sábado, 9 de junho de 2012

Bento XVI reafirma doutrina do culto e da sacralidade da Eucaristia prejudicada por «uma interpretação unilateral do Concílio Vaticano II» e por «um certo equívoco da mensagem autêntica da Sagrada Escritura»


Voltar ao sagrado

Na missa de Corpus Christi o Papa reafirma o valor do culto eucarístico e da adoração do Santíssimo Sacramento

O mundo precisa do sagrado. De facto, o seu desaparecimento «empobrece inevitavelmente a cultura». E corre o risco de deixar espaço aberto «aos muitos substitutos presentes na sociedade de consumo, a outros ritos e sinais, que muito facilmente poderiam tornar-se ídolos».

A celebração do Corpus Christi – com a missa em São João de Latrão e a procissão do Santíssimo Sacramento que se concluiu na noite de quinta-feira, 7 de Junho, em Santa Maria Maior – ofereceu a Bento XVI a ocasião para reafirmar alguns pontos firmes da doutrina do culto e da sacralidade da Eucaristia. Dois aspectos que, observou o Pontífice, nos últimos tempos sofreram as consequências de «uma interpretação unilateral do Concílio Vaticano II» e de «um certo equívoco da mensagem autêntica da Sagrada Escritura».

Para o Papa, antes de mais, deve ser reafirmada a importância da adoração eucarística como «acto de fé e de oração dirigido ao Senhor Jesus, realmente presente no Sacramento do altar». Um aspecto que não contradiz a centralidade da celebração, na qual «o Senhor convoca o seu povo, o reúne ao redor da dúplice mesa da Palavra e do Pão de vida, o alimenta e o une a si na oferta do Sacrifício».

Na realidade, explicou o Pontífice, «o culto do Santíssimo Sacramento constitui o ambiente espiritual dentro do qual a comunidade pode celebrar bem e na verdade a Eucaristia». Com efeito, precisamente o estar em joelhos em silência diante do Santíssimo associa o sacerdócio comum ao sacerdócio ministerial, constituindo assim «uma das experiências mais autênticas do nosso ser Igreja».

Também a propósito da sacralidade da Eucaristia o Papa convidou a não se deixar influenciar por uma determinada mentalidade secularista que exclui a sua subsistência. Jesus, recordou Bento XVI, «não aboliu o sagrado mas levou-o a cumprimento». Por isso ele conserva uma dimensão «mais verdadeira, mais intensa», juntamente com uma «função educativa» sobretudo para a formação dos jovens.

9 de Junho de 2012


quinta-feira, 7 de junho de 2012

A adoração eucarística é uma invenção medieval?




Alguns teólogos sustentam que o suposto desvirtuamento da crença eucarística no segundo milênio da era cristã fez com que a Hóstia e o vinho consagrados fossem guardados longe do povo em armários chamados sacrários. É bem verdade que os receptáculos para armazenar a Sagrada Eucaristia, que hoje chamamos de sacrário ou tabernáculo, mudou de forma, material e local conforme os tempos, mas sempre teve o mesmo propósito: o de guardar a Santíssima Eucaristia em locais seguros e dignos.[1]  O zelo pela Eucaristia era o motivo pela qual os primeiros cristãos muitas vezes calavam ou ocultavam suas celebrações dos pagãos e dos catecúmenos (aos quais era permitido assistirem somente a Liturgia da Palavra): evitar que o conhecimento do mistério eucarístico pelos inimigos da Igreja causasse profanações e sacrilégios contra o santíssimo dom do Corpo e Sangue de Cristo. As espécies eucarísticas eram objeto de adoração direta já nos primeiros séculos da Igreja. Temos o testemunho das disposições de um bispo de Corinto, escritas antes da Pax Constantiniana (313) e recolhidas nos estudos litúrgicos do Cardeal De Bona que permitem a comunhão em casa (haja vista ser difícil pelas circunstâncias das perseguições que todos os fiéis conseguissem tomar parte nas celebrações eucarísticas). O mencionado texto dispõe que o fiel deposite a Eucaristia em um altar (ou mesa comum com toalha, caso não haja oratório em casa), queime incenso, cante o Trisagion (a oração “Santo Deus, Santo Poderoso, Santo Imortal, tende piedade de nós!”), recite o Credo, ajoelhe e, somente depois destes gestos de clara adoração, poderia entar comungar do Corpo de Cristo.[2] A Liturgia da Igreja sempre procurou incrementar os gestos, palavras e demais elementos externos que pudessem colocar em evidência a presença real de Jesus no pão e no vinho consagrados. E foi com esse propósito que a Igreja instituiu a festa de Corpus Christi no século XIII.[3]

Desde os primeiros séculos da Igreja, os escritos buscavam realçar a identidade do corpo eucarístico com o corpo de Jesus, que padeceu na cruz.[4] Assim, Cristo está inteiramente presente nas espécies eucarísticas, inclusive com seu corpo e sangue que assumiu ao tomar natureza humana e que foi glorificado em Sua Ressurreição. Devemos, pois evitar a tese de certos teólogos de uma presença vaga e indefinida de Cristo na celebração eucarística, relegando à Eucaristia o aspecto de mera refeição de pacto entre amigos. A Eucaristia é um banquete sacrifical, na qual o pão e vinho transformados no próprio Cristo substituem o cordeiro pascal da Antiga Aliança. Verdadeiro Sacrifício, Sacrifício perfeito. Os ditos teólogos acusam-nos de termos uma crença em uma presença meramente biológica de Cristo na Eucaristia, dizendo que o vocábulo "corpo" usado nos Evangelhos significa a totalidade da Pessoa de Cristo. Ora, se Ele está presente com toda a Sua Pessoa na Eucaristia, não pode estar separado de Seu Corpo glorioso resscucitado.

Neste Corpus Christi, renovemos nossa fé em que, debaixo das frágeis aparências do pão e do vinho está o próprio Jesus Cristo: o mesmo Jesus que nasceu em Belém sob o reinado de Herodes, que viveu e pregou na Palestina, que padeceu e foi crucificado sob Pôncio Pilatos, que ressucitou dos mortos, que subiu aos Céus com Seu Corpo Glorioso e está sentado à Direita do Deus Pai Todo-Poderoso.



Notas de Referência:

[1] Para mais informações sobre a História do Sacrário, vide: DIEHL, Rafael de Mesquita. A História e o sentido do Sacrário na Liturgia. In: http://www.salvemaliturgia.com/2010/07/historia-e-sentido-do-sacrario-na.html

[2] “O cardeal Bona, em seu Rerum liturgicarum, no nº 17, cita o texto das disposições emitidas por um bispo de Corinto, que permitem conhecer o rito de uma comunhão doméstica. “Se vossa casa for dotada de um oratório, depositareis sobre o altar o vaso que contém a Eucaristia. Se faltar o oratório, sobre uma mesa decente. Estendereis um pequeno véu sobre a mesa e lá depositareis as sagradas partículas; queimareis alguns grãos de incenso e cantareis o trisagion [o nosso Sanctus, ndr.] e o Símbolo; então, depois de terdes feito as genuflexões, em sinal de adoração, absorvereis religiosamente o Corpo de Jesus Cristo”.” PIACENZA, Mauro. O receptáculo da Eucaristia. In: Revista 30 Dias. Junho de 2005. In: http://www.30giorni.it/articoli_id_9093_l6.htm?id=9093

[3] "Embora a Eucaristia seja celebrada solenemente todos os dias, na nossa opinião é justo que, pelo menos uma vez por ano, se lhe reserve mais honra e solene memória. Com efeito, as outras coisas que comemoramos, compreendemo-las com o espírito e com a mente, mas não por isso alcançamos a sua presença real. Ao contrário, nesta comemoração sacramental de Cristo, ainda que seja de outra forma, Jesus Cristo está presente no meio de nós na sua própria substância. Com efeito, quando estava prestes a subir ao Céu, Ele disse: “Eis que Eu estou convosco todos os dias, até ao fim do mundo” (Mt 28, 20)" URBANO IV, Papa. Bula Transiturus de hoc mundo. 11 de agosto de 1264. Citado em: http://www.pt.josemariaescriva.info/artigo/porquea-a-festa-do-corpo-de-deus3f

[4] Este texto do Pe. Wagner recolhe diversas citações de várias épocas sobre a Eucaristia como presença real de Cristo: http://pewagner.blogspot.com.br/2010/04/eucaristia-pao-da-vida-em-deus.html

Salvem a Liturgia

domingo, 20 de maio de 2012

MENSAGEM DO PAPA BENTO XVI PARA O 46º DIA MUNDIAL DAS COMUNICAÇÕES SOCIAIS



«Silêncio e palavra: caminho de evangelização»

Domingo, 20 de Maio de 2012



Amados irmãos e irmãs,

Ao aproximar-se o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2012, desejo partilhar convosco algumas reflexões sobre um aspecto do processo humano da comunicação que, apesar de ser muito importante, às vezes fica esquecido, sendo hoje particularmente necessário lembrá-lo. Trata-se da relação entre silêncio e palavra: dois momentos da comunicação que se devem equilibrar, alternar e integrar entre si para se obter um diálogo autêntico e uma união profunda entre as pessoas. Quando palavra e silêncio se excluem mutuamente, a comunicação deteriora-se, porque provoca um certo aturdimento ou, no caso contrário, cria um clima de indiferença; quando, porém se integram reciprocamente, a comunicação ganha valor e significado.

O silêncio é parte integrante da comunicação e, sem ele, não há palavras densas de conteúdo. No silêncio, escutamo-nos e conhecemo-nos melhor a nós mesmos, nasce e aprofunda-se o pensamento, compreendemos com maior clareza o que queremos dizer ou aquilo que ouvimos do outro, discernimos como exprimir-nos. Calando, permite-se à outra pessoa que fale e se exprima a si mesma, e permite-nos a nós não ficarmos presos, por falta da adequada confrontação, às nossas palavras e ideias. Deste modo abre-se um espaço de escuta recíproca e torna-se possível uma relação humana mais plena. É no silêncio, por exemplo, que se identificam os momentos mais autênticos da comunicação entre aqueles que se amam: o gesto, a expressão do rosto, o corpo enquanto sinais que manifestam a pessoa. No silêncio, falam a alegria, as preocupações, o sofrimento, que encontram, precisamente nele, uma forma particularmente intensa de expressão. Por isso, do silêncio, deriva uma comunicação ainda mais exigente, que faz apelo à sensibilidade e àquela capacidade de escuta que frequentemente revela a medida e a natureza dos laços. Quando as mensagens e a informação são abundantes, torna-se essencial o silêncio para discernir o que é importante daquilo que é inútil ou acessório. Uma reflexão profunda ajuda-nos a descobrir a relação existente entre acontecimentos que, à primeira vista, pareciam não ter ligação entre si, a avaliar e analisar as mensagens; e isto faz com que se possam compartilhar opiniões ponderadas e pertinentes, gerando um conhecimento comum autêntico. Por isso é necessário criar um ambiente propício, quase uma espécie de «ecossistema» capaz de equilibrar silêncio, palavra, imagens e sons.

Grande parte da dinâmica actual da comunicação é feita por perguntas à procura de respostas. Os motores de pesquisa e as redes sociais são o ponto de partida da comunicação para muitas pessoas, que procuram conselhos, sugestões, informações, respostas. Nos nossos dias, a Rede vai-se tornando cada vez mais o lugar das perguntas e das respostas; mais, o homem de hoje vê-se, frequentemente, bombardeado por respostas a questões que nunca se pôs e a necessidades que não sente. O silêncio é precioso para favorecer o necessário discernimento entre os inúmeros estímulos e as muitas respostas que recebemos, justamente para identificar e focalizar as perguntas verdadeiramente importantes. Entretanto, neste mundo complexo e diversificado da comunicação, aflora a preocupação de muitos pelas questões últimas da existência humana: Quem sou eu? Que posso saber? Que devo fazer? Que posso esperar? É importante acolher as pessoas que se põem estas questões, criando a possibilidade de um diálogo profundo, feito não só de palavra e confrontação, mas também de convite à reflexão e ao silêncio, que às vezes pode ser mais eloquente do que uma resposta apressada, permitindo a quem se interroga descer até ao mais fundo de si mesmo e abrir-se para aquele caminho de resposta que Deus inscreveu no coração do homem.

No fundo, este fluxo incessante de perguntas manifesta a inquietação do ser humano, sempre à procura de verdades, pequenas ou grandes, que dêem sentido e esperança à existência. O homem não se pode contentar com uma simples e tolerante troca de cépticas opiniões e experiências de vida: todos somos perscrutadores da verdade e compartilhamos este profundo anseio, sobretudo neste nosso tempo em que, «quando as pessoas trocam informações, estão já a partilhar-se a si mesmas, a sua visão do mundo, as suas esperanças, os seus ideais» (Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2011).

Devemos olhar com interesse para as várias formas de sítios, aplicações e redes sociais que possam ajudar o homem actual não só a viver momentos de reflexão e de busca verdadeira, mas também a encontrar espaços de silêncio, ocasiões de oração, meditação ou partilha da Palavra de Deus. Na sua essencialidade, breves mensagens – muitas vezes limitadas a um só versículo bíblico – podem exprimir pensamentos profundos, se cada um não descuidar o cultivo da sua própria interioridade. Não há que surpreender-se se, nas diversas tradições religiosas, a solidão e o silêncio constituem espaços privilegiados para ajudar as pessoas a encontrar-se a si mesmas e àquela Verdade que dá sentido a todas as coisas. O Deus da revelação bíblica fala também sem palavras: «Como mostra a cruz de Cristo, Deus fala também por meio do seu silêncio. O silêncio de Deus, a experiência da distância do Omnipotente e Pai é etapa decisiva no caminho terreno do Filho de Deus, Palavra Encarnada. (...) O silêncio de Deus prolonga as suas palavras anteriores. Nestes momentos obscuros, Ele fala no mistério do seu silêncio» (Exort. ap. pós-sinodal Verbum Domini, 30 de Setembro de 2010, n. 21). No silêncio da Cruz, fala a eloquência do amor de Deus vivido até ao dom supremo. Depois da morte de Cristo, a terra permanece em silêncio e, no Sábado Santo – quando «o Rei dorme (…), e Deus adormeceu segundo a carne e despertou os que dormiam há séculos» (cfr Ofício de Leitura, de Sábado Santo) –, ressoa a voz de Deus cheia de amor pela humanidade.

Se Deus fala ao homem mesmo no silêncio, também o homem descobre no silêncio a possibilidade de falar com Deus e de Deus. «Temos necessidade daquele silêncio que se torna contemplação, que nos faz entrar no silêncio de Deus e assim chegar ao ponto onde nasce a Palavra, a Palavra redentora» (Homilia durante a Concelebração Eucarística com os Membros da Comissão Teológica Internacional, 6 de Outubro de 2006). Quando falamos da grandeza de Deus, a nossa linguagem revela-se sempre inadequada e, deste modo, abre-se o espaço da contemplação silenciosa. Desta contemplação nasce, em toda a sua força interior, a urgência da missão, a necessidade imperiosa de «anunciar o que vimos e ouvimos», a fim de que todos estejam em comunhão com Deus (cf. 1 Jo 1, 3). A contemplação silenciosa faz-nos mergulhar na fonte do Amor, que nos guia ao encontro do nosso próximo, para sentirmos o seu sofrimento e lhe oferecermos a luz de Cristo, a sua Mensagem de vida, o seu dom de amor total que salva.

Depois, na contemplação silenciosa, surge ainda mais forte aquela Palavra eterna pela qual o mundo foi feito, e identifica-se aquele desígnio de salvação que Deus realiza, por palavras e gestos, em toda a história da humanidade. Como recorda o Concílio Vaticano II, a Revelação divina realiza-se por meio de «acções e palavras intimamente relacionadas entre si, de tal modo que as obras, realizadas por Deus na história da salvação, manifestam e confirmam a doutrina e as realidades significadas pelas palavras; e as palavras, por sua vez, declaram as obras e esclarecem o mistério nelas contido» (Const. dogm. Dei Verbum, 2). E tal desígnio de salvação culmina na pessoa de Jesus de Nazaré, mediador e plenitude da toda a Revelação. Foi Ele que nos deu a conhecer o verdadeiro Rosto de Deus Pai e, com a sua Cruz e Ressurreição, nos fez passar da escravidão do pecado e da morte para a liberdade dos filhos de Deus. A questão fundamental sobre o sentido do homem encontra a resposta capaz de pacificar a inquietação do coração humano no Mistério de Cristo. É deste Mistério que nasce a missão da Igreja, e é este Mistério que impele os cristãos a tornarem-se anunciadores de esperança e salvação, testemunhas daquele amor que promove a dignidade do homem e constrói a justiça e a paz.

Palavra e silêncio. Educar-se em comunicação quer dizer aprender a escutar, a contemplar, para além de falar; e isto é particularmente importante paras os agentes da evangelização: silêncio e palavra são ambos elementos essenciais e integrantes da acção comunicativa da Igreja para um renovado anúncio de Jesus Cristo no mundo contemporâneo. A Maria, cujo silêncio «escuta e faz florescer a Palavra» (Oração pela Ágora dos Jovens Italianos em Loreto, 1-2 de Setembro de 2007), confio toda a obra de evangelização que a Igreja realiza através dos meios de comunicação social.

Vaticano, 24 de Janeiro – dia de São Francisco de Sales – de 2012.


BENEDICTUS PP. XVI


quarta-feira, 9 de maio de 2012

Magdi Cristiano Allam: Si Italia abraza el Islam, la culpa es del relativismo religioso




Presentamos la traducción de este artículo del periodista Magdi Cristiano Allam, converso del Islam bautizado por el Papa Benedicto XVI en la Vigilia Pascual del año 2008.

¿Sabíais que son cerca de 70.000 los musulmanes con ciudadanía italiana? ¿Sabíais que, en total, los musulmanes en Italia son cerca de 1.538.000, lo que equivale al 2,7 % de la población? ¿Sabíais que el Islam es ya la segunda religión de Italia inmediatamente después del cristianismo? ¿Sabíais que, en promedio, en Italia nace un lugar de culto islámico cada cuatro días? ¿Sabíais que ya hay terroristas islámicos activos con ciudadanía italiana empeñados en la Jihad, la guerra santa, contra los judíos, los cristianos, los infieles y los apóstatas? Bien, si no lo sabíais es ciertamente una grave deficiencia. Pero todavía más grave es el reconocimiento de que todo esto ocurre con la explícita connivencia de la Iglesia, expresada tanto por las posiciones oficiales y las iniciativas del Pontificio Consejo para el Diálogo Interreligioso, como por el comportamiento y las afirmaciones del clero, desde algunos cardenales hasta una serie de párrocos “islámicamente correctos”.

La reflexión se nos impone por las recientes declaraciones de Ezzedine Elzir, presidente de Ucoii (Unión de las Comunidades y de las Asociaciones Islámicas en Italia), expresadas a Klaus Davi, en las cuales afirma que en Italia hay “70.000 que han retornado al Islam”. ¿Por qué “retornados” y no “convertidos”? Nos explica Elzir: “Nosotros preferimos usar la palabra retorno porque es un redescubrimiento de la verdadera fe”. Quiere decir que, para los musulmanes, el Islam no es una religión “diversa” del judaísmo y del cristianismo, a la que por tanto se adhiere convirtiéndose, como ocurre en cualquier otra religión, sino que es una religión “superior” al judaísmo y al cristianismo, la única religión verdadera, el cumplimiento de la revelación y el sello de la profecía, en un contexto donde se considera que todas las personas nacen musulmanas aún si profesan una fe diversa, tienen dentro de sí el Islam aún si lo ignoran, que por lo tanto la adhesión al Islam en un “retorno” redescubriendo “la verdadera fe”.

“Cada día llegan a nuestras mezquitas no musulmanes que quieren conocer el Islam, varios de ellos lo abrazan”, añade Elzir, porque “cuando hay una crisis de valores y económica, una persona vuelve a descubrir sus raíces, su espiritualidad”, inequívocamente coincidente con el Islam. ¿Cómo es posible que en Italia, la cuna del catolicismo, tierra cristiana que acoge en su seno la Iglesia de los Papas, vicarios de Cristo, se haya llegado al punto de hacer coincidir la “espiritualidad” con el Islam? Y la respuesta se llama “relativismo religioso”. El mismo Benedicto XVI ha identificado varias veces en la “dictadura del relativismo” el mal profundo que debe combatirse porque nos impone, al dejar de lado la razón, considerar que todas las religiones, las culturas y los valores son iguales, independientemente de sus contenidos. El testimonio elocuente del relativismo religioso reside en la letanía de las “tres grandes religiones monoteístas reveladas, abramíticas, del Libro” que rezarían al mismo dios. Así como el relativismo está presente en el comportamiento del clero que imagina que para amar a los musulmanes como personas se deba incondicionadamente aceptar su religión legitimando el Islam, prescindiendo del hecho de que es incompatible con los valores no negociables de la sacralidad de la vida, de la igual dignidad entre hombre y mujer, de la libertad de opción religiosa.

¡Despertémonos! ¡El Islam está ya dentro de nuestra casa! ¡Son los mismos italianos quienes promueven la conquista islámica, incluidos los cardenales y los párrocos que se prodigan por la difusión de las mezquitas! ¡Liberémonos de la dictadura del relativismo! ¡Detengamos la invasión islámica! ¡Basta de mezquitas! ¡Redescubramos nuestra alma, recuperemos el uso de la razón, volvamos a amarnos antes de perder del todo la posibilidad de ser nosotros mismos en nuestra casa!


terça-feira, 1 de maio de 2012

São José operário, rogai por nós!


O TRABALHO DIGNIFICADO


Ontem celebramos a festa de São José operário, patrono dos trabalhadores. Desejoso de ajudar os trabalhadores a santificar o seu dia, já mundialmente comemorado, o Papa Pio XII instituiu a festa de São José operário, modelo do trabalhador. De origem nobre da Casa de Davi, ganhando a vida como simples carpinteiro, São José harmoniza bem a união de classes que deve existir em uma sociedade cristã, onde predominam a justiça e a caridade.

O trabalho é obra de Deus. Deus, ao criar o homem, colocou-o no jardim do Éden para nele trabalhar. O trabalho existe, portanto, antes do pecado. Depois deste, passou a ter a conotação de penitência, pois adquiriu uma nota de dificuldade e o necessário esforço para desempenhá-lo: “Comerás o pão com o suor do teu rosto” (Gn 3,19).

Assim, o trabalho tem o aspecto natural necessário para o nosso sustento e o aspecto adicional de penitência, pois ele contraria nossa tendência, exacerbada pelo pecado, à preguiça e ao relaxamento. O trabalho é algo muito digno e nobre, seja ele qual for, desde que seja honesto e nos encaminhe para Deus, seu autor.

O trabalho é também expressão do amor. “A expressão quotidiana deste amor na vida da Família de Nazaré é o trabalho. O texto evangélico especifica o tipo de trabalho, mediante o qual José procurava garantir a sustentação da Família: o trabalho de carpinteiro. Esta simples palavra envolve toda a extensão da vida de José. Para Jesus este período abrange os anos da vida oculta, de que fala o Evangelista, a seguir ao episódio que sucedeu no templo: «Depois, desceu com eles para Nazaré e era-lhes submisso» (Lc 2, 51). Esta submissão, ou seja, a obediência de Jesus na casa de Nazaré é entendida também como participação no trabalho de José. Aquele que era designado como o ‘filho do carpinteiro’, tinha aprendido o ofício de seu ‘pai’ adotivo. Se a Família de Nazaré, na ordem da salvação e da santidade, é exemplo e modelo para as famílias humanas, é-o analogamente também o trabalho de Jesus ao lado de José carpinteiro. Na nossa época, a Igreja pôs em realce isto mesmo, também com a memória de São José Operário, fixada no primeiro de maio. O trabalho humano, em particular o trabalho manual, tem no Evangelho uma acentuação especial. Juntamente com a humanidade do Filho de Deus ele foi acolhido no mistério da Encarnação, como também foi redimido de maneira particular. Graças ao seu banco de trabalho, junto do qual exercitava o próprio ofício juntamente com Jesus, José aproximou o trabalho humano do mistério da Redenção” (B. João Paulo II, Ex. Apost. Redemptoris Custos).

“Trata-se, em última análise, da santificação da vida quotidiana, no que cada pessoa deve empenhar-se, segundo o próprio estado, e que pode ser proposta apontando para um modelo accessível a todos: São José é o modelo dos humildes, que o Cristianismo enaltece para grandes destinos; é a prova de que para serem bons e autênticos seguidores de Cristo não se necessitam grandes coisas, mas requerem-se somente virtudes comuns, humanas, simples e autênticas.”

Dom Fernando Rifan
Administrador Apostólico
Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

domingo, 22 de abril de 2012

PROGRAMA DO III ENCONTRO SUMMORUM PONTIFICUM BRASIL



III ENCONTRO 
SUMMORUM PONTIFICUM 
BRASIL
10 a 14 de setembro de 2012
Para Sacerdotes, Diáconos,
Religiosos e Leigos

PROmoção

ADMINISTRAÇÃO APOSTÓLICA PESSOAL
SÃO JOÃO MARIA VIANNEY
  
ARQUIDIOCESE DE SALVADOR
PRIMAZ DO BRASIL

Centro de Treinamento de Líderes
Rua Alves Ribeiro, 325.
Lot. Pedra do Sal- Itapuã,
Salvador - Bahia
Telefone: 71 3374-9037 e 3374-7635
(Ponto de referência Hotel Catussaba)

Contato
Edelair (Sula) e José Luiz:
Tel: 21 2667 8309 (9h às 17h30 – Segunda a Sexta)
21 3103.0492 (18h30 às 22h)
Cel.: 21 9208 9323 (Claro) /21 88699698 (OI)


PROGRAMA


ENCONTRO DE FORMAÇÃO PERMANENTE PARA
SACERDOTES E DIÁCONOS
COETUS SACERDOTALIS SUMMORUM PONTIFICUM


SEGUNDA 10 DE SETEMBRO

15h -  Chegada e credenciamento
18h - Santa Missa de abertura (Rezada)
18h30 - Jantar
19h30 - Palavras de Acolhida e Abertura do Encontro - Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, SCJ (Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil)

TERÇA 11 DE SETEMBRO

7h - Santa Missa (Cantada)
8h - Café
8h30 - A Espiritualidade Sacerdotal a partir do Rito de Ordenação do Pontifical Romano de 1961-1962
Dom Fernando Arêas Rifan (Administrador Apostólico da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney)
10h30 - A Vida Litúrgica do Sacerdote como antídoto à secularização
Dom Fernando José Monteiro Guimarães, CSSR (Bispo de Garanhuns e Membro do Supremo Tribunal da Signatura Apostólica )
12h - Almoço
14h30 - Ensaio Litúrgico – O Ritual do Batismo e o Matrimônio na Forma Extraordinária do Rito Romano
Pe. Claudiomar Silva Souza (Pároco da Igreja Principal da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney e Professor de Liturgia no Seminário da Imaculada Conceição )
16h15 - O Ano da Fé, uma ocasião para descobrir os Conteúdos da Fé celebrados e comunicados nos Atos Litúrgicos (Porta Fidei, 9). Uma Reflexão Teológico-Pastoral sobre a relação entre Lex Orandi e Lex Credendi
Dom Gilson Andrade da Silva (Bispo Auxiliar de Salvador)
18h –Jantar

QUARTA 12 DE SETEMBRO

7h30 -  Café
8h30 - Colóquio - Um balanço dos cinco anos de aplicação do Motu Proprio Summorum Pontificum - Frutos e Perspectivas para a Reforma de Bento XVI
Mons. Nicola Bux (Teólogo e Liturgista, Professor de Liturgia Oriental e Teologia dos Sacramentos em Bari - Itália, Consultor da Congregação para a Doutrina da Fé, do Culto Divino e Disciplina dos Sacramentos e do Ofício de Celebrações Litúrgicas do Sumo Pontífice, escreveu entre outros o livro A Reforma de Bento XVI: A Liturgia entre a Inovação e a Tradição)
12h - Almoço
14h - Passeio pelas igrejas de Salvador

ENCONTRO DE FORMAÇÃO SUMMORUM PONTÍFICUM
PARA SACERDOTES, DIÁCONOS, 
RELIGIOSOS E LEIGOS

17h - Santa Missa Solene – Mons. Nicola Bux
18h30 -  Jantar

QUINTA 13 DE SETEMBRO

7h30 - Café
8h - 50 anos de aplicação da Constituição Sacrosanctum Concilium, o Motu Proprio Summorum Pontificum e a necessidade de uma instauratio contínua da Liturgia da Igreja
Mons. Nicola Bux
10h15 - Dez anos da Administração Apostólica São João Maria Vianney - Um exemplo de boa convivência entre as duas formas do Rito Romano para toda a Igreja
Dom Fernando Arêas Rifan (Administrador Apostólico da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney)
12h – Almoço
14h30 - Mesa Redonda
Dom Fernando Arêas Rifan (Administrador Apostólico da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney).
Dom Fernando José Monteiro Guimarães, CSSR (Bispo de Garanhuns e Membro do Supremo Tribunal da Signatura Apostólica).
Dom Henrique Soares da Costa (Bispo Auxiliar de Aracaju)
18h - Santa Missa Pontifical em Ação de Graças pelos cinco anos do Motu Próprio Summorum Pontificum
Véspera da Exaltação da Santa Cruz
Basílica de Nossa Senhora da Conceição da Praia

SEXTA 14 DE SETEMBRO
   
7h30 - Café
8H - A Santa Missa como Sacrifício - A dimensão mais contestada do Mistério Eucarístico
Dom Henrique Soares da Costa (Bispo Auxiliar de Aracaju)
10h15 - O Canto Gregoriano na Liturgia da Igreja - Do Motu Proprio Inter Sollicitudines ao Magistério Recente
Dom Gregório Paixão, OSB (Bispo Auxiliar de Salvador)
Palavra de Conclusão de Dom Murilo Sebastião Ramos Krieger, SCJ (Arcebispo de Salvador e Primaz do Brasil)
12h – Almoço.

Obs: Para a participação de sacerdotes e diáconos no Encontro, requer-se a apresentação do Superior Eclesiástico no momento do credenciamento.

 Fonte coetusacerdotalis.blogspot.com.br 

quinta-feira, 19 de abril de 2012

Sétimo Aniversário da Eleição do Papa Bento XVI



O Papa Bento 
não está sozinho

Inicia o oitavo ano de pontificado de Bento XVI, eleito a 19 de Abril de 2005, com setenta e oito anos, em menos de um dia no conclave mais numeroso que até agora se reuniu na história. Uma data celebrada com alegria e precedida por aquela, tradicionalmente pessoal, do octogésimo quinto aniversário de nascimento, que contudo não era festejado na série dos Papa desde 1895 e que, por conseguinte, foi comemorada mais calorosamente.

Portanto, para estas festas de Abril multiplicaram-se as felicitações e os bons votos, que chegaram do mundo inteiro para expressar um afecto e uma estima gerais, que não se previam tão numerosas no momento da eleição. Com efeito, não se deve esquecer o excesso de preconceitos, ou até de oposições, com o qual a rapidíssima escolha do colégio dos cardeais tinha sido acolhida em diversos ambientes, também católicos. Preconceitos e oposições que em relação ao cardeal Ratzinger remontavam pelo menos a meados dos anos oitenta mas que não correspondiam minimamente à sua verdadeira personalidade.

O sucessor de João Paulo II – que aliás tinha sido o seu colaborador mais influente, que o Papa polaco, também ele por muito tempo hostilizado, quis quase imediatamente em Roma – foi-lhe contraposto, segundo estereótipos abusados. Um pontificado que iniciou em subida e que o Pontífice enfrentou com lúcida serenidade, já demonstrada a 24 de Abril, quando pediu orações aos fiéis para que não fugisse «por medo, diante dos lobos».

Aquela homilia era a primeira de uma série já longa, que por limpidez e profundidade em nada é inferior às pregações de Leão Magno, as primeiras de um bispo de Roma conservadas, caracterizadas por um equilíbrio exemplar entre herança clássica e novidade cristã analogamente à intenção do Papa Bento de se mover em harmonia entre razão e fé. Para se dirigir e falar a todos, como sugeriu no encontro de Assis o convite feito – pela primeira vez, um quarto de século depois daquele convocado por João Paulo II entre crentes – também aos não crentes, para anunciar o Evangelho ao mundo de hoje.

Foi assim também para a homilia na celebração do aniversário de nascimento – que coincide com a do seu baptismo, no Sábado Santo de 1927 – quando Bento XVI falou dos santos recordados no calendário litúrgico, Bernadette Soubirous e Benedetto Giuseppe Labre, de Maria, Mãe de Deus, e da águia pura da verdade da qual o mundo está sedento, muitas vezes sem o saber. Amigos invisíveis, mas não por isso menos reais, dos quais o Papa sente a proximidade na comunhão dos santos. Assim como sente a amizade de tantas pessoas que rezam por ele todos os dias, ou que unicamente olham para ele com simpatia, ouvindo com atenção as suas palavras.


19 de Abril de 2012


segunda-feira, 16 de abril de 2012

No seu 85º aniversário o Papa celebra a Santa Missa na Capela Paulina e recebe uma delegação da Baviera

 

Festa em família

Na homilia a recordação do baptismo recebido a 16 de Abril de 1927, Sábado santo


Festa de anos «bávara» para Bento XVI, que esta manhã, segunda-feira 16 de Abril, recebeu os bons votos pelos seus oitenta e cinco anos de uma numerosa delegação de autoridades civis e religiosas e de fiéis provenientes da sua terra de origem. Festa em família, portanto, para um dia que o Papa quis inaugurar com a missa na Capela Paulina, concelebrada por alguns dos seus colaboradores mais estreitos – entre eles o cardeal Bertone, secretário de Estado, e Sodano, decano do Colégio cardinalício, o qual lhe garantiu, em nome de todos os purpurados, a proximidade e a gratidão pelo seu «serviço de amor» - e por uma representação de cardeais, bispos e prelados alemães, entre os quais o irmão Georg.

Comovedora e inspirada a reflexão improvisada que o Pontífice pronunciou durante a homilia. Aberta por um pensamento grato aos dois santos – Bernadette Soubirous e Benedetto Giuseppe Labre – dos quais a Igreja celebra a memória litúrgica a 16 de Abril. A primeira, confidenciou, é o sinal que indica a água viva da qual cada cristão tem necessidade para se purificar. O segundo, mendigo pelos santuários europeus, mostra ao homem o essencial da vida: só Deus basta para derrubar e as fronteiras que impedem a irmandade entre os povos.

Passou em seguida às recordações pessoais: começando pela dos pais e de quantos o acompanharam durante a existência fazendo-lhe sentir a presença do Senhor. Que na singular coincidência entre o seu baptismo e o Sábado santo – disse – lhe mostrou o vínculo profundo entre nascimento e renascimento. Uma realidade mais forte do que qualquer ameaça ou adversidade, como o próprio Pontífice confidenciou sentir neste momento no qual vive a última etapa da existência. Ciente de que a bondade de Deus supera qualquer mal e ajuda a proceder com segurança pelo caminho da vida. O Papa manifestou um obrigado especial também à delegação da Baviera que recebeu sucessivamente na Sala Clementina. Antes de mais, pelas palavras do ministro-presidente que lhe recordaram os lugares onde cresceu; mas tamém pelos pensamentos suscitados pela menção do cardeal Reinhard Marx à beleza da fé de uma Igreja com a qual nunca deixou de se sentir profundamente ligado. Uma Igreja cujo rosto veio à mente graças à presença de tantos bispos. Assim como voltaram à mente os vínculos de amizade com os representantes de outras confissões cristãs e com a comunidade judaica. Por fim, o pensamento, talvez mais íntimo e pessoal, suscitado pelas músicas executadas pelo grupo folk. Havia nelas algo de familiar: o pai tocava com frequência com a a cítara a mesma melodia. «O Senhor saúda-te». Portanto, uma música que acompanhou a sua infância, que ainda hoje pertence ao seu presente, disse, como também ao seu futuro.

17 de Abril de 2012