sexta-feira, 25 de setembro de 2015

"Não cantamos senão Deus e para Deus, por meio da liturgia tradicional", Schola Sainte Cécile


Em exclusivo para o New Liturgical Movement e a Paix liturgique, Henri Adam de Villiers, director da “Schola Sainte Cécile”, um coro de fiéis da paróquia de Saint-Eugène de Paris - onde a liturgia tradicional é usada desde 1985 ao lado da liturgia moderna -, faz a apresentação do riquíssimo programa musical que a Schola cantará durante a próxima peregrinação internacional Summorum Pontificum a Roma, de 22 a 25 de Outubro de 2015.

1) Bom dia, Henri! Como já aconteceu em 2013, também este ano, a “Schola Sainte Cécile” regressa a Roma para acompanhar a peregrinação Summorum Pontificum. A que se deve esta fidelidade? 

É ao mesmo tempo uma honra e uma grande alegria para nós este regresso a Roma para acompanhar a peregrinação Summorum Pontificum. Uma honra, porque esta peregrinação internacional reúne numerosos fiéis vindos dos quatro cantos do mundo, e que vêm fazer a sua acção de graças junto da sede de Pedro. Por meio desta iniciativa, a peregrinação, estes fiéis testemunham até que ponto a liturgia tradicional é um caminho de conversão e um alimento para a sua vida de cristãos. Assim, vemo-nos obrigados a dar o melhor de nós mesmos, para que os ofícios e as missas possam ser ainda mais belos e magníficos, mais "extraordinários" do que já o são ao longo de todo o ano. 

É também uma grande alegria, pois poder cantar nos lugares de maior enlevo da nossa fé católica é algo que verdadeiramente nos tira o fôlego. Recordo ter ficado quase em lágrimas há dois anos na Basílica de São Pedro, de tão forte que foi a emoção de cantar a santa missa junto do túmulo de Pedro.

2) Seria possível apresentar-nos o programa que vai ser interpretado durante a peregrinação?

O primeiro plano vai para o cantochão gregoriano, que, naturalmente, será integralmente interpretado em cada uma das missas, como é mosso hábito.

Já o programa de polifonia, esse será original. É nossa intenção tirar vantagem das muitas tribunas existentes nas igrejas romanas para prover as obras de vários coros (como fizemos há dois anos), seguindo a antiga técnica dita dos "cori spezzati", dos "coros separados": os coristas são divididos em diversas tribunas e respondem uns aos outros - por vezes, de modo muito dinâmico, gerando efeitos acústicos fascinantes. Esta prática dos "cori spezzati" teve uma fase muito florescente em Roma, durante o Renascimento, no final do século XVIII.

Assim, no dia 22 de Outubro, na Igreja da Trinità dei Pellegrini, as vésperas e a bênção do Santíssimo Sacramento serão cantados a três coros.

Mas será sobretudo durante a missa pontifical de sexta-feira, 23 de Outubro, que, aproveitando da acústica excepcional da igreja de Santa Maria in Campitelli e das suas numerosas tribunas, iremos fazer uso deste repertório a vários coros. Será cantada a Missa para 4 coros (H.4) de Marc-Antoine Charpentier, uma das principais obras deste compositor, mas raramente interpretada em virtude da dificuldade de juntar 16 vozes reais e instrumentos! Há indícios que levam a crer que Charpentier terá composto esta missa durante a sua estadia em Roma na sua juventude, para os "marinheiros romanos" (!) É inegável que foi na Cidade Eterna que ele descobriu o seu repertório policoral (os seus manuscritos incluem uma cópia de uma outra missa a 4 coros de um compositor romano, Francesco Beretta, que foi mestre-de-capela no Vaticano e que Charpentier poderá ter conhecido durante os seus anos de formação em Roma).

Para acompanhar esta missa a 4 coros de Charpentier, apresentaremos 3 outros motetos a dois coros:
* Beati estis, em torno do texto da 8ª bem-aventurança, por Peter Philips, um sacerdote inglês exilado em Roma no século XVII por fidelidade à fé católica (foi mestre-de-capela do Colégio Inglês em Roma);
* Vox Domini, de Eustache du Caurroy, mestre-de-capela de Henrique IV, ardente propagador das polifonias a coros múltiplos em França;
* Omnes gentes plaudite manibus, de Guillaume Bouzignac (tudo leva a crer que seja esta a primeira vez que se volta a executar esta obra a oito vozes desde o século XVII).
A acústica de São Pedro, em Roma, onde teremos a alegria de cantar a missa da festa de São Rafael Arcanjo, no dia 24 de Outubro, já é certamente mais difícil. Ainda assim, apresentaremos aí “Angeli Archangeli”, um grande moteto a dois coros de Jean Veillot, mestre-de-capela de Luís XIV durante a menoridade deste, e o magnífico “Pange língua” de Miche-Richard de Lalandde, outro mestre da capela real de Luís XIV.
Este ano, seremos acompanhados por duas sacabuxas, instrumento do Renascimento e do Barroco que é um antepassado do trombone. 

3) A Schola é um coro de fiéis cujo desempenho, muito frequentemente, em nada fica a dever àquele dos coros profissionais: qual o segredo da vossa harmonia?

Ora essa, não há nisso nada de verdadeiramente misterioso: não cantamos senão Deus e para Deus, por meio da liturgia tradicional. Ora, trata-se de uma liturgia exigente: não se pode fazer o que quer que seja, e a subjectividade pessoal deve passar para um segundo plano, já que se tem de seguir antes de mais o caminho trilhado por uma tradição multissecular da música sagrada. A liturgia tradicional é exigente, mas, por isso mesmo, ela torna-se uma escola de excelência, que nos puxa para cima e que nos faz dar o melhor de nós mesmo. É por isso que esta liturgia gerou ao longo da História tantas maravilhas artísticas, no domínio da música, mas também no âmbito das outras artes, e, em particular, na arquitectura, maravilhas de que Roma sempre foi ficando especialmente dotada.
Creio que os nossos coristas – que não são mais do que simples paroquianos – são muito sensíveis a este aspecto: a generosidade do seu investimento pessoal é uma resposta entusiasta que quer estar à altura da beleza inerente à liturgia tradicional. Deus é o Bem Supremo e o Belo Supremo, e a liturgia tradicional é um antegozo da sua glória, uma epifania, o Céu sobre a terra! Assim sendo, não se compadece com a mediocridade!

O meu trabalho à frente da “Schola Sainte Cécile” consistiu antes de mais em pôr-me a mim mesmo na senda da escola da grande tradição da música sacra do Ocidente, que, aliás, não pode ser compreendida em toda a sua profundidade se não se tiver um bom conhecimento das tradições litúrgicas e musicais do Oriente cristão. Cabe-nos a alegria de recolocar as obras do grande repertório ocidental da música sacra no próprio cenário em que foram criadas, já que, hoje em dia, infelizmente, já quase se não as ouve senão em concerto. Ordenadas assim para a sua finalidade própria, que é a de dar glória a Deus, estas obras, adquirem plenamente o seu sentido, ao passo que, quando ouvidas num quadro que não seja o da liturgia, elas acabam por ficar amputadas da sua real dimensão. Ressuscitamos obras magníficas mas esquecidas que dormem sobre as estantes das nossas bibliotecas públicas, e montamos frequentemente projectos litúrgicos originais, como seja o de irmos cantar o rito moçárabe a Toledo ou o rito ambrosiano a Milão. Tudo isto não pode deixar de ser fonte de motivação para os nossos coristas!

Creio, enfim, que dedicar-nos a praticar a música em comum permite tecer laços profundos. E se se canta para Nosso Senhor, isso adiciona a essa prática comum uma dimensão suplementar, de comunhão espiritual: entre nós, compartilhamos muito mais que as notas musicais!

> Veja aqui o programa oficial da Quarta Peregrinação a Roma do Povo Summorum Pontificum.
> O último CD da “Schola Sainte Cécile” está disponível para compra aqui.

Paix Liturgique

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Santa Missa na Forma Extraordinária em São Luís


Los obispos polacos hacen pública su postura ante el Sínodo de la familia


Absoluta fidelidad al Magisterio de la Iglesia

En un comunicado publicado ayer en la web de la Conferencia Episcopal de Polonia, los obispos de la nación que dio al mundo a San Juan Pablo II, Papa, han dado a conocer cuál es su postura ante el próximo sínodo sobre la familia que tendrá lugar en Roma en el mes de octubre. Como en anteriores ocasiones, se muestran absolutamente fieles al magisterio de la Iglesia.

(InfoCatólica) El comunicado de los obispos polacos consta de nueve puntos.

En el primero aseguran que la enseñanza de los papas y los obispos basada en la Escritura y la Tradición muesta que el matrimonio y la familia representan valores esenciales para la humanidad. Y recuerdan la relación entre la unión matrimonial con la que Cristo mantiene con su Iglesia.

En el segundo punto, los prelados polacos constatan que en su país hay multitud de familias sanas que cuidan de su vocación tanto en situaciones buenas como malas, y agradecen a los sacerdotes el cuidado pastoral que les ofrecen.

En el tercer punto, los obispos recuerdan las palabras de Cristo sobre la indisolubilidad del matrimonio y que no hay autoridad humana que esté por encima de la ley divina. "En la Iglesia Católica no hay divorcio ni proceso que conduzca al divorcio", aseveran, y añaden: "solo hay un proceso que aclara individualmente si hubo matrimonio o no. Todos deberían tener cuidado con la mentalidad divorcista".

En el cuarto punto, los pastores de la Iglesia en Polonia ponen su atención en los matrimonios que todavía no han podido tener hijos. Tras asegurarles la atención pastoral, recuerdan -citando al papa Francisco- que no está permitido para un católico acceder a la fecundación artificial. Igualmente muestran su cercanía con los matrimonios que han perdido un hijo por un aborto natural e indican que el hijo no nacido fallecido en el seno materno debe recibir sepultura cristiana.

En el quinto punto los obispos alaban a los matrimonios que, de forma prudente y generosa, han optado por tener muchos hijos. La gratitud se extiende a los que han decidido adoptar.

En el sexto punto, la Iglesia en Polonia pone énfasis en la necesidad de atender de todas las maneras posibles a las familias que están en una situación de pobreza y muy especialmente a las que han tenido que dividirse por causa de la emigración. Los obispos piden sensibilizar a los jóvenes en esa tarea.

El séptimo punto está dedicado a las personas que viven solas, tanto por decisión personal como por circunstancias no deseadas que ocurren en la vida. Los obispos piden para ellas una adecuada atención pastoral e incluso ver la forma de involucrarlas en el servicio a las familias más necesitas.

El octavo punto empieza afirmando que el 90% de los jóvenes polacos ven el matrimonio y la familia como el método ideal para alcanzar la felicidad, pero al mismo tiempo constatan el aumento de las uniones civiles, no matrimoniales. Es necesario, afirman, una revalorización del matrimonio y una mejor preparación en el periodo catequético previo a la recepción del sacramento.

El noveno y último punto está dedicado a recordar la doctrina católica ante la polémica sobre dar la comunión a los divorciados vueltos a casar. Los obispos polacos citan palabras recientes del papa Francisco asegurando que la Eucaristía «no es una oración privada o una bonita experiencia espiritual», ya que «Nutrirnos de ese `Pan de vida´ significa entrar en sintonía con el corazón de Cristo, asimilar sus elecciones, sus pensamientos, sus comportamientos». En ese sentido, los pastores advierten que no se puede cambiar la doctrina que indica que es necesario estar en estado de gracia para poder comulgar.

«La familia», concluye el comunicado de la Conferencia Episcopal de Polonia, «es obra y propiedad de Dios. Es por eso que nos preparamos para el próximo Sínodo con fe, esperanza y caridad».

domingo, 20 de setembro de 2015

El cardenal Caffarra lamenta la “tentación de redefinir el matrimonio y la familia desde las orientaciones sexuales y no de las dos identidades sexuales varón-mujer”


El arzobispo de Bolonia, en las jornadas diocesanas “Vocación y misión del matrimonio y la familia en la iglesia y en el mundo"

El cardenal Carlo Caffarra, arzobispo de Bolonia (Italia), ha subrayado esta mañana en la Universidad Católica de Valencia San Vicente Mártir (UCV) que "la misión de la familia es la generación y educación de la nueva persona humana" y "radica en la Providencia de Dios", a pesar de que "la gran provocación lanzada hoy consiste en mostrar su inutilidad".

Según el purpurado, "la nueva criatura venida a la existencia es persona desde el primer instante de su concepción, y al mismo tiempo está llamada a convertirse en persona humana". Así, la labor de la familia es "que aflore su inteligencia, su voluntad, su libertad, su capacidad de amar, su sociabilidad", ha subrayado.

El cardenal Caffarra ha pronunciado esta mañana la última ponencia de las jornadas diocesanas "Vocación y misión del matrimonio y la familia en la iglesia y en el mundo", organizadas a iniciativa del cardenal arzobispo de Valencia, Antonio Cañizares, a través de la Facultad de Teología de Valencia, la sección española del Pontificio Instituto Juan Pablo II, y la Facultad de Derecho Canónico de la UCV.

El prelado, a quien el papa san Juan Pablo II nombró fundador y primer presidente del Pontificio Instituto Juan Pablo II para Estudios sobre el Matrimonio y la Familia, ha ofrecido su conferencia en el campus de Valencia-San Juan y San Vicente de la UCV por la mañana, e impartirá una segunda sesión vespertina en la sede de Santa Úrsula.

En su intervención, el arzobispo de Bolonia, ha defendido que la familia "ha sido pensada y querida por Dios mismo con vistas a alcanzar un fin", que es "la construcción de una nueva persona; construcción que tiene dos actos: generación y educación". De este modo, "Dios celebra la liturgia de su amor creativo mediante el ministerio de los esposos" por lo que "en la paternidad y maternidad humana Dios mismo creador está presente".

En un segundo momento, el ponente ha asegurado que la familia es desafiada en esta vocación procreativa y educativa. De hecho, ha expresado que "la gran provocación lanzada hoy consiste en mostrar su inutilidad". "Es un proceso de destrucción lo que estamos observando: la institución familiar poco a poco está siendo desmontada hasta su desaparición", aseguró este experto en Derecho Canónico, quien ha lamentado la "tentación de redefinir el matrimonio y la familia a partir de las orientaciones sexuales y no desde las dos identidades sexuales varón-mujer".

Frente a ello, el cardenal Caffarra ha propuesto "mostrar la belleza y la verdad de vivir la familia evangélica en respuesta a las familias que la niegan". Según ha expresado, "se debe vivir con fidelidad el Evangelio del matrimonio, mostrando su íntima razón de ser, y preguntar simplemente: ¿Cuál de las dos posibilidades es la más humana?, ¿cuál es la que hace aflorar la propia humanidad?".

En este sentido, ha señalado a los obispos y los esposos cristianos como responsables de esta respuesta. "La propuesta cristiana es un evento histórico. Esto es lo que debe ser narrado y es la misión de los obispos. Esto es lo que debe ser representado y es la misión de los esposos. Una narración sin representación sería como si la música de Mozart no fuese interpretada, sino solo leída y estudiada. Una representación sin narración no tendría sentido".

Cardenal Sarah: "La comunión entre el Creador y su criatura encuentra su máxima expresión en la unión nupcial"

Previamente, se ha dado lectura a la ponencia del cardenal Robert Sarah, prefecto de la Congregación del Culto Divino y la Disciplina de los Sacramentos y ex presidente del Consejo Pontificio "Cor Unum", que ha redactado para la última sesión de las jornadas diocesanas "Vocación y misión del matrimonio y la familia en la iglesia y en el mundo".

En su ponencia, el cardenal Sarah se ha referido a la "profunda unidad entre el sacramento del matrimonio y la santa eucaristía" y ha señalado algunas dificultades actuales que amenazan la comprensión de dicha relación.

Así, el purpurado ha afirmado que "la comunión entre el Creador y su criatura encuentra su máxima expresión en la unión nupcial" que, a su vez, "pone en la eucaristía su base y su culmen".Sin embargo, esta realidad "se enfrenta a la actual cultura dominante, cuyo pensamiento se caracteriza por el continuo ataque, cuando no negación, de las que han sido las bases de la sociedad occidental hasta el día de hoy".

De este modo, el cardenal Sarah ha definido la sociedad actual como "un nuevo paganismo", que considera el aspecto espiritual "como algo relegado a la esfera subjetiva, marginal e intrascendente", y que está inmersa en relativismo "donde cada uno es medida de sí mismo". "Es la sociedad de la soledad, estamos solos y a menudo ni sabemos quiénes somos, y para reencontrarnos tenemos la necesidad de satisfacer todos nuestros deseos, encontrándonos siempre más solos e insatisfechos", ha expresado.

Ante este panorama, "la Iglesia tiene la misión de anunciar aquella verdad que reconduce la persona a su dignidad", que, en el caso del matrimonio, es "la profunda unidad a la cual el hombre y la mujer están llamados, posible sólo en Cristo, y más profundamente, en la unidad que se manifiesta entre Cristo y la Iglesia", ha asegurado el prefecto de la Congregación del Culto Divino y la Disciplina de los Sacramentos.

"Dios ha creado el hombre y la mujer para la unidad, pero el pecado ha creado una fractura, obligándolos a vivir encerrados en sí mismos e incapaces de amar. Por eso Dios ha enviado a su único Hijo, para restituir al hombre y a la mujer a su unidad en el único Dios". Así, "celebrar la eucaristía es pasar con Cristo de nuestros límites en el amor, a una dimensión sin algún límite" y "esta realidad de amor total es la llamada de los esposos cristianos", ha detallado el cardenal.

Por todo ello, "el sacramento del matrimonio se apoya en algo natural, la unión entre el hombre y la mujer para formar una familia, pero siendo un sacramento se convierte en la vía privilegiada para vivir en plenitud dicha unidad, el encuentro con el Amor que nos permite amar".

Esta es la razón por la que el cardenal Sarah ha incidido en que los matrimonios vivan "continuamente" la eucaristía, y en que la manera "más indicada" para celebrar el sacramento del matrimonio es dentro del de la eucaristía", pues "sólo alimentándose de Cristo y haciéndose uno solo con Él, el hombre y la mujer experimentan la eternidad de Dios que les permite amarse y hacerse una sola carne".

www.ucv.es

terça-feira, 15 de setembro de 2015

Nossa Senhora das Dores, rogai por nós! Stabat Mater




Stabat mater dolorosa
juxta Crucem lacrimosa,
dum pendebat Filius.

Cuius animam gementem,
contristatam et dolentem
pertransivit gladius.

O quam tristis et afflicta
fuit illa benedicta,
mater Unigeniti!

Quæ mœrebat et dolebat,
pia Mater, dum videbat
nati pœnas inclyti.

Quis est homo qui non fleret,
matrem Christi si videret
in tanto supplicio?

Quis non posset contristari
Christi Matrem contemplari
dolentem cum Filio?

Pro peccatis suæ gentis
vidit Iesum in tormentis,
et flagellis subditum.

Vidit suum dulcem Natum
moriendo desolatum,
dum emisit spiritum.

Eia, Mater, fons amoris
me sentire vim doloris
fac, ut tecum lugeam.

Fac, ut ardeat cor meum
in amando Christum Deum
ut sibi complaceam.

Sancta Mater, istud agas,
crucifixi fige plagas
cordi meo valide.

Tui Nati vulnerati,
tam dignati pro me pati,
pœnas mecum divide.

Fac me tecum pie flere,
crucifixo condolere,
donec ego vixero.

Juxta Crucem tecum stare,
et me tibi sociare
in planctu desidero.

Virgo virginum præclara,
mihi iam non sis amara,
fac me tecum plangere.

Fac, ut portem Christi mortem,
passionis fac consortem,
et plagas recolere.

Fac me plagis vulnerari,
fac me Cruce inebriari,
et cruore Filii.

Flammis ne urar succensus,
per te, Virgo, sim defensus
in die iudicii.

Christe, cum sit hinc exire,
da per Matrem me venire
ad palmam victoriæ.

Quando corpus morietur,
fac, ut animæ donetur
paradisi gloria. Amen. 

O Card. Sarah, atual Prefeito do Culto Divino e o Summorum Pontificum



O PONTO DE VISTA DO CARDEAL SARAH ACERCA DO MOTU PROPRIO SUMMORUM PONTIFICUM 

Extracto de “Dieu ou rien", entrevista a Nicolas Diat, edições Fayard, pág. 400-402.

Pessoalmente, acolhi o Summorum Pontificum com confiança, alegria e acção de graças. É como que um sinal e a prova de que a Igreja, Mater et Magistra, presta atenção a todos os seus filhos, levando em conta as suas sensibilidades. Bento XVI quis promover a riqueza das diferentes expressões espirituais, posto que as mesmas conduzam a uma comunhão eclesial real e verdadeira, fazendo refulgir mais luminosamente a santidade da Igreja.

Penso que este belo motu proprio está directamente na linha daquela que era a vontade dos Padres Conciliares. Na verdade, não podemos fazer de conta que a Sacrosanctum Concilium não dizia: “a Liturgia compõe-se duma parte imutável, porque de instituição divina, e de partes susceptíveis de modificação, as quais podem e devem variar no decorrer do tempo, se porventura se tiverem introduzido nelas elementos que não correspondam tão bem à natureza íntima da Liturgia ou se tenham tornado menos apropriados.”

Na carta que acompanhava o Summorum Pontificum, Bento XVI escrevia: “Aliás, as duas Formas do uso do Rito Romano podem enriquecer-se mutuamente: no Missal antigo poderão e deverão ser inseridos novos santos e alguns dos novos prefácios. A Comissão «Ecclesia Dei», em contacto com os diversos entes devotados ao usus antiquior, estudará as possibilidades práticas de o fazer. E, na celebração da Missa segundo o Missal de Paulo VI, poder-se-á manifestar, de maneira mais intensa do que frequentemente tem acontecido até agora, aquela sacralidade que atrai muitos para o uso antigo. A garantia mais segura que há de o Missal de Paulo VI poder unir as comunidades paroquiais e ser amado por elas é celebrar com grande reverência em conformidade com as rubricas; isto torna visível a riqueza espiritual e a profundidade teológica deste Missal.”

É provável que na celebração da missa de acordo com o antigo missal, compreendamos melhor que a missa é um acto de Cristo e não dos homens. De igual modo, o seu carácter misterioso e mistagógico também se torna mais imediatamente perceptível. Mesmo que participemos activamente na missa, esta não é uma acção nossa, mas de Cristo. Na carta apostólica Vicesimus Quintus Annus, João Paulo II escrevia (*): “Em que consiste uma participação activa? O que ocorre fazer? Infelizmente, esta expressão foi frequentemente mal-entendida e reduzida à sua significação exterior, isto é, à necessidade de um acto comum, como se se tratasse de fazer entrar concretamente em acção o maior número de pessoas possível. A palavra participação remete-nos para uma acção central da qual todos devem participar. Assim, como queiramos descobrir que acção é essa, cumpre que, antes de mais, se trate de precisar que “actio” central será esta da qual devem tomar parte todos os membros da comunidade … Com o termo “actio”, referido à liturgia, entende-se nas fontes o cânone eucarístico. O verdadeiro agir litúrgico … é a “oratio”. Esta “oratio” — a solene prece eucarística, “o cânone” — è muito mais que um discurso, è uma “actio” no sentido mais alto do termo. Com efeito, nela acontece que a acção humana passa para segundo plano, deixando lugar para a “actio” divina, a acção de Deus.”

O motu proprio Summorum Pontificum tenta reconciliar as duas formas do rito romano, e, sobretudo, procura ajudar-nos a redescobrir a sacralidade da santa missa como “actio Dei”, e não dos homens. Tocamos aqui um ponto extremamente importante: o problema da indisciplina que se espalhou, a falta de respeito e de fidelidade ao rito, que pode até chegar a afectar a própria validade dos sacramentos.

(*) Na realidade, as palavras aqui atribuídas a São João Paulo II, teriam sido retiradas, segundo nos parece, de uma obra do Cardeal Ratzinger: “Introdução ao espírito da Liturgia”.

Paix Litugique

segunda-feira, 14 de setembro de 2015

Cardeal Burke: A forma extraordinária, um tesouro para toda a Igreja


No Outono de 2015, será publicada a tradução francesa do livro do Cardeal Raymond Leo Burke “Divine Love Made Flesh” [La Sainte Eucharistie sacrement de l’amour]. Esta edição incluirá uma entrevista inédita com o cardeal patrono da Ordem de Malta, levada a cabo pelo Padre Claude Barthe, capelão da peregrinação a Roma do povo Summorum Pontificum. Para comemorar o oitavo aniversário da publicação do Motu Proprio Summorum Pontificum pelo Papa Bento XVI, deixamos aqui alguns excertos seleccionados dessa entrevista, com a gentil permissão do editor.



Padre Claude Barthe : Eminência, o dia 7 de Julho de 2015 assinala o aniversário do Motu Proprio Summorum Pontificum. Será exagero dizer que este texto é particularmente representativo do pontificado de Bento XVI?

Cardeal Raymond Leo Burke – Eu diria que em certo sentido, se trata, de facto, da expressão mais elevada do pensamento do Cardeal Ratzinger, que depois veio a ser o Papa Bento XVI. Ele mostra a sua compreensão do Concílio Vaticano II, já que, infelizmente, depois do segundo Concílio Ecuménico Vaticano, mas certamente não por causa dos ensinamentos do Concílio, verificaram-se numerosos abusos, nomeadamente no que diz respeito à celebração da sacra liturgia. Na Carta Apostólica Summorum Pontificum, vê-se como o Papa encontrou uma forma jurídica que estabelece um elo orgânico entre o novo e o antigo, entre a forma ordinária e a forma extraordinária. 

CB: Este texto apareceu após 50 anos de crise litúrgica, a crise a que V. Eminência se referiu na intervenção que fez em Roma, durante o colóquio Summorum Pontificum, a 13 de Junho deste ano (“Um tesouro para a Igreja”), ao dizer que, desde 1970, “o cavalo desenfreou”. Não veio o Motu Próprio abrir um caminho para a resolução desta crise?

Card. Burke: Sem dúvida. Bento XVI viveu com grande dor toda a crise litúrgica, tal como o contou na sua autobiografia (“A Minha Vida”, Livros do Brasil, 2005). Na Carta dirigida aos bispos que acompanhava o Motu Proprio, ele dá conta desta que foi precisamente a sua experiência: “em muitos lugares – dizia o Papa Bento XVI – se celebrava não se atendo de maneira fiel às prescrições do novo Missal, antes consideravam-se como que autorizados ou até obrigados à criatividade, o que levou frequentemente a deformações da Liturgia no limite do suportável. Falo por experiência, porque também eu vivi aquele período com todas as suas expectativas e confusões.” E penso que, ao permitir redescobrir a forma da santa liturgia que tinha existido na Igreja romana ao longo de mil e quinhentos anos, o Papa Bento XVI veio dar a possibilidade para que os abusos seam corrigidos, e deu também um ponto de referência para que se chegue a um necessário enriquecimento da forma ordinária.

[…]

CB: Em jeito de pistas para este enriquecimento, o Cardeal Cañizares, prefeito da Congregação para o Culto Divino, havia apresentado ao Papa Bento XVI algumas propostas para o uso “ad libitum” na forma ordinária das antigas orações do ofertório e para um enquadramento das concelebrações: qual a opinião de V. Eminência a este propósito?

Card. Burke: Não tenho conhecimento sobre se o Cardeal Cañizares fez essas propostas, mas estou plenamente de acordo com a ideia de recuperar certas orações como as que se conservaram no ofertório da forma extraordinária, pois são muito expressivas do grande mistério sacrificial que se celebra. Tudo na missa deve chamar a nossa atenção para a acção divina que se cumpre sobre o altar, e estas orações fazem-no de um modo particular. Num importante artigo concedido pelo Cardeal Sarah, prefeito do Culto Divino, ao “Osservatore Romano” de 12 de Junho passado, ele escrevia que seria desejável inserir o rito penitencial (com isso, quer-se referir às “orações aos pés do altar”) e o ofertório do “usus antiquior” como um anexo a uma futura edição do missal. Ainda acerca das orações aos pés do altar, o salmo que aí se utiliza, o salmo 42 da Vulgata (“E entrarei/irei até ao Altar de Deus; até ao Deus que alegra a minha mocidade”), era o mesmo que cantavam os sacerdotes antes de entrar no Templo de Jerusalém, voltados para o altar: é por isso uma belo modo de mostrar a unidade do culto “em espírito e verdade” (Jo 4, 23) da Nova Aliança e do culto da Antiga Aliança, o novo culto que completa e aperfeiçoa o antigo.

[…]

CB: Ao dar o seu lugar à missa no seu estado tradicional – o estado em que é apresentada no missal de 1962 de João XXIII – o Papa Bento XVI quis então pôr à disposição de toda a Igreja um ponto de referência.

Card. Burke: Assim é, devemos ver a forma extraordinária como um tesouro conservado pela Igreja romana ao longo dos séculos. Trata-se de um rito que, na sua substância, é idêntico ao de Gregório Magno.

CB : … e é particularmente adequado para a acção da Igreja nos dias de hoje: V. Eminência insiste frequentemente na aplicação do adágio “lex orandi, lex credendi” à nova evangelização, ou reevangelização.

Card. Burke: A “lex orandi” está sempre ligada à “lex credendi”. Dependendo do modo em que os homens rezem, bem ou mal, assim também acreditarão, bem ou mal, e se comportarão, bem ou mal. A santa liturgia é, em absoluto, o primeiro acto da nova evangelização. Se não adorarmos a Deus em espírito e verdade, se não celebrarmos a liturgia com a maior fé possível, especialmente nessa acção divina que se desenrola ao longo da missa, então não poderemos ter a inspiração e a graça necessárias para participar na evangelização. Em suma, na santa liturgia está contida a forma da evangelização, na medida em que aquela é um encontro directo com o mistério da fé que nos cabe levar às almas que Deus traz ao nosso encontro.
Ela consegue, por ela mesma, conduzir ao conhecimento dos mistérios da fé. Se a santa liturgia for celebrada de uma maneira antropocêntrica, se ela mais não for do que uma simples actividade social, não terá qualquer impacto duradouro na vida espiritual. Uma das maneiras de conduzir os homens na direcção da fé consiste em restaurar a dignidade da liturgia. Celebrar uma missa com veneração é algo que sempre atraiu os homens para o mistério da redenção. É por isso que me parece que a celebração da missa na forma extraordinária pode ter um papel muito importante no âmbito da nova evangelização, porque ela acentua a transcendência da santa liturgia. Ela sublinha a realidade da união entre o Céu e a terra que a santa liturgia quer exprimir. A acção de Cristo por meio dos sinais do sacramento, por meio dos sacerdotes, instrumentos do próprio Cristo, torna-se muito evidente na forma extraordinária. Além do mais, ela ajuda‑nos a sermos mais respeitadores no modo de celebrar a forma ordinária.
Todos vemos a necessidade dessa evangelização no mundo de hoje, que vive como se Deus não existisse. É importante que se ligue esta nova evangelização à celebração o mais cuidada possível da liturgia. Em muitas pessoas ateias ou não cristãs com quem me encontrei, pudever que, ao travarem conhecimento com a missa na forma extraordinária, tinham a experiência de estarem realmente na presença da acção de Deus. E em seguida, esta mesma experiência veio a permitir-lhes acolherem os ensinamentos da religião. Os homens devem conseguir compreender que o sacerdote age na pessoa de Cristo. Devem poder compreender que é o próprio Cristo que desce sobre o altar para renovar o sacrifício da Cruz. Devem poder compreender que têm de unir os seus corações àquele Seu Coração que foi trespassado para os purificar do pecado, e para fazer crescer neles o amor de Deus e o amor pelo próximo. Devemos pois catequizar os homens com as realidades profundas da missa, em particular por meio da forma extraordinária do rito romano.

CB: A propósito da relação entre doutrina e liturgia, nota-se com frequência que os seminaristas que são atraídos pela forma extraordinária, têm também o desejo de receber uma formação teológica verdadeiramente estruturada. Cumpre, aliás, dizer que, em França, a forma tradicional atrai muitos seminaristas. 

Card. Burke: Mas, na Alemanha, também, e nos Estados Unidos, e em Itália. Havia a ideia de que os italianos não eram atraídos pela liturgia tradicional; é absolutamente falso.
Quanto aos seminaristas, quando era arcebispo de Saint Louis, assim que Bento XVI promulgou o Summorum Pontificum, pedi imediatamente que, no seminário, todos os seminaristas fossem instruídos sobre a forma extraordinária, sobre o seu rito, a sua espiritualidade, e que fosse celebrada no seminário uma vez por semana. Pedi também que os seminaristas que tivessem capacidade para aprender latim fossem formados para celebrar a forma extraordinária. Toda esta regulamentação foi muito bem recebida e, segundo penso, produziu bons frutos na arquidiocese.

CB: Porque esta missa agrada aos jovens.

Card. Burke: Assim é. O Papa Bento XVI dizia aos bispos que se poderia ter pensado que a procura da missa antiga tinha a ver com a geração mais velha, mas que se tinha tornado evidente que havia jovens a descobrirem esta forma litúrgica e que se sentiam atraídos por ela, vendo nela um modo de encontro com o mistério da eucaristia que condizia particularmente com eles. Eu mesmo, quando celebro a missa tradicional, posso observar que a ela vêm assistir numerosas belíssimas famílias jovens e com muitos filhos. Não quero dizer que estas famílias não possam ter problemas, mas uma coisa é clara, que elas se sentem assim mais fortes para os enfrentar. Sempre me impressionou o número de jovens que eram atraídos pela forma extraordinária da missa. São atraídos por ela porque ela é ricamente articulada e cativa a atenção em relação ao que está a acontecer e a ser feito no altar.

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Paix Liturgique