domingo, 26 de abril de 2009

Bento XVI canoniza o português Nuno Álvares Pereira, "o Santo Condestável"


Com a Praça de S. Pedro no Vaticano completamente cheia foram canonizados esta manhã (26 de Abril) Arcangelo Tadini, Bernardo Tolomei, Gertrude (Caterina) Comensoli, Caterina Volpicelli e Nuno Santa Maria.

Depois da apresentação de uma breve biografia dos novos santos pelo Prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, D. Angelo Amato, acompanhado pelos postuladores das causas, pediu que os cinco beatos sejam inscritos no “álbum dos Santos” e “como tal sejam invocados por todos os cristãos”. Após a ladainha, Bento XVI canonizou os cinco beatos.

Na fórmula de canonização, o Papa disse: “declaramos e definimos como Santos os Beatos Arcangelo Tadini, Bernardo Tolomei, Nuno de Santa Maria Álvares Pereira, Geltrude Comensoli e Caterina Volpicelli, e inscrevemo-los no Álbum dos Santos e estabelecemos que em toda a Igreja eles sejam devotamente honrados entre os Santos”.

Os presentes bateram palmas e acenaram-se bandeiras. Após a proclamação dos novos santos – quatro italianos e um português - transportaram-se as relíquias dos novos santos para junto do altar. O Arcebispo Amato e os postuladores agradeceram a Bento XVI.

O prefeito da Congregação para as Causas dos Santos pediu também que seja redigida a Carta Apostólica a respeito das canonizações que acabaram de ter lugar. Bento XVI respondeu “Decernimus”, ou seja, “ordenamo-lo”.

A Homilia do Papa Bento XVI

Na homilia da cerimônia da canonização de S. Nuno de Santa Maria, Bento XVI destacou algumas características do novo santo português. “Uma intensa vida de oração e absoluta confiança no auxílio divino” E adianta: “Embora fosse um ótimo militar e um grande chefe, nunca deixou os dotes pessoais sobreporem-se à ação suprema que vem de Deus”.

“São Nuno esforçava-se por não pôr obstáculos à ação de Deus na sua vida, imitando Nossa Senhora, de Quem era devotíssimo e a Quem atribuía publicamente as suas vitórias” – sublinhou Bento XVI na homilia.

No final da sua vida, o «Santo Condestável» retirou-se para o convento do Carmo, em Lisboa, mandado construir por ele. “Sinto-me feliz por apontar à Igreja inteira esta figura exemplar nomeadamente pela presença duma vida de fé e oração em contextos aparentemente pouco favoráveis à mesma, sendo a prova de que em qualquer situação, mesmo de carácter militar e bélica, é possível atuar e realizar os valores e princípios da vida cristã” – disse o Papa.

No final da celebração, Bento XVI agradeceu à comunidade portuguesa presente na praça de S. Pedro e, em particular, os carmelitas. "A quem um dia se prendeu o olhar e o coração deste militar crente" - salientou. A sua história de vida é "um apelo" aos cristãos de hoje – finalizou

Nuno de Santa Maria

Espírito contemplativo

Nuno Álvares Pereira, depois de ser religioso, estreitou mais o trato e familiaridade com o Senhor, porque então vivia no retiro, conveniente para poder sem estorvo empregar todas as potências da alma no Senhor que contemplava.

Amor à Eucaristia

«Esta a resposta que o Nuno costumava dar aos que notavam a sua frequência à mesa Eucarística: Que se alguém o quisesse ver vencido, pretendesse afastá-lo daquela Sagrada mesa em que Deus se dá em manjar aos homens, porque dela lhe resultava todo o esforço e fortaleza com que vencia e debelava seus contrários» (Papa Bento XV).

Devoção a Nossa Senhora

Nuno orava à Virgem Maria Senhora Nossa. Ao entrar no Convento de Nossa Senhora do Carmo, que mandou edificar, despojou-se de todos os títulos escolhendo para si o nome de «Frei Nuno de Santa Maria».

Pobreza, humildade e caridade

Nuno, o homem mais rico de Portugal, por amor de Deus fez-se pobre, inteiramente pobre. Distribuiu todos os seus bens pela Igreja, pelos pobres, pela família e pelos antigos companheiros de armas.

Despojado de tudo pede por caridade. Só por ordem do Rei é que deixou de andar pelas ruas a pedir esmola para os pobres. Do que o Rei lhe mandava para seu sustento, distribuía tudo o que podia pelos pobres, socorrendo e assistindo na agonia os moribundos. Mais caritativo era para com o seu próximo quando havia oportunidade de o socorrer nas enfermidades. Assistia os pobres nas doenças, não só com os alimentos necessários, mas com as ofertas que lhes dava.

Fonte: Ecclesia