perdoarias o lugar por causa dos cinquenta justos que ali vivem?" (v. 24b). Dessa maneira, coloca em jogo uma nova ideia de justiça: não a que se limita a castigar os culpados, como os homens fazem, mas uma justiça diferente, que busca o bem e o cria através do perdão que transforma o pecador, converte-o e o salva. Com a sua oração, portanto, Abraão não invoca uma justiça meramente retributiva, mas uma intervenção de salvação que, levando em conta os inocentes, liberta da culpa também os ímpios, perdoando-os. O pensamento de Abraão, que parece quase paradoxal, poderia se resumir assim: obviamente, não se pode tratar os inocentes como os culpados, isso seria injusto; é necessário, no entanto, tratar os culpados como os inocentes, realizando um ato de justiça "superior", oferecendo-lhes uma possibilidade de salvação, porque, se os malfeitores aceitam o perdão de Deus e confessam sua culpa, deixando-se salvar, não continuarão fazendo o mal; eles se converterão também em justos, sem necessitar jamais ser castigados.

É esta a petição de justiça que Abraão expressa em sua intercessão, uma petição que se baseia na certeza de que o Senhor é misericordioso. Abraão não pede a Deus uma coisa contrária à sua essência; ele bate à porta do coração de Deus conhecendo sua verdadeira vontade. Já que Sodoma é uma grande cidade, cinquenta justos parecem pouca coisa, mas a justiça de Deus e seu perdão não são talvez a manifestação da força do bem, ainda que este pareça menor e mais fraco que o mal? A destruição de Sodoma deveria frear o mal presente na cidade, mas Abraão sabe que Deus tem outras maneiras e meios para frear a difusão do mal. É o perdão que interrompe a espiral do pecado e Abraão, em seu diálogo com Deus, apela exatamente a isso. E quando o Senhor aceita perdoar a cidade se encontrar nela cinquenta justos, sua oração de intercessão começa a descer aos abismos da misericórdia divina. Abraão - como recordamos - diminui progressivamente o número dos inocentes necessários para a salvação; se não forem cinquenta, poderiam ser quarenta e cinco, e assim por diante, até chegar a dez, continuando com a sua súplica, que se torna audaz na insistência: "E se forem só quarenta... trinta... vinte... dez?" (cf. v. 29. 30. 31. 32). E, quanto menor é o número, maior se revela e se manifesta a misericórdia de Deus, que escuta com paciência a oração, acolhe-a e repete depois de cada súplica: "Perdoarei... Não a destruirei... Não o farei" (cf. v. 26. 28. 29. 30. 31. 32).

Assim, pela intercessão de Abraão, Sodoma poderá ser salva, se nela se encontrarem apenas dez inocentes. Este é o poder da oração. Porque, através da intercessão, da oração a Deus pela salvação dos outros, se manifesta e se expressa o desejo de salvação que Deus tem sempre com relação ao pecador. O mal, de fato, não pode ser aceito, deve ser apontado e destruído através do castigo: a destruição de Sodoma tinha esta intenção. Mas o Senhor não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva (cf. Ez 18,23; 33,11); seu desejo é perdoar sempre, salvar, dar a vida, transformar o mal em bem. E este é o desejo divino que, na oração, se torna também desejo do homem e se expressa por meio das palavras de intercessão. Com sua súplica, Abraão está emprestando sua voz, mas também seu coração à vontade divina: o desejo de Deus é misericórdia, amor e vontade de salvação, e este desejo de Deus encontrou em Abraão e na sua oração a possibilidade de manifestar-se de maneira concreta na história dos homens, para estar presente onde há necessidade de graça. Com a voz da sua oração, Abraão está dando voz ao desejo de Deus, que não é o de destruir, mas o de salvar Sodoma, dar vida ao pecador convertido.

Isso é o que o Senhor quer, e seu diálogo com Abraão é uma prolongada e inequívoca manifestação do seu amor misericordioso. A necessidade de encontrar homens justos na cidade se converte cada vez mais em menos exigente e, no final, bastam dez para salvar a totalidade da população. Por que motivo Abraão se deteve em dez, o texto não diz. Talvez seja um número que indica um núcleo comunitário mínimo (ainda hoje, dez pessoas constituem o quorum necessário para a oração hebraica). De qualquer forma, trata-se de um número exíguo, uma pequena parcela do bem para salvar um grande mal. Mas nem sequer dez justos se encontravam em Sodoma e Gomorra e as cidades foram destruídas - uma destruição paradoxalmente necessária para a oração de intercessão de Abraão. Porque precisamente essa oração revelou a vontade salvífica de Deus: o Senhor estava disposto a perdoar, desejava fazê-lo, mas as cidades estavam fechadas em um mal total e paralisante, sem ter nem ao menos alguns poucos inocentes a partir dos quais começar a transformar o mal em bem.

Porque é este o caminho de salvação que também Abraão pedia: ser salvos não quer dizer simplesmente escapar do castigo, mas ser libertados do mal que nos habita. Não é o castigo que deve ser eliminado, mas o pecado, essa rejeição de Deus e do amor que leva em si o castigo. Dirá o profeta Jeremias ao povo rebelde: "Teu crime te castigue, tua infidelidade sirva para tua correção! Reconhece e vê como é ruim e amargo teres abandonado o Senhor, teu Deus" (Jer 2,19). É dessa tristeza e amargura que Deus quer salvar o homem, libertando-o do pecado. Mas é necessária uma transformação a partir do interior, uma gota de bem, um começo do qual partir para transformar o mal em bem, o ódio em amor, a vingança em perdão. Por isso, os justos tinham que estar dentro da cidade e Abraão continuamente repete: "Talvez lá haja...", "lá": é dentro da realidade doente que deve estar esse gérmen de bem que pode curar e devolver a vida. É uma palavra dirigida também a nós: que em nossas cidades haja um gérmen de bem; que façamos o necessário para que não sejam apenas dez justos, para conseguir realmente fazer que nossas cidades vivam e sobrevivam, para salvá-las dessa amargura interior que é a ausência de Deus. E, na realidade doente de Sodoma e Gomorra, aquele gérmen de bem não estava presente.

Mas a misericórdia de Deus na história do seu povo se amplia mais tarde. Se para salvar Sodoma eram necessários dez justos, o profeta Jeremias dirá, em nome do Onipotente, que basta somente um justo para salvar Jerusalém: "Percorrei as ruas de Jerusalém, olhai, descobri, procurai também nas praças, se há alguém que pratique o direito, alguém que busque a sinceridade, para que, então, eu perdoe a cidade" (Jer 5,1). O número diminuiu mais ainda, a bondade de Deus se mostra ainda maior. E nem sequer isso basta, a sobreabundante misericórdia de Deus não encontra a resposta do bem que busca e Jerusalém cai sob o assédio dos inimigos. Será necessário que Deus se converta nesse justo. E este é o mistério da Encarnação: para garantir um justo, Ele mesmo se faz homem. O justo estará sempre presente, porque é Ele: é necessário que o próprio Deus se converta nesse justo. O infinito e surpreendente amor divino é manifestado em sua plenitude quando o Filho de Deus se faz Homem, o Justo definitivo, o perfeito Inocente, que levará a salvação ao mundo inteiro morrendo na cruz, perdoando e intercedendo por aqueles que "não sabem o que fazem" (Lc 23,34). Então, a oração de todo homem encontrará resposta; então, todas as nossas intercessões serão plenamente escutadas.

Queridos irmãos e irmãs, a súplica de Abraão, nosso pai na fé, nos ensina a abrir cada vez mais o coração à misericórdia sobreabundante de Deus, para que, na oração cotidiana, saibamos desejar a salvação da humanidade e pedi-la com perseverança e confiança ao Senhor, que é grande no amor.

Obrigado!

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Edición en lengua portuguesa del libro Summorum Pontificum. ¿Un problema o una riqueza?

 


Con gran alegría comunicamos a nuestros lectores que ha sido editado nuestro libro "Summorum Pontificum. ¿Un problema o una riqueza?" en lengua portuguesa.

La edición ha sido realizada por Caminhos Romanos-Unipessoal, Lda. y la traducción estuvo a cargo de D. Nuno Manuel Castello-Branco Bastos.

La intención de esta obra es ofrecer la recolección de algunas de las intervenciones de las autoridades competentes, para que en medio de tan abundantes distorsiones se pueda comprender un poco mejor el alcance de este Motu Proprio que a la larga se revelara de trascendental importancia para la vida de la Iglesia.

Con la reciente publicación de la Instrucción Universae Ecclesiae, el libro toma de nuevo actualidad: la voluntad del Papa en dar a conocer a toda la Iglesia la liturgia en su forma extraordinaria, el concepto de grupo, la necesidad de formar a los seminaristas en las dos formas del Rito Romano... ya son expuestos en el libro.

Las personas que quieran adquirir el libro en su edición portuguesa pueden dirigirse al siguiente telefono y fax: (00XX351) 220 110 532 ; o al siguiente e-mail: caminhos.romanos@hotmail.com.

Para adquirirlo en lengua española escribir al siguiente correo: santamariarenet@hotmail.com o pueden llamar al (00XX34) 619 011 226.